Transformação Digital Lisboa prepara-se para se transformar numa “smart city”
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Entrevista

Lisboa prepara-se para se transformar numa “smart city”

A transformação digital está em curso na capital e o passo mais recente é o desenvolvimento da Plataforma de Gestão Inteligente da Cidade de Lisboa.
Lisboa prepara-se para se transformar numa “smart city”
A transformação digital está a mudar o dia-a-dia das empresas, mas na administração das cidades o desafio também se coloca. Em Lisboa, o plano para fazer da capital uma cidade inteligente tem várias frentes.

Em Julho, a autarquia da capital apresentou a Plataforma de Gestão Inteligente da Cidade de Lisboa, a infra-estrutura vai ser o suporte tecnológico do Centro Operacional Integrado (COI), o coração de um projecto de transformação digital mais amplo, que vai dotar o município de um conjunto de ferramentas inovadoras de gestão colaborativa de ocorrências e eventos.

Ao longo dos próximos seis meses será montada a sala de operações que ligará a informação recolhida por diferentes operadores de serviços vitais na cidade, como a Protecção Civil, os Bombeiros, a Polícia Municipal ou a PSP, entre outros. Serão ligados 10 sistemas internos e 40 externos, de parceiros da autarquia associados ao projecto.

Nesta sala de operações partilhada, representantes de várias entidades envolvidas vão passar a ter à disposição um "‘dashboard’ que vai fornecer uma visão holística da cidade" e dados para monitorizar várias situações em simultâneo, explica o vereador Jorge Máximo, com o pelouro dos sistemas de informação da autarquia. O objectivo é que a plataforma apoie a tomada de decisões e contribua para melhorar o tempo de resposta dos serviços a problemas que forem surgindo, ou que contribua mesmo para antecipá-los, acrescenta o responsável.

Progressivamente, a plataforma ganhará capacidade para recolher e analisar cada vez mais informação, à medida que a autarquia digitalizar novas áreas, tornando-as compatíveis com a tecnologia do centro de operações e juntar mais parceiros ao projecto. Um exemplo é a rede de suportes publicitários gerida pela Câmara Municipal de Lisboa. A gestão da infra-estrutura para os próximos 15 anos está a ser decidida em concurso público e o processo prevê a colocação de sensores nos "outdoors" espalhados pela cidade, que vão recolher informação e descarregá-la no centro de operações.

Num primeiro momento, a plataforma de gestão está preparada para receber informação de quatro mil sensores, mas pode processar dados de 10 mil, ou mais, porque é escalável. A informação recolhida a partir de câmaras de videovigilância e de outros sistemas de controlo distribuídos pela cidade terá o mesmo destino e ajudará a monitorizar aspectos como a qualidade do ar, o ruído, a mobilidade e outros. As ferramentas de análise e previsão vão trabalhar todos estes dados para identificar e responder mais rapidamente a situações anómalas, como uma árvore que caiu, carros mal estacionados, níveis anormais de poluição, ou outros. E, nalguns casos, desencadear acções sem necessidade de intervenção humana.

"Este é talvez o projecto mais importante de um objectivo de transformação digital no município. É o mais transformador e disruptivo e está a preparar a cidade para um novo estilo de "governance". Jorge Máximo, vereador da CM de Lisboa com o pelouro dos sistemas de informação.


Vai permitir agilizar processos e criar respostas automatizadas para situações concretas. Um exemplo apontado por Jorge Máximo é o da organização de grandes eventos na cidade. "Organizar uma maratona implica a coordenação de esforços de várias entidades: é preciso desviar trânsito, garantir condições de segurança, etc." Com todos os intervenientes na gestão deste tipo de processos a trabalhar de forma sincronizada, e a articular esforços a partir de um mesmo local, optimiza-se trabalho e resultados, antecipa.

"As cidades modernas obrigam os municípios a fazer um grande esforço, não tanto de investimento, mas na forma de gerir, alterando o paradigma" e procurando outros mecanismos para dar melhor resposta às necessidades de quem lá vive, sublinha Jorge Máximo. Neste caso, os novos recursos para alcançar este objectivo passam, entre outros, por explorar o potencial da IoT (Internet das Coisas) e centrar decisões em informação de gestão baseada em analítica, "big data" e inteligência artificial.

1,2 milhões de euros para começar a transformar a capital

A plataforma de suporte ao novo centro de operações da cidade de Lisboa custou 1,2 milhões de euros, num contrato que prevê três anos de desenvolvimento e manutenção 24 horas por dia, mas o investimento da autarquia na transformação digital é maior e mais estendido no tempo.

Inclui seis grandes projectos que vão alimentar e tirar partido da nova infra-estrutura, com o objectivo de a tornar progressivamente mais relevante na gestão da cidade. Prevêem a modernização de sistemas e "data center" (MISS IT); analítica e "business intelligence" (Monitor Lx); modernização das plataformas SIG (SIG4all); desmaterialização de processos e do posto de trabalho (Câmara Digital); ubiquidade dos novos serviços digitais (Shif2mobile); e o desenvolvimento de uma política de dados abertos (Lisboa Aberta).

Nas diversas frentes, há várias coisas a acontecer. A política de dados abertos, por exemplo, está alinhada com o COI e junta à plataforma dezenas de parceiros que, por essa via, vão trocar directamente informação relevante para a gestão do dia-a-dia da cidade. É uma ligação que se pretende de dois sentidos e que também vai dar ao mercado acesso a mais dados sobre a cidade, que podem vir a ser usados para criar novos serviços ou aplicações.

A transformação do posto de trabalho e a desmaterialização de serviços são outros objectivos em concretização. Tiram partido de tecnologias colaborativas e ferramentas de CRM, para agilizar processos de trabalho internos e atendimento ao cidadão. Jorge Máximo explica que por ano a autarquia atende 300 mil pessoas nos serviços presenciais e 200 mil via telefone. Está em fase de lançamento a Loja Lisboa, que vai desmaterializar o atendimento e optimizá-lo, reduzindo drasticamente o número de sistemas a que é preciso aceder (até agora quase duas dezenas) para dar suporte a estas interacções.

Plataformas para Lisboa

A CML contou com a colaboração do Instituto de Engenharia de Lisboa para definir os requisitos da plataforma que vai suportar o seu novo centro de operações. O concurso público que se seguiu demorou mais de um ano e incluiu quase uma centena de provas de conceito para testar as mais diversas situações.

A plataforma tecnológica que vai dar suporte ao COI já é usada noutras cidades a nível mundial, como Santander, em Espanha, ou Wellington, na Nova Zelândia. Foi desenvolvida pela NEC.

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