Empresas 2018 arranca com recorde de insolvências em quatro anos

2018 arranca com recorde de insolvências em quatro anos

Um total de 627 empresas portuguesas ficou insolvente em Janeiro, o máximo desde o arranque de 2014. O comércio de veículos e a indústria transformadora foram os sectores em maiores dificuldades.
2018 arranca com recorde de insolvências em quatro anos
A insolvência da Gramax Internacional, que tinha comprado a antiga fábrica da Triumph em Sacavém, foi decretada a 24 de Janeiro,
Lusa
António Larguesa 08 de fevereiro de 2018 às 12:05

O número de insolvências em Janeiro aumentou 1,8% face ao período homólogo, num total de 627 empresas insolventes. No acumulado do primeiro mês do ano este é o valor mais elevado em quatro anos, sendo preciso recuar até 2014 para encontrar um número superior (737).

 

O comércio de veículos foi o sector com a maior subida (39%) no número de insolventes, seguido da indústria transformadora (7,5%), onde se incluem as falências de duas gigantes do sector têxtil e vestuário. A insolvência da antiga Triumph (Loures) foi decretada a 24 de Janeiro, enquanto a liquidação do grupo Ricon, de Famalicão, foi confirmada no último dia do mês.

 

Sem surpresa, os dois maiores distritos do país são aqueles que registam, em termos absolutos, um número de insolvências mais elevado. No entanto, se os 152 casos em Lisboa representam uma diminuição face a Janeiro de 2017, as 140 empresas insolventes na região do Porto valem uma subida homóloga de 10,2%.

 

Estes dados foram compilados pela Iberinform, filial da Crédito y Caución, que identifica uma descida acentuada nos distritos de Ponta Delgada (-57%) e de Faro (-33%). Por outro lado, Angra do Heroísmo (300%), Guarda (150%) e Bragança (100%) tiveram os aumentos "mais notórios". O distrito da Horta, nos Açores, foi o único que não registou casos no mês passado.

 
Mais fechos concluídos e empresas a nascer

A análise por tipo de acções mostra ainda que o Janeiro mais negro dos últimos quatro anos se deveu ao acréscimo de 54 declarações de insolvência (DI), para um total de 352 registadas. Nesta classificação, esclareceu ao Negócios a Iberinform, estas são acções já classificadas como IMI (Insuficiência de Massa Insolvente) ou SPI (Sem Plano de Insolvência), ou seja, significa que o processo desta entidade já foi avaliado e encerrado.

 

É que as outras três acções tipificadas por esta prestadora de serviços de informação empresarial diminuíram no período em análise, face a 2017. Baixou 17,3% nas declarações insolventes requeridas por terceiros (DIR) e encolheram 12,3% as apresentações à insolvência pelas próprias empresas (DIA), enquanto os planos de insolvência (PI) obtiveram uma variação positiva de três acções.

 

No que toca à constituição de empresas, o mês de Janeiro fechou com um total de 5.099 novas empresas, mais 15% do que no primeiro mês do ano passado. A distribuição geográfica mostra que também este movimento foi mais acentuado nos distritos de Lisboa e do Porto, que em conjunto representam mais de metade (53%) das novas empresas criadas em Portugal. Braga (quota de 7,6%), Setúbal (7,4%), Faro (5,5%) e Madeira (2,8%) completam o ranking das seis regiões mais empreendedoras neste aspecto.




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