Zona Euro Acordo entre Merkel e Schulz prevê mais investimento na Europa

Acordo entre Merkel e Schulz prevê mais investimento na Europa

O esboço do acordo firmado entre Angela Merkel e Martin Schulz admite que a Alemanha desembolse mais dinheiro para o projecto europeu. Internamente, os impostos são para baixar e a protecção social para reforçar.
Acordo entre Merkel e Schulz prevê mais investimento na Europa
Reuters
Elisabete Miranda 12 de janeiro de 2018 às 13:26

Angela Merkel e Martin Schulz comprometem-se a trabalhar activamente com Emmanuel Macron para aprofundar o projecto europeu. No documento de 28 páginas que configura uma espécie de esboço de acordo de coligação, os dois líderes admitem mesmo a necessidade de a Alemanha vir a reforçar o seu contributo financeiro para a União Europeia.

De acordo com as descrições da imprensa europeia, os líderes da CDU e do SPD aproveitaram o documento para sinalizar uma primeira resposta ao repto lançado em Setembro pelo presidente francês.

Os alemães não acompanham o nível de ambição de Macron, mas mostram-se disponíveis em trabalhar para um orçamento comum que financie despesas de investimento na Europa, e também para apoiar a criação de uma espécie de Fundo Monetário Europeu a partir da estrutura já existente do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE).

Num documento ainda preliminar, e só parcialmente divulgado, os dois líderes deixam também um roteiro interno para a sua coligação, prometendo uma descida gradual dos impostos e mais protecção social.

Verifique os principais compromissos já noticiados pela imprensa internacional. 

Menos "imposto de solidariedade"

O "Soli", um imposto de solidariedade lançado por altura da reunião das duas alemanhas para ajudar a erguer o leste, deverá ser substancialmente aliviado. Segundo o acordo, nos próximos anos e até 2021 os contribuintes pagarão menos 10 mil milhões de euros (ele renderá cerca de 17 mil milhões). O imposto, que representa um adicional sobre quem tem rendimentos mais altos, deverá deixar de onerar cerca de 90% dos actuais contribuintes.

Ainda em matéria tributária, o SPD de Martin Schultz desistiu de subir a taxa marginal máxima de IRS dos 42% para 45%, prevendo-se uma estabilidade a este nível.

 

Nas pensões não se mexe

A coligação compromete-se a não mexer no nível de pensão, actualmente nos 48% (a relação entre o valor da pensão e o salário médio) até 2025. Para cumprir esta promessa, serão necessárias alterações à fórmula de cálculo das reformas, segundo a imprensa alemã, que sublinha que esta é uma grande vitória do SPD.

 

Saúde repartida entre patrões e empregados

O sistema de protecção na saúde alemão vai voltar a ser financiado em partes iguais por patrões e empregados, depois de, no passado, o governo ter resolvido aliviar a contribuição fixa que os empregadores tinham de fazer.

 

Protecção social e educação reforçados

A coligação compromete-se a acabar com uma regra actual que proíbe o estado federal de ajudar as regiões (os Länder) no financiamento escolar, abrindo caminho a que as escolas e universidades possam receber dinheiro do Estado central.

Embora mantenham o objectivo de orçamentos equilibrados, sem novos défices, os dois partidos comprometem-se ainda a investir cerca de 6 mil milhões de euros em educação, investigação e digitalização até 2021. Os apoios às famílias também serão reforçados, nomeadamente ao nível das famílias com filhos, garantindo-lhes jardins de infância gratuitos.

 

Aumentar o peso das renováveis 

No plano energético, as partes acordaram em garantir um corte nas emissões de dióxido de carbono em 55% até 2030 e em reconhecerem as metas do acordo de Paris. Outro objectivo quantificado passa por ter 65% da energia gerada por fontes renováveis em 2030.

 

Travões na política de refugiados

Outro ponto de convergência passa pela política de refugiados. O documento preliminar mantém no intervalo entre 180 mil e 220 mil o número de refugiados que a Alemanha aceitará receber anualmente, e estabelece travões ao processo de reunificação das famílias, limitando o número de familiares que podem juntar-se a refugiados já estabelecidos na Alemanha a 1000 ao mês. As reunificações apenas se aplicam a casamentos realizados antes de os refugiados terem entrado na Alemanha, a indivíduos com cadastro criminal limpo e que não pretendam retornar em breve aos seus países de origem.

 

Turquia em suspenso, restrições à Arábia Saudita

Os dois maiores partidos alemães comprometem-se a não exportar armas para países envolvidos no conflito do Iémen, nomeadamente à Arábia Saudita que é um grande cliente de armamento alemão. E colocam as conversações com a Turquia em suspenso, dados a situação em matéria de direitos humanos no País. 

