Conjuntura Moody's vê Portugal a crescer apenas 2,1% em 2018

Moody's vê Portugal a crescer apenas 2,1% em 2018

A agência de rating sublinha que a economia do país está a melhorar, mas a dívida continua uma das mais elevadas entre os pares e o sector bancário ainda está fraco.
Moody's vê Portugal a crescer apenas 2,1% em 2018
Margarida Peixoto 15 de maio de 2018 às 08:39
A agência de rating Moody's espera que Portugal cresça apenas 2,1% em 2018. A projecção consta de um relatório sobre a economia portuguesa, publicado esta terça-feira, 15 de Maio. Ainda esta manhã, o Instituto Nacional de Estatística revelará a primeira estimativa para o PIB do primeiro trimestre do ano, o que ajudará a contextualizar melhor esta projecção da Moody's.

Segundo a avaliação da agência de rating, que não toma no âmbito deste documento qualquer acção sobre a notação de crédito da dívida soberana portuguesa, a recuperação da economia está em curso e as finanças públicas do país estão a melhorar. Contudo, o crescimento potencial continua moderado, a dívida pública é elevada e o sector bancário está fraco.

Neste sentido, depois do crescimento elevado conseguido em 2017 (de 2,7%), a economia portuguesa deverá abrandar o ritmo para apenas 2,1% este ano (uma projecção que fica aquém da meta de 2,3% assumida pelo Governo) e novamente para 1,7% em 2019.

Atracção de investimento melhorou, mas dívida e banca ainda são problema

Segundo a análise da Moody's, o investimento deverá continuar a assumir um papel importante no crescimento da actividade económica. A agência de rating dá conta de "progressos na melhoria do ambiente de negócios para atrair investimento directo estrangeiro".

Contudo, o elevado nível de dívida, "que deverá manter-se ainda elevado, em torno de 117% em 2021, um dos mais altos no universo de ratings soberanos e bem acima dos seus pares no rating" limita a capacidade de o país reagir a choques. Isto mesmo tendo em conta que a agência espera um défice sempre "abaixo dos 3% nos próximos anos".

Da mesma forma, "apesar das melhorias o sector bancário continua a ser um dos eventos de risco chave para o perfil de crédito de Portugal", soma a agência. É que o sector tem uma dimensão "relativamente grande", um nível de crédito malparado elevado e uma rendibilidade ainda baixa, explica a Moody's.

Melhoria do rating não está garantida

Neste momento, entre as maiores agências de notação financeira, a Moody's é a única que mantém Portugal com rating abaixo do grau de investimento. A 20 de Abril, quando estava agendada a possibilidade de uma revisão do rating, a agência optou por manter a nota inalterada, em lixo. Ainda assim, uma semana depois, numa opinião de crédito emitida para os investidores, sinalizou uma melhoria da sua avaliação, aumentando a probabilidade de a nota ser melhorada em Outubro. Nessa opinião, a Moody's colocou o intervalo indicativo para o país acima da actual classificação (Ba1) e dentro do grau de investimento.

Agora, na sequência deste relatório, a Moody's explica que a nota da dívida soberana portuguesa pode subir se a agência "concluir que as tendências económicas e orçamentais positivas são provavelmente sustentadas e se a agência estiver confiante de que o muito elevado peso da dívida vai assumir uma tendência segura, descendente".

Traduzindo, a Moody's quer ver "melhorias orçamentais sustentadas" que apontem para um registo de excedentes primários consistentes, e provas de que o crescimento económico continua assente numa base diversificada. "Novos progressos na recapitalização dos bancos mais fracos também seriam positivos", acrescenta a agência.

Mas o rating também pode estabilizar, sem que o outlook positivo se concretize numa melhoria da nota, avisa a agência. Basta para isso que "o compromisso do Governo com a consolidação orçamental e a redução da dívida, ou a sua capacidade para atingir este objectivo, esmoreça".


Um crescimento económico mais fraco do que o previsto, um aumento nos juros ou choques de confiança que exijam esforços orçamentais acrescidos, sem que sejam correspondidos, "colocaria em causa as bases de um outlook positivo", adianta ainda a Moody's, frisando que novas necessidades de recapitalização dos bancos também serão negativas.