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Na conferência de imprensa para apresentar as conclusões da sétima avaliação, Vítor Gaspar afirmou que as novas previsões apontam para que a economia portuguesa só apresente um crescimento positivo no quarto trimestre de 2013.
O cenário macro-económico hoje divulgado pelo ministro das Finanças Vítor Gaspar, em conferência de imprensa, aponta para uma contracção do PIB de 2,3% este ano. Na sexta avaliação as previsões apontavam para uma queda do PIB de 1%, estimativa que também está inscrita no Orçamento do Estado para 2013. E apontava para que no segundo trimestre deste ano o crescimento do PIB já fosse positivo, o que agora só é antecipado para o último trimestre deste ano.
As novas estimativas apontam assim para uma recessão que mais que duplica as previsões iniciais do Governo. E são também mais negativas dos que as avançadas por instituições como o Banco de Portugal (-1,9%) e Comissão Europeia (-1,9%).
No ano passado o PIB português caiu 3,2%, uma quebra mais acentuada do que o previsto, com a recessão a acentuar-se no último trimestre do ano, com o PIB a recuar 3,8% em termos homólogos. Em 2011 o PIB encolheu 1,6%, pelo que 2013 será o terceiro consecutivo de recessão na economia portuguesa.
O ministro revelou que esta revisão deve-se sobretudo ao forte abrandamento da economia mundial, numa altura em que a economia europeia está em recessão. O que justifica a forte travagem das exportações portugueses, que em 2013 deverão crescer menos de 1%, depois de em 2012 já terem abrandado para pouco mais de 3%.
Desemprego é o maior “desapontamento”
Quanto ao desemprego, o ministro admitiu que pode chegar a atingir um pico de perto de 19% também no final de 2013, “começando a diminuir apenas em 2014”.
A taxa de desemprego atingirá este ano 18,2% da população activa, em termos médios anuais, mais 2,5 pontos percentuais que os 15,7% registados em 2012 pelo Inquérito ao Emprego do INE, de acordo com as novas previsões da troika que resultaram da sétima avaliação ao Programa de Ajustamento Económico e Financeiro cujas conclusões foram anunciadas pelo ministro das Finanças nesta sexta-feira.
O desemprego vai continuar a agravar-se em 2014, quando afectará 18,5% da população activa. Começa a diminuir em 2015, para 18,1% e em 2016 será de 17,5%.
O ministro admitiu que o valor do desemprego “é muito elevado” e representa um “flagelo pessoal e familiar”. O “desemprego jovem tem aumentado muito” e representa um “desperdício do elevado capital humano dos jovens”, o que traduz “um choque para a sociedade portuguesa”.
Face a esta situação, “é necessário lançar as bases para o crescimento”, apostando no investimento privado, referiu. Gaspar afirmou que a evolução do desemprego é o “mais desapontante” da execução do programa de ajustamento de Portugal.
(notícia actualizada às 11h40 com mais informação e contexto)
