Conjuntura Investimento em máximos de sete anos regressa a valores pré-crise

Investimento em máximos de sete anos regressa a valores pré-crise

O volume de investimento na economia portuguesa regressou aos valores de 2011. A marca foi alcançada no segundo trimestre deste ano em que o PIB subiu 2,3%. Quase metade deste crescimento deve-se ao comércio e turismo.
Tiago Varzim 31 de agosto de 2018 às 14:49
O investimento privado e público em Portugal deu um salto do primeiro para o segundo trimestre deste ano, atingindo o valor trimestral mais elevado em sete anos. Ao todo foram investidos 8.382 milhões de euros na economia portuguesa de Abril a Junho, de acordo com os dados revelados esta sexta-feira, dia 31 de Agosto, pelo Instituto Nacional de Estatístisca (INE). Para encontrar um número tão elevado é preciso recuar ao segundo trimestre de 2011 (8.535 milhões de euros), precisamente quando o Executivo de José Sócrates efectuou o pedido de assistência externa e o Passos Coelho assumiu a liderança do Governo.

O segundo trimestre deste ano foi de especial aceleração para o investimento, tal como referia oINE no destaque: "Face ao 1º trimestre, o investimento total aumentou 4,7% (1,5% no trimestre anterior)". Em termos homólogos, o crescimento foi de 6,4%. Este aumento traduz-se em mais 505,5 milhões de euros investidos na economia num ano. 
Na comparação com o segundo trimestre de 2017, é no segmento "outras máquinas e equipamentos e sistemas de armamento" que se regista a maior subida (+214 milhões de euros). Segue-se a construção - que é o investimento com maior volume - que somou 132 milhões de euros. Como a recuperação deste sector é mais recente, o investimento em construção ainda está bastante abaixo do que se registava antes da crise. 

Em menor grau, o investimento em produtos de propriedade intelectual somou 17,4 milhões de euros, mas estagnou nos recursos biológicos cultivados. Já o investimento em equipamento de transporte contraiu 49 milhões de euros, mas porque o segundo trimestre de 2017 tinha sido particularmente positivo, o que prejudica a comparação. 

No entanto, o impulso do investimento foi, em grande parte, influenciado pela variação de existências, ou seja, os stocks que as empresas têm. Isto pode sinalizar que as empresas anteciparam compras face aos receios à volta da guerra comercial ou então que existe uma maior expectativa face às vendas futuras. Menos provável é a explicação de que a procura (vendas) diminuiu uma vez que o consumo privado foi a componente que deu mais gás ao PIB. 

Descontado do efeito da variação de existências, o investimento aumentou menos: 1% em cadeia e 4,1% em termos homólogos. Mas a conclusão principal não muda. O investimento na economia portuguesa está em máximos de sete anos (segundo trimestre de 2011). A sa composição é que mudou. O investimento em máquinas e transporte ganhou peso ao passo que a construção perdeu terreno, tal como ilustra o gráfico.

Comércio, alojamento e restauração foram os motores da economia

O comércio, o alojamento e a restauração foram responsáveis por 45% da variação homóloga da economia no segundo trimestre. Nesse período o PIB cresceu 2,3%, confirmou o INE, acelerando face aos primeiros três meses do ano.

Esses três motores da economia - que o INE conjuga num só ramo de actividade económica - foram responsáveis por 328 milhões de euros dos 734 milhões de euros a mais de valor acrescentado bruto (VAB) português no segundo trimestre, em comparação homóloga. Ou seja, o comércio e o turismo contribuíram com cerca de 4,5 euros em cada dez euros de crescimento do PIB.

O segundo maior contributo foi dado pela componente "outras actividades de serviços" ao ser responsável por 21%. Esta componente inclui actividades de consultoria, administrativas, administração pública, defesa, educação, saúde, apoio social, actividades artísticas, entre outras. 

Com menores contributos mas ainda relevantes estão as categorias de "transportes e armazenagem e actividades de informação e comunicação" e ainda as "actividades financeiras, de seguros e imobiliárias".

Se a análise for feita em cadeia, ou seja, comparando o segundo trimestre com o primeiro, as conclusões mudam ligeiramente. Primeiro porque houve ramos de actividade a dar um contributo negativo, especialmente a indústria.

Segundo porque passa a ser o ramo dos "transportes e armazenagem e actividades de informação e comunicação" a dar o maior contributo (126,4 milhões de euros) para a subida do VAB de 212,3 milhões de euros em cadeia. O contributo do comércio, alojamento e restauração foi ligeiramente inferior (115,1 milhões de euros). 



pub