Energia Accionista da EDP apresenta queixa-crime contra autores de denúncias anónimas

Accionista da EDP apresenta queixa-crime contra autores de denúncias anónimas

O empresário António Moutinho Cardoso, accionista da EDP, apresentou uma participação criminal por denúncia caluniosa, sob a forma continuada, contra autores de queixas anónimas sobre a EDP, que determinaram a investigação às rendas na energia que conta com nove arguidos.
Accionista da EDP apresenta queixa-crime contra autores de denúncias anónimas
Lusa 16 de julho de 2017 às 11:59

De acordo com a participação criminal, a que a Lusa teve acesso, e que o Procurador da República já juntou ao processo principal, "os factos denunciados [por anónimos que assinam como ex-colaboradores da EDP e da REN] são ofensivos e caluniosos, pois a EDP não move influências nem delineia estratégias desonestas e ilegais, o que os anónimos denunciantes bem sabem".

"Ao propalar tais factos inverídicos, o (s) desconhecido (s) aqui participado (s) representou (aram) e quis (eram) ofender a credibilidade, o prestígio e a confiança que é devida à EDP", defende, referindo que a intenção era "denegrir o bom nome da instituição [EDP]".


A participação criminal do empresário do Porto, titular de mais de três milhões de acções da EDP, uma participação que vale à cotação em bolsa perto de nove milhões de euros, refere que, "se os denunciantes anónimos tivessem a consciência de que os factos imputados correspondiam à verdade, teriam fornecido informação e elementos de prova adequados [...] e colocado o seu depoimento ao serviço da investigação, não se acobardando no anonimato de missivas não assinadas, de pseudónimos que não permitem, sem mais, identificar o autor ou autores das denúncias".

Assim e, uma vez que "a denúncia caluniosa" tem reflexo "no valor económico da empresa" e no "activo financeiro", António Moutinho Cardoso pretende que "se investigue quem foi o autor das denúncias para posteriormente se constituir assistente".


De acordo com o advogado Pedro Marinho Falcão, a participação criminal enviada ao Procurador Geral da República já foi aceite e apensa, em 30 de Junho, ao processo principal, que investiga eventuais crimes de corrupção e participação económica em negócio na área da energia, estando a ser investigados "factos subsequentes ao processo legislativo, bem como aos procedimentos administrativos relativos à introdução no sector elétrico nacional dos Custos para Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC), que ocorreu em 2004, com a sua regulamentação a ocorrer três anos mais tarde.


A primeira denúncia anónima em causa, remetida ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) em Janeiro de 2012, está assinada por "RF, ex-colaborador da EDP que se demitiu por não compactuar com estas aldrabices".

O denunciante fala do processo de privatização da EDP, como "uma verdadeira vergonha, um roubo, um acumulado de corrupção liderado pelo senhor [António] Mexia [presidente da EDP]", pedindo que "haja coragem para uma operação ciclone (depois da operação furacão)".


Nessa denúncia, é referida ainda "a negociata dos famosos contratos de manutenção do equilíbrio contratual [CMEC], com o apanágio do senhor Manuel Pinho [antigo ministro da Economia]", que, continua, "revestem características de um filme de máfia italiana".


No mesmo mês, chegou ao DCIAP uma nova denúncia anónima, que alude novamente "à negociata dos CMEC e do prolongamento das concessões de 18 barragens à EDP em 2007 e 2008", referindo que foi tudo negociado no Marquês do Pombal (antiga sede da EDP) e na Horta Seca (onde funciona o Ministério da Economia).


O processo em causa contabiliza nove arguidos: o antigo director-geral de energia Miguel Barreto, o antigo ministro da Economia Manuel Pinho, o presidente executivo da EDP, António Mexia, e o presidente da EDP Renováveis e administrador da EDP João Manso Neto, o administrador da REN e antigo assessor de Manuel Pinho João Conceição, o ex-presidente da REN e antigo assessor de Pinho Rui Cartaxo, o director da REN Pedro Furtado e dois antigos gestores da EDP, Pedro Rezende e Jorge Ribeirinho Machado.




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mais votado Anónimo Há 1 semana

São empresas anti-mercado que têm sido levadas ao colo pelo Estado desde que foram fundadas. Estão repletas de ineficiências, excedentarismo e falta de transparência institucional. A gestão é medíocre ou apática naquilo que deveria ser a sua missão, visão e legítimo propósito perante clientes e accionistas, e os colaboradores capturaram a organização. Podiam dar 2 vezes mais lucro e oferecer um produto muito mais barato com metade dos colaboradores actuais. Fazem lembrar o monstro de corrupção, obscuridade, promiscuidade estatal e desperdício em que se tornaram algumas das maiores empresas brasileiras. E todos sabem em que é que isso deu no Brasil...

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Anónimo Há 1 semana

Este ilustre empresario devia era pedir uma auditoria à EDP e Fundação EDP para ver se alguem explica porque deram mais de €1 milhão a uma universidade para o Pinho dar aulas quando ele assinaou de cruz rebdas que custaram ao povo €2 mil milhões. E sem falar os patrocínios...

Anónimo Há 1 semana

O excedentarismo acarreta custos enormes para a economia, os consumidores, os inovadores, os contribuintes, os accionistas, os investidores... Em jurisdições e culturas de gestão onde o despedimento de excedentários é tema tabu, a dependência, o atraso, a injustiça e o empobrecimento proliferam. Assim foi, e ainda é maioritariamente, Portugal. "...the decision is in Duke Energy's effort to stay lean and efficient for its customers." www.wfmynews2.com/news/duke-energy-to-cut-900-jobs-to-lower-costs-for-customers/69744244

Anónimo Há 1 semana

Em França, e mesmo tendo o Estado francês como maior accionista com cerca de 85% das acções da empresa, a maior companhia de electricidade, cotada na bolsa de valores onde dispersou parte do seu capital, está orientada para o mercado livre, aberto e concorrencial, despede 5100 excedentários, gera lucros impressionantes, distribui dividendos notáveis aos accionistas, e vende uma das electricidades mais baratas de toda a União Europeia. Em Portugal, a congénere, anti-mercado, mal gerida, sem qualquer consideração pelos clientes e pelos accionistas, nem tão pouco pelas autoridades reguladoras e económicas que capturou há muito porque o Estado português deixa-se sempre capturar por nefastos e obscuros interesses, negoceia os despojos do mercado que matou à nascença e se habituou a roubar. Em Portugal nacionalizar é nacionalizar o excedentarismo e a má gestão anti-mercado. "EDF plans up to 5,100 job cuts in France: source" http://www.reuters.com/article/us-edf-layoffs-idUSKBN15G4AL

Anónimo Há 1 semana

São empresas anti-mercado que têm sido levadas ao colo pelo Estado desde que foram fundadas. Estão repletas de ineficiências, excedentarismo e falta de transparência institucional. A gestão é medíocre ou apática naquilo que deveria ser a sua missão, visão e legítimo propósito perante clientes e accionistas, e os colaboradores capturaram a organização. Podiam dar 2 vezes mais lucro e oferecer um produto muito mais barato com metade dos colaboradores actuais. Fazem lembrar o monstro de corrupção, obscuridade, promiscuidade estatal e desperdício em que se tornaram algumas das maiores empresas brasileiras. E todos sabem em que é que isso deu no Brasil...

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