Economia A Zona Euro vai mudar em 2018?

A Zona Euro vai mudar em 2018?

A Zona Euro deverá mudar, mas as expectativas são baixas. Na versão minimalista e mais provável, a união bancária dá mais um passo; na versão mais ambiciosa haveria acordo sobre uma capacidade orçamental comum.
A Zona Euro vai mudar em 2018?
Reuters
Rui Peres Jorge 29 de dezembro de 2017 às 14:00
Mário Centeno, que começará a liderar o Eurogrupo a 14 de Janeiro, tem uma tarefa difícil pela frente no seu objectivo de fazer avançar uma agenda de reformas que reforce políticas de convergência na Zona Euro, e crie mecanismos de amortecimento de choques assimétricos entre países.

Apesar do tema ter marcado a agenda europeia no final de 2017, e do entusiasmo do Presidente francês em avançar com reformas, parece haver uma distância excessiva entre os vários governos para que se consigam avanços significativos em 2018 – em particular em medidas que impliquem partilha de riscos adicionais. Isso mesmo ficou evidente na cimeira do euro de Dezembro.

Sob a batuta de Donald Tusk, o presidente do Conselho, que adoptou uma posição pragmática sobre as áreas em que há convergências fáceis, os líderes concentraram-se na criação de um fundo comum para apoiar o mecanismo comum de resolução bancária, e na transformação do Mecanismo Europeu de Estabilidade  num Fundo Monetário Europeu – que teria capacidade para emprestar dinheiro a esse fundo. Para segundo plano ficaram todas as medidas que visam promover a convergência e partilhar riscos face a crises. Da hipótese de um orçamento comum, como defendido por Emmanuel Macron, nem se falou verdadeiramente. Estes desenvolvimentos ocorreram apesar de dias antes  a Comissão Europeia liderada por Jean-Claude Juncker ter avançado um pacote de propostas que incluía a criação de uma linha orçamental comum para compensação de investimento em Estados-membros em crise, ou um instrumento de promoção de reformas através de incentivos financeiros. 

Face aos desenvolvimentos desapontantes para as suas pretensões, Macron conseguiu agendar um encontro com Angela Merkel em Março, quando esta já tiver um governo formado, para tentarem ir mais longe. Ninguém arrisca prognósticos, mas o risco de pouco acontecer é elevado, reconhecem vários especialistas.

"A página da miopia profunda à Schauble parece estar a voltar-se, estamos a passar para páginas com actores mais prometedores como Juncker, Macron e Moscovici e, sobretudo, Costa e Centeno. Mas continuamos a depender de que o nevoeiro se desvaneça em Berlim… Os social-democratas alemães parecem estar a mover-se para pôr finalmente a questão europeia como central na negociação dum novo governo de coligação. Falta esta luz no que tem sido um túnel muito comprido a minar a construção europeia!", escreve hoje no Negócios a eurodeputada Maria João Rodrigues, elogiando as propostas da Comissão Europeia.

Mais pessimista está o economista Ricardo Cabral, que há poucos dias escreveu no Público que "sopram nuvens negras sobre o futuro da Zona Euro como se deduz das reformas propostas que estão em cima da mesa", criticando a prioridade que já está a ser dada à conclusão da união bancária e à criação de um Fundo Monetário Europeu, em detrimento de mecanismos de combate a choques assimétricos ou a criação de uma capacidade orçamental comum.

A subir

Mais passos na união bancária
A criação de um fundo comum para apoiar o mecanismo único de resolução parece possível. Este é um dos passos que falta para concluir a união bancária. Já a criação de  seguro comum de depósitos parece mais difícil pela partilha de riscos que implica. 

Fundo Monetário Europeu
Também parece possível criar um FME, embora os detalhes dos seus poderes estejam por definir.

A descer

Capacidade orçamental comum
A criação de orçamento comum da Zona Euro ou de uma linha dentro do Orçamento da UE para compensar quebras de investimento são propostas dos últimos meses que não têm merecido apoio nos países do Norte, em particular Holanda ou Áustria.

Seguro de desemprego
A criação de um seguro comum de desemprego também tem adeptos a Sul, mas muitas resistências a Norte.






A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
Saber mais e Alertas
pub