Conjuntura Contas externas portuguesas agravam défice em Abril

Contas externas portuguesas agravam défice em Abril

O turismo continua a dar um contributo positivo para as contas externas, mas insuficiente para compensar o crescimento mais rápido das importações de mercadorias.
Contas externas portuguesas agravam défice em Abril
Bruno Simão
Nuno Carregueiro 20 de junho de 2018 às 12:20

As contas externas portuguesas agravaram a situação deficitária no mês de Abril, com o saldo conjunto das balanças corrente e de capital a fixar-se num valor negativo de 290 milhões de euros entre Janeiro e Abril, o que compara com -78 milhões de euros no primeiro trimestre.

A comparação com o período homólogo de 2017 é ainda mais negativa, uma vez que nos primeiros quatro meses do ano passado as contas externas tinham um excedente de 267 milhões de euros.

Num comunicado publicado esta quarta-feira, o Banco de Portugal adianta que para esta deterioração "contribuíram todas as componentes, excepto a balança de serviços".


A evolução das exportações e importações de mercadorias foi determinante para o agravamento das contas externas, já que o défice da balança de bens aumentou 684 milhões de euros nos primeiros quatro meses do ano, superando já os 4 mil milhões de euros. As exportações de mercadorias até aumentaram 6,4% nos primeiros quatro meses do ano, mas as importações cresceram a um ritmo mais elevado (8,2%).


Este agravamento do défice da balança de bens mais do que anulou o bom desempenho da balança de serviços, que continua a beneficiar com o impacto do turismo. "O excedente da balança de serviços cresceu 362 milhões de euros, essencialmente devido à rubrica de viagens e turismo, cujo saldo passou de 2.110 milhões de euros para 2.428 milhões de euros", refere o Banco de Portugal.

Somando bens e serviços, as exportações cresceram 6,6% e as importações aumentaram 7,8%.


No que diz respeito às restantes componentes da balança de pagamentos, também contribuíram para o agravamento do défice externo. 


O défice da balança de rendimento primário aumentou de 842 milhões de euros para 998 milhões de euros, sobretudo devido à diminuição dos dividendos recebidos do exterior, refere o Banco de Portugal. O défice da balança financeira foi negativo em 4 milhões, contra um excedente nos primeiros quatro meses do ano passado.


Balança de pagamentos

A balança de pagamentos regista as transacções que ocorrem num determinado período de tempo entre residentes e não residentes numa determinada economia. Essas transacções são de natureza muito diversa encontrando-se classificadas em três categorias principais:

- balança corrente, que regista a exportação e importação de bens e serviços e os pagamentos e recebimentos associados a rendimento primário (ex: juros e dividendos) e a rendimento secundário (ex: transferências correntes);

- balança de capital, que regista as transferências de capital (ex: perdão de dívida e fundos comunitários) e as transacções sobre activos não financeiros não produzidos (ex. licenças de CO2 e passes de jogadores);

- balança financeira, que engloba as transacções relacionadas com o investimento, nomeadamente investimento directo, investimento de carteira, derivados financeiros, outro investimento e activos de reserva.

Fonte: Banco de Portugal






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