Ambiente Activistas bloqueiam mina na Alemanha para exigir fim do uso de carvão

Activistas bloqueiam mina na Alemanha para exigir fim do uso de carvão

Cerca de mil activistas bloquearam este domingo uma mina a céu aberto, em Hambach, no oeste da Alemanha, para exigir que acabe a utilização do carvão, um dia antes do início da conferência da ONU para o clima, em Bona.
Activistas bloqueiam mina na Alemanha para exigir fim do uso de carvão
Bloomberg
Lusa 05 de novembro de 2017 às 16:09

A polícia alemã disse que a acção foi concretizada por um grupo de manifestantes que aproveitou uma outra acção de protesto, legal, que ocorreu hoje de manhã junto a esta mina e na qual participaram cerca de 2.500 pessoas, um número que, segundo os organizadores, foi de 4.500.

 

A porta-voz do grupo, Dorothee Häussermann, explicou, em comunicado, que o principal objectivo do protesto é "pressionar" para se conseguir chegar a "soluções reais", na questão da protecção do ambiente.

 

"Na conferência do clima, o 'lobby' dos combustíveis fósseis senta-se na mesa das negociações. Ao contrário, as vozes daqueles que estão a sofrer gravemente as consequências das alterações climáticas têm pouco peso", argumenta a activista. Assim, "nós mesmos devemos pressionar para conseguir soluções reais. É isso que pretendemos com o bloqueio das infra-estruturas mineiras", conclui Dorothee Häussermann.

 

Os activistas denunciam que o tipo de carvão extraído desta mina a céu aberto é um dos mais poluentes e uma das formas mais sujas de obter energia, o que relacionam com o facto de a Alemanha não cumprir os seus compromissos de redução de emissões de gases com efeito de estufa.

 

A 23.ª conferência das Nações Unidas para o clima (COP23) inicia-se na segunda-feira, em Bona, na Alemanha, e prolonga-se até dia 17 de Novembro, estando prevista a presença de representantes de mais de 100 países, incluindo Portugal, entre técnicos, especialistas, organizações não governamentais - ambientalistas e outras - e governantes.

 

O encontro, presidido pelas ilhas Fiji, uma das regiões mais afectadas pelas mudanças do clima, tem como objectivo avançar medidas estipuladas no Acordo de Paris e tentar conseguir mais ambição nas metas nacionais de redução de emissões de gases com efeito de estufa.

 

Para evitar o agravamento dos fenómenos climáticos extremos, como ondas de calor, seca ou inundações, os cientistas apontam a necessidade de limitar a subida da temperatura a, pelo menos, 2ºC (dois graus Celsius), ou 1,5ºC, em relação à época pré-industrial, mas os actuais compromissos não são suficientes para cumprir esta meta.

 

Esta COP é a primeira depois do anúncio do abandono do Acordo de Paris pelos Estados Unidos, feito por Donald Trump, presidente dos EUA.




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