Autarquias A calçada mudou em Alcântara. E quem lá passa diz que passa melhor

A calçada mudou em Alcântara. E quem lá passa diz que passa melhor

As ruas de Lisboa estão a mudar. Os projectos de renovação dos passeios lisboetas estão a retirar a tradicional pedra da calçada e a substituí-las por pavimentos direitos. O Negócios foi perceber como é que a mudança está a ser recebida.
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Liliana Borges 20 de fevereiro de 2016 às 12:00

A calçada de Lisboa está a desaparecer, mas na rua de Alcântara os lisboetas parecem não importar-se. As mudanças já se começaram a observar em algumas ruas lisboetas e cumprem o projecto "Pavimentar Lisboa", um programa que prevê intervenções nas ruas e pavimentos lisboetas.

Esta quinta-feira, 18 de Fevereiro, foi inaugurada aquela que era, segundo o presidente da Câmara de Lisboa Fernando Medina, uma das intervenções "mais complexas". Os passeios da Rua de Alcântara ganharam mais espaço, mas perderam o chamado "mosaico português". E, como o novo passeio de Alcântara, as opiniões dividem-se. De uma forma geral, os portugueses estão dispostos a abdicar da tradicional calçada portuguesa, excepção feita aos centros históricos, em troca de maior conforto para os peões.

A redução da pedra da calçada para uma estreita faixa encostada aos edifícios não deixa esquecer os buracos nos passeios, as quedas, a falta de espaço e as irregularidades gerais do passeio, nota Casemira Cruz, uma das comerciantes que encontramos ao longo da rua. Se mais nada melhorar, "pelo menos anda-se melhor", comenta.

Além do novo pavimento, junto às passadeiras os passeios foram rebaixados e passaram a ter um piso táctil, que permite a invisuais detectarem a presença da passadeira.

Ana Rodrigues vende castanhas nesta rua há mais de duas décadas e conta-nos que, até agora, "na generalidade parece-me que todos estão a gostar", mas ressalva que ainda é cedo para tirar conclusões.

Mais espaço, menos estacionamento

Ainda assim, a nova calçada traz preocupações. "Ficou giro, mas não sei se vai dar resultado para quem tem comércio", comenta Ana Botelho, uma lojista que se aproxima. A vendedora de castanhas concorda. "Se não houver um sítio onde as pessoas possam parar vai ser muito difícil para o comércio tradicional", nota. "Para as pessoas que moram aqui é capaz de ser melhor, mas para quem passa de carro é complicado".

A preocupação do estacionamento é transversal entre os comerciantes. "A nível de rua está bom. Há uma diferença. Deviam arranjar condições para as pessoas poderem estacionar", aponta Paulo Aleixo, proprietário de um dos cafés da zona. "As pessoas seguem sempre em frente e nunca voltam para trás" e isso poderá reduzir o fluxo de clientes, antecipa.

A opinião mais crítica chega de Manuel Sousa, com 77 anos e uma loja na Rua de Alcântara desde 1975. Encontramo-lo ao final de tarde, num café da mesma rua. Quando lhe perguntamos o que acha do novo pavimento, não poupa críticas. "Metade da largura chegava" e as pessoas continuavam a poder parar.

Mas Paulo Aleixo vê a largura como uma oportunidade para dinamizar mais a rua e já estuda a possibilidade de colocar uma esplanada, também na tentativa de compensar os "prejuízos ao negócio causados pelas obras, especialmente durante o período do Natal e Ano Novo".

Está mais bonita e limpa

O proprietário do café sublinha também as vantagens. "As pessoas antes deitavam muitos papéis para o chão. A rua estava sempre suja e era muito escura. Agora nota-se que não o fazem tanto. Está mais bonita, mais clara, dá outra luz". Além disso, é mais fácil para quem tem a mobilidade reduzida e se desloca em cadeira de rodas – o que antes era praticamente impossível está agora facilitado, observa. E isso compensa a "perda de identidade" com o fim da calçada, considera.

Na inauguração do novo pavimento, o presidente da Câmara de Lisboa deixou o aviso: "esta é a solução que vai ficar na cidade", cita o Público.

No entender de Paulo Aleixo, estes passeios vão permitir que a cidade esteja mais dinamizada e vai convidar as pessoas a andar mais a pé, acreditando que esta é a visão da Câmara de Lisboa.

Os comerciantes esperam agora uma solução para o estacionamento, que poderá acontecer num terreno de uma antiga fábrica de azulejos, sendo que as negociações estarão a acontecer entre a Junta de Freguesia, a Câmara de Lisboa e o Banco Comercial Português.




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mais votado Bento20 20.02.2016

Há uma data de arquitetos do regime que não deram uma para o bem da população. Para eles creio claramente que sim, devem ter tirado bom proveito. Bastantes obras a favorecer alguém. Algo para mais tarde ter de ser recuperado. Desde o atual arqº Salgado, passando pela Arqª H. Roseta (da cor que mais lhe interessasse e que agora anda com o bico apagado) e o arqº Sá Fernandes que acompanhado pelo perito da Câmara o Prof. do ISTécnico F. Nunes da Silva fizeram uma grande borrada na Av. Duque de Ávila, que verificamos todo um conjunto de erros inconcebíveis. Houve apreciação popular; nós sabemos como se fazem essas participações populares.

comentários mais recentes
PUPM 22.02.2016

Desde há muitos anos que defendo que a calçada portuguesa não era a solução ideal para os nossos passeios. É uma calçada muito irregular, cheia de buracos, porca (acumula muita sujidade). muito desnivelada, dura para passear ou andar e difícil de limpar. Os tempos são outros e há que modernizar.

Anónimo 22.02.2016

Infelizmente, foi preciso o "boom" do turismo em Lisboa e as respetivas críticas á calçada portuguesa cheia de covas, pedras pontiagudas, buracos, desníveis, etc. que se decidiram a dar-nos passeios decentes para podermos neles andar sem receio de torcer tornozelos, caír, partir algum osso e por aí fora. Claro que a população, ainda por cima envelhecida, agradece. Mas que ninguém se iluda. Não fosse o advento do turismo, ainda andaríamos a calcorrear Lisboa nuns passeios dignos de sádicos e masoquistas.

5640533 21.02.2016

Até que enfim alguém viu que a calçada Portuguesa é uma aberração para as ruas. Nem com salto baixo andar nela é confortável.

Virtualix 21.02.2016

Vai ser este um dos legados de António Costa.
O de ter acabado com um dos símbolos de Lisboa, de ter arrancado um dos traços de identidade da nossa cidade que a distinguia das demais capitais Europeias.
Depois desta decisão e do assalto ao poder não advenho grande futuro politico a esta personagem

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