Pedro Ferraz da Costa
É difícil de entender que o Governo e a troika "se tenham deixado surpreender pelo crescimento do desemprego"
05 Julho 2012, 13:48 por Jornal de Negócios Online | negocios@negocios.pt
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O presidente do Fórum para a Competitividade mostra-se surpreendido com o facto de o Governo e a troika "se tenham deixado surpreender" pelo aumento do desemprego.
O Fórum para a Competitividade fez esta manhã um balanço da aplicação do memorando de entendimento. Nesse balanço, o Fórum diz que “é difícil de entender que o Governo, a troika e as organizações internacionais se tenham deixado surpreender pelo crescimento do desemprego”.

Pedro Ferraz da Costa, presidente do Fórum, sublinhou que esta surpresa surge “talvez porque não tivessem consciência de como a rigidez laboral em Portugal (…) tinha levado à acumulação de tanto desemprego reprimido, constituído por postos de trabalho já há vários anos economicamente inviáveis, mas cujo despedimento não se efectivara por falta de fundos para pagar as indemnizações”.

Ainda assim, para o Fórum a realização mais importante permitida pelo memorando de entendimento “foi que, com o retomar do controlo de política financeira do Estado, conseguiu-se evitar a bancarrota e a suspensão de pagamentos”, assim como “garantir o financiamento externo da economia até 2013 e reganhar parte da credibilidade perdida nos últimos três anos”.

Neste sentido, o responsável sinalizou que se Portugal não se mantiver na Zona Euro e se não se verificar um reforço “significativo da competitividade externa”, o crescimento económico não deverá ocorrer o que deverá travar a “recuperação do emprego" e "a própria sustentabilidade das Finanças Públicas”.

Pedro Ferraz da Costa deu ainda conta de uma preocupação do Fórum que prende-se com as crescentes dúvidas sobre a “consistência do acordo entre o Governo e o PS para garantir a aplicação de todas as medidas necessárias a estes objectivos”. E apontam o dedo ao partido liderado por António José Seguro dizendo que “sintoma desta falta de consistência é a manutenção pelo PS dum discurso enganador sobre se o Governo, na aplicação de medidas, vai para além do acordo”.

“Desde logo porque o acordado foram metas para o défice e estando ainda longe delas não se pode seriamente dizer que se está a fazer mais do que o necessário. O quadro da Execução Orçamental até sugere que, muitos considerem que se fez demais, não se fez infelizmente para que estivesse neste momento garantido o objectivo do défice para 2012”, ressalvou Ferraz da Costa.




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