 

O euro é para fortalecer

Segundo a Reuters, é um dos capítulos mais detalhados do acordo entre CDU e SPD, com a Alemanha a aceitar dar passos para aprofundar a União Europeia e a zona euro. Angela Merkel e Martin Schulz antevêem a necessidade de a Alemanha passar a contribuir mais para o projecto europeu, admitem que o Mecanismo Europeu de Estabilidade evolua para uma espécie de Fundo Monetário Europeu e dizem-se abertos a um orçamento europeu para despesas de investimento.

A cooperação internacional é uma palavra de ordem, com os dois líderes a prometerem trabalhar de perto com o francês Emmanuel Macron. 

 




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mais votado Anónimo 12.01.2018

A ruína e atraso de Portugal, face aos seus congéneres europeus mais desenvolvidos e ricos, tem como base o facto de se ter criado em Portugal um sistema que, gradualmente, gerou duas seguranças sociais públicas. Uma oficial e outra oficiosa. A oficiosa é parte integrante não de um Estado de Bem-Estar Social legítimo mas antes de um Estado de Bem-Estar Salarial iníquo e insustentável para sindicalizados, em especial do sector público, que auferem uma onerosa e injustificável prestação social sob a forma de remuneração em clara situação de sobreemprego vitalício ou sobrepagamento em crescendo, mesmo quando o preço de mercado para as tarefas que realizam não pára de descer nos mercados mundiais ou a procura, em variadíssimos casos, pura e simplesmente desapareceu se é que alguma vez existiu. Os 4000 despedimentos na banca lusa em 2017, tirados a ferros de forma tardia, cara e incompleta, foram apenas a ponta de um vergonhoso icebergue que as esquerdas teimam em querer esconder.

comentários mais recentes
Anónimo 12.01.2018

Olha! O SPD, se o acordo passar no partido, vai pasokar e fazer companhia ao defunto Partido Socialista francês. E à CSU da Baviera? Que lhes acontecerá nas eleições de Outubro que vem?

Anónimo 12.01.2018

Hoje em dia a UE já faz transferências e concede ajudas e financiamentos aos Estados-Membros menos ricos e desenvolvidos. No futuro, com uma UE federal com um orçamento maior e mais competências políticas a nível federal, mais direitos (como mais transferências para os Estados e economias que têm menos, e mais e melhor cidadania europeia) implicarão ainda mais deveres (como reformas adequadas feitas na íntegra e de forma atempada) para cada Estado-Membro. Esses deveres, tantas vezes referidos por instituições como a Comissão Europeia, o FMI e a OCDE de forma quase informal e geralmente inconsequente, hoje em dia não são cumpridos. Com uma UE federal existirão meios e ferramentas para que as reformas, os deveres, avancem no seu tempo e Estados-Membros como Portugal e a Grécia não se desleixem e atrasem tanto por força dos seus políticos eleitoralistas mais irresponsáveis, dos seus sindicalistas chantagistas mais fundamentalistas e dos seus banqueiros criminosos mais extorsionários.

Anónimo 12.01.2018

A ruína e atraso de Portugal, face aos seus congéneres europeus mais desenvolvidos e ricos, tem como base o facto de se ter criado em Portugal um sistema que, gradualmente, gerou duas seguranças sociais públicas. Uma oficial e outra oficiosa. A oficiosa é parte integrante não de um Estado de Bem-Estar Social legítimo mas antes de um Estado de Bem-Estar Salarial iníquo e insustentável para sindicalizados, em especial do sector público, que auferem uma onerosa e injustificável prestação social sob a forma de remuneração em clara situação de sobreemprego vitalício ou sobrepagamento em crescendo, mesmo quando o preço de mercado para as tarefas que realizam não pára de descer nos mercados mundiais ou a procura, em variadíssimos casos, pura e simplesmente desapareceu se é que alguma vez existiu. Os 4000 despedimentos na banca lusa em 2017, tirados a ferros de forma tardia, cara e incompleta, foram apenas a ponta de um vergonhoso icebergue que as esquerdas teimam em querer esconder.

Anónimo 12.01.2018

Bloco central a funcionar em proveito da Alemanha e EU.Nao houve coligações com os extremos Esqerda ou direita.Um bom exemplo para Portugal.S´que em Portugal uma coligação com extrema direita é impossível pois esta peculiar democracia admite maoistas e leninistas mas dta não.Democracia?

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