Enumere fatores que são essenciais e que devem ser criados para que haja um ambiente fértil, em que surgem oportunidades para serem aproveitadas pelos empreendedores emergentes.
26 Outubro 2012, 09:39 por Jornal de Negócios Online | negocios@negocios.pt
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Um estudo que avalia o empreendedorismo em Portugal, no âmbito do projeto Global Entrepreneurship Monitor (GEM - www.gemconsortium.org), analisa 10 fatores que considera essenciais para a atividade empreendedora.

Um estudo que avalia o empreendedorismo em Portugal, no âmbito do projeto Global Entrepreneurship Monitor (GEM - www.gemconsortium.org), analisa 10 fatores que considera essenciais para a atividade empreendedora, fatores que designa de condições estruturais do empreendedorismo num país. O fator que surge em primeiro lugar é o apoio financeiro. Os recursos financeiros, quer sejam capitais próprios quer sejam ajudas financeiras sob a forma de bolsas ou subsídios, são essenciais para abrir novas empresas ou para expandir negócios que já existem. Mas isso só por si não basta. É preciso que as políticas governamentais ao nível, por exemplo, da burocracia e da carga fiscal, fomentem a atividade empreendedora. Além disso, o Governo pode ainda ter uma ação direta no incentivo ao empreendedorismo, criando programas nos vários níveis de governação (nacional, regional e municipal), que apoiem os negócios em criação ou em crescimento. A educação e a formação são outros fatores chave para criar um contexto mais ou menos propenso ao empreendedorismo. A formação em empreendedorismo pode ser feita desde o ensino básico, passando pelo secundário até chegar ao ensino superior. Ao nível do ensino superior são ainda importantes as práticas de transferência de tecnologia, permitindo que a investigação possa sair das universidades e dos institutos e ganhar uma faceta comercial.

Entre os restantes fatores que fomentam a atividade empreendedora, enumeram-se ainda as infraestruturas comerciais e profissionais (instituições e serviços comerciais, contabilísticos e legais) que apoiam e promovem os negócios pequenos, a abertura do mercado, o acesso a infraestruturas (comunicação, transportes, utilidades, matérias-primas e recursos naturais) a preços que não sejam discriminatórios para negócios pequenos, a proteção dos direitos de propriedade intelectual e as normas culturais e sociais que encorajam e estimulam as iniciativas individuais.

“É fundamental que os países tenham pessoas capazes de, por um lado, reconhecer oportunidades de negócio valiosas e, por outro lado, perceber que detêm as competências necessárias para explorar estas oportunidades”, diz a GEM Portugal no relatório sobre Portugal (http://www.empreender.aip.pt/irj/go/km/docs/site-manager/www_empreender_aip_pt/documentos/pt/barometro/destaque/GEM_Portugal_Final.pdf ). Sendo a atitude de um país positiva, isso criará por arrastamento “apoio cultural, recursos financeiros e benefícios em rede para os empreendedores ou para as pessoas que querem criar um negócio.”

Mas empreendedorismo não significa apenas a predisposição para criar o próprio negócio, é também uma atitude que pode ser alimentada dentro das próprias organizações, assumindo aquilo a que chama intraempreendedorismo (vem da palavra intrapeneur em inglês). “O intra-empreendedor é o indivíduo que, ao invés de tomar a iniciativa de abrir o seu próprio negócio, toma a iniciativa de criar, inovar e buscar novas oportunidades e negócios para organização na qual trabalha”, explica Edmundo Brandão Dantas, professor da Universidade de Brasília, num estudo intitulado Empreendedorismo e Intra-empreendedorismo. (http://www.bocc.ubi.pt/pag/dantas-edmundo-empreendedorismo.pdf). Este estudo explica que o desafio é as empresas conseguirem desenvolver atitudes empreendedoras nos seus colaboradores “dando-lhes a oportunidade de fazer com que suas ideias se realizem.” Estimular o espírito empreendedor é fundamental para promover o envolvimento pessoal dos colaboradores, diz o autor.

Este método dá frutos porque liberta o génio criador das pessoas que melhor conhecem a empresa e pode mesmo ser a solução para as empresas que estão estagnadas ou mergulhadas na burocracia, uma vez que o intra-empreendedor vai tentar focar a empresa naquilo que é essencial para o negócio. Estes processos podem levar a uma reorganização da empresa, a mudanças de processos e mesmo à redefinição da missão da empresa, diz Edmundo Brandão Dantas, concluindo: “Os intra-empreendedores podem fazer toda a diferença entre o sucesso e o fracasso da empresa.”

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