Autarquias Lisboa sobe 44 lugares em ranking do custo de vida. Habitação e combustíveis pesam

Lisboa sobe 44 lugares em ranking do custo de vida. Habitação e combustíveis pesam

A capital portuguesa subiu 44 lugares no ranking da Mercer sobre o custo de vida para expatriados em várias cidades. Ainda assim, Lisboa é a 93.ª cidade com o maior custo de vida, superando o Rio de Janeiro ou Toronto, mas longe das principais capitais mundiais.
Arnd Wiegmann/Reuters Edgar Su/reuters Qilai Shen Qilai Shen Matthew Lloyd Alexander De Leon Battista
Tiago Varzim 26 de junho de 2018 às 00:01
Lisboa passou da posição 137 para a 93 em apenas um ano num total de 209 cidades. É uma subida de 44 posições no ranking do custo de vida da Mercer, a maior desde que o estudo é feito. Este agravamento do custo de vida para expatriados na capital portuguesa tem quatro justificações: a variação do euro face ao dólar, a subida dos preços na habitação, restauração e combustíveis. No que toca aos combustíveis, segundo os dados apresentados, Lisboa só é superada por Paris e Hong Kong. 

"É certo que a oscilação entre o euro e dólar [norte-americano] é o maior factor da subida, mas também existiu uma subida nos preços de bens e serviços como a habitação e restauração", explica a Mercer no comunicado enviado às redações. Um desses exemplos é o preço da gasolina, em que "Lisboa é a cidade mais cara se compararmos com as cidades do top 5, com excepção de Hong Kong". 

Tanto a habitação como os combustíveis têm sido dois temas sensíveis no debate público em Portugal no último ano. Ainda na semana passada passou no Parlamento a redução do ISP, o imposto sobre o combustível. Apesar dos preços da habitação estarem ainda aquém daquilo que é praticado em várias capitais, tal não se pode dizer sobre o custo do combustível.

A análise da Mercer centra-se no preço de um litro de gasolina sem chumbo (95 octanas): em Lisboa é de 1,55 euros, acima de cidades que estão no top 10 do custo de vida, como é o caso de Luanda, Tóquio ou Singapura. Nos dados revelados, apenas Paris e Hong Kong superam Lisboa.

Além disso, de acordo com a Mercer, em Lisboa vigoram os seguintes preços: 6,95 euros por um bilhete de cinema, 99 euros por um par de calças de ganga, 2,5 euros por uma chávena de café (incluindo o serviço), 4,85 euros por um hambúrguer de fast food, 2.000 euros de renda mensal por um T2 e 2.650 euros por um T3, 75 cêntimos por um litro de leite pasteurizado, 2,91 euros por 1kg de pão branco, 78 cêntimos por uma lata de cerveja e 83 cêntimos por um litro de água mineral. 

Em termos gerais, para colocar a capital portuguesa em perspectiva, o custo de vida lisboeta fica aquém daquilo que se paga em Riga, Estocolmo, Hamburgo, Praga, Barcelona ou Buenos Aires. Mas fica acima de Atlanta (EUA), Rio de Janeiro, Toronto, Vancouver, Atenas ou Bratislava. 

Luanda perde liderança para Hong Kong. Zurique é a cidade europeia mais cara

Hong Kong passou em 2018 a ser considerada a cidade mais cara do mundo, destronando Luanda que ficou em 6.º lugar. À excepção de Zurique, o top 5 das cidades mais caras é constituído por cidades asiáticas: além de Hong Kong, há Tóquio (2.º), Singapura (4.º) e Seul (5.º). 

Zurique, na Suíça, é a cidade europeia mais cara. Até chegar a outra cidade europeia, a Suíça posiciona mais duas cidades: Berna e Genebra. Só no 14.º lugar é possível ver outra cidade europeia não suíça: é o caso de Copenhaga, a capital da Dinamarca. Segue-se Londres em 19.º e Dublin em 32.º. 

A tendência de queda das cidades norte-americanas decorre da recuperação da economia europeia, "que provocou a queda do dólar norte-americano, face a outras grandes moedas em todo o mundo". Isso teve impacto no aumento do custo de vida em várias cidades europeias, nomeadamente Berlim e Frankfurt, que subiram 49 lugares - mais do que Lisboa.

Este estudo foca-se essencialmente no custo de vida para expatriados nas principais cidades do mundo na óptica em que a mobilidade de profissionais acontece cada vez mais."Com a evolução tecnológica e a importância de uma força de trabalho conectada globalmente, a transferência de talento permanece uma componente chave na estratégia das empresas multinacionais," considera Diogo Alarcão, CEO da Mercer Portugal, em comunicado. 

Contudo, também há que ter cautela. "Se, por um lado, a mobilidade da força de trabalho permite às organizações conseguir uma maior eficiência, utilizar o melhor talento e ser eficiente do ponto de vista dos custos em projectos internacionais, a volatilidade dos mercados e o crescimento económico moderado em muitas partes do mundo faz com que as empresas avaliem com algum cuidado os pacotes de remuneração para expatriados", avisa Alarcão. 

O estudo foi realizado em Março de 2018, sendo que os cálculos têm em conta as taxas de câmbio praticadas nessa período. Nova Iorque é utilizada como a cidade base para todas as comparações, sendo que os movimentos cambiais têm como referência o dólar norte-americanoSegundo a consultora, o estudo foi desenvolvido para ajudar as empresas multinacionais e os Governos a definirem estratégias para os seus trabalhadores expatriados.



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