Ajuda Externa PS propõe à troika défice de 5% para 2014 mas "há uma enorme relutância na flexibilização" das metas

PS propõe à troika défice de 5% para 2014 mas "há uma enorme relutância na flexibilização" das metas

O Partido Socialista propôs à troika flexibilizar a meta do défice orçamental do país para 5% do produto interno bruto (PIB) para o próximo, em vez dos 4,5% estipulados no programa de ajustamento português. Eurico Brilhante Dias salientou que o PS vai fazer de tudo para que os cortes já anunciados “não sejam implementados. É uma luta que continuaremos a travar nos próximos dias.”
PS propõe à troika défice de 5% para 2014 mas "há uma enorme relutância na flexibilização" das metas
Sara Antunes 18 de setembro de 2013 às 12:26

“O PS defendeu mais uma vez que considera inaceitável a redução do salário mínimo nacional e que é urgente repor o IVA da restauração. O PS propôs ainda que a meta orçamental em 2014 seja de, pelo menos, 5% do produto. Esta proposta do PS, que nos parece que dará credibilidade à meta orçamental do Orçamento de 2014, permite salvaguardar as pensões, permite repor o IVA da restauração nos 13% e ainda permitirá proteger emprego de milhares e milhares de portugueses”, afirmou o responsável socialista durante uma conferência de imprensa que se seguiu ao encontro com os responsáveis da troika – BCE, FMI e Comissão Europeia.

 

Contudo, apesar de ter apresentado estas propostas, o PS não saiu da reunião animado isto porque “a percepção é que há uma enorme relutância na flexibilização” da meta do défice, adiantou.

 

“Falámos em nome dos portugueses, em nome dos que sabem que este programa não tem tido resultados”, acusando assim o Governo de “não cumprir uma única metra orçamental.”

 

Eurico Dias adiantou que o PS questionou a troika sobre “as conclusões do caminho deste programa”, recordando que ainda na terça-feira o FMI defendeu, num relatório, que nos países sem acesso aos mercados e com fortes desequilíbrios, um ajustamento rápido com consequências drásticas sobre a actividade económica seria quase inevitável. Mas até nestes casos mais extremos, onde se pode encaixar Portugal, há limites de velocidade a observar.

 

“Era importante que a troika incorporasse a análise teórica na prática”, tendo concluído que “Portugal não tem tido êxito por excesso de austeridade.”

 

“Um Governo frágil, que é no seu seio criador de instabilidade política, é sempre um Governo fraco para proteger interesse dos portugueses. Nesta reunião isso foi confirmado”, salientou o responsável socialista.

 

Eurico Dias acrescentou que o PS entregou um documento “com 18 páginas” onde se encontram as propostas do partido socialista e que são públicas. “O PS continuará a estar ao lado dos portugueses, a lutar para que em 2014 não sejam implementados os cortes que estão programados. É a tarefa que temos pela frente.” Esta “é uma luta que continuaremos a travar nos próximos dias”, garantiu.

 

Quanto à eventualidade de um programa cautelar, Eurico Dias que o tema foi abordado, mas não houve esclarecimentos “satisfatórios”. Um “programa cautelar não foi discutido. Tivemos oportunidade de questionar sobre a possibilidade de Portugal vir a ter outro programa, seja de natureza cautelar ou não. A resposta será a troika a dar. Não tivemos um esclarecimento completamente satisfatório.”

 

(Notícia actualizada às 13h00 com mais declarações)




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