Conjuntura Défice externo duplica no primeiro semestre

Défice externo duplica no primeiro semestre

O desempenho do turismo tem sido marcadamente positivo, mas continua a não chegar para compensar o aumento das importações de mercadorias. O défice foi ainda agravado pelo pagamento de dividendos ao exterior.
Margarida Peixoto 21 de agosto de 2018 às 11:53
O défice externo português duplicou nos primeiros seis meses de 2018, quando comparado com o mesmo período do ano passado. O défice das balanças corrente e de capital atingiu 1.678 milhões de euros, o que compara com 836 milhões de euros em Junho de 2017. Os dados foram publicados esta terça-feira, 21 de Agosto, pelo Banco de Portugal.

Os registos dos últimos dois anos da evolução das contas externas mostra que é normal a economia portuguesa registar um défice durante os meses de Maio e Junho. Mas também deixa evidente que o buraco registado nas contas deste ano é bastante mais fundo.

A explicar a degradação das contas externas estão essencialmente dois factores. Primeiro, as importações de bens, que superaram o ritmo das vendas de mercadorias ao exterior.

O Banco de Portugal explica que o défice nas mercadorias subiu 1.062 milhões de euros, com as exportações a crescerem 6,8% até Junho, mas as importações a aumentarem mais depressa, 8,9%.

Até pode haver um bom motivo para as compras de bens ao exterior estarem a subir tanto. Os números mostram que o aumento das importações é mais expressivo nos bens intermédios e de equipamento, do que nos bens de consumo. Esta tendência era muito evidente até Maio. Com os dados de Junho está menos clara, mais ainda assim verifica-se que as importações de bens de consumo cresceram 6% no primeiro semestre, enquanto as de bens intermédios avançaram 8% e as de bens de equipamento 11%.

Mas o resultado é um défice comercial mais alto, porque a balança de serviços não melhora o suficiente para compensar a degradação da de bens.  

As contas mostram uma melhoria de 662 milhões de euros no excedente da balança de serviços. As exportações de serviços subiram 7,4% e as importações avançaram apenas 4,5%.

Só na rubrica de viagens e turismo o saldo "passou de 3.953 milhões de euros para 4.637 milhões", uma subida de 17%, adianta a nota de informação do banco central.

Mas há ainda um segundo motivo que explica o agravamento do défice externo: a época de pagamento de dividendos das empresas. "O défice da balança de rendimento primário aumentou 451 milhões de euros para 3.611 milhões de euros, devido ao efeito conjunto da redução dos dividendos recebidos e do aumento dos dividendos pagos ao exterior," explica o Banco de Portugal.

Os cálculos do Negócios apontam para que os investidores estrangeiros da bolsa nacional receberam, pelo menos, 1,2 mil milhões de euros em dividendos que as cotadas pagaram em Maio, um valor representa metade dos dividendos pagos e mais de um terço dos lucros obtidos.

Também a balança financeira "registou uma redução dos activos líquidos de Portugal face ao exterior, de 1.334 milhões de euros", nota o banco central, destacando "o aumento de passivos das sociedades não financeiras, resultante do investimento de não residentes em títulos de capital."



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