Função Pública ADSE propõe aumento de preços de consultas médicas. Mas já admite recuar

ADSE propõe aumento de preços de consultas médicas. Mas já admite recuar

Proposta enviada ao Conselho Geral e de Supervisão prevê que a 1 de Janeiro suba o preço a pagar aos privados pelas consultas de clínica geral e de especialidade. Mas, face à oposição dos representantes dos beneficiários, o presidente da ADSE já admite deixar cair a proposta.
ADSE propõe aumento de preços de consultas médicas. Mas já admite recuar
Correio da Manhã
Catarina Almeida Pereira 27 de outubro de 2017 às 18:29

A ADSE propôs um aumento dos preços a pagar tanto pela ADSE como pelos beneficiários nas consultas de clínica geral e de especialidade feitas no sector privado, no chamado regime convencionado, a partir de 1 de Janeiro. 

A proposta tem data da passada segunda-feira e é assinada pelo Presidente do Instituto Público. Mas, nas respostas que deu ao Negócios - já depois da publicação da notícia sobre o documento - Carlos Liberato Baptista admitiu deixar cair a intenção.

"Acho que a proposta é útil e faz sentido porque o valor das consultas não é actualizado há muitos anos e os beneficiários da ADSE sofrem discriminação" por parte dos prestadores de serviços. "Mas se o Conselho Geral e de Supervisão não aceitar [a proposta] ela não será implementada", disse.

O documento que foi a apresentado, a que o Negócios teve acesso, prevê que os beneficiários passem a pagar mais 1,51 euros na consulta de clínica geral (que passa a custar 5 euros ao beneficiário) e cerca de 1 euro nas consultas de especialidade (que passam também na maioria dos casos a custar 5 euros).

O encargo da ADSE também aumenta, o que aumenta o preço a pagar aos privados para 20 euros. São subidas de 38,31% (clínica geral) e de 8,34% (especialidade).

A tabela de medicina dentária "foi totalmente reformulada, não sendo comparáveis os acréscimos que a proposta representa", já que inclui actos que não constam da tabela em vigor.


"No entanto, em simulações efectuadas, nas situações comparáveis, a nova proposta representa acréscimos de encargos para a ADSE e para o beneficiário que se situam em média acima dos 25%", lê-se no documento.

Já nas diárias de internamento, estabelecem-se limites ao encargo a suportar pelo beneficiário, "reduzindo significativamente o mesmo".

Porquê subir preços?

A ADSE sustenta no caso das consultas médicas e de medicina dentária se assiste "a um tratamento discriminatório" que resulta do "pouco atractivo preço praticado", que não é actualizado há 18 anos.

No caso dos dentistas, "a situação é ainda mais complicada", já que os preços praticados pela ADSE ficam "abaixo do preço de custo do respectivo acto".

Há prestadores "mais experientes" que recusam fazer parte da rede convencionada e existem, por outro lado, "episódios de clara sobrefacturação fraudulenta" que passa por valorizar financeiramente o acto praticado.

O objectivo da revisão global, justificou Carlos Liberato Baptista, presidente do Instituto Público, no documento é combater a fraude nos transportes, nas cirurgias de preços globais, na facturação de medicamentos durante o internamento e tratamentos do foro oncológico.

Beneficiários contra aumento de preços

A proposta é contestada pelos membros do Conselho Geral e de Supervisão, onde estão representantes dos sindicatos e dos aposentados. 

"Não estamos de acordo com o aumento de preços", explica ao Negócios Francisco Braz, um dos representantes eleitos pelos beneficiários. "Não deverá avançar nestes termos", diz, sublinhando que a discussão está numa fase inicial mas tem a oposição da "maior parte" dos membros do Conselho Geral e de Supervisão. 

"É perfeitamente desajustada", diz José Abraão, da Fesap. "Não podemos aceitar mais aumentos de pagamentos para o lado dos beneficiários já que pagamos 3,5%. Enquanto não houver redução das contribuições não faz sentido estar mais esforço aos beneficiários da ADSE", diz. 

Contudo, o dirigente admite discutir "ajustamentos" dos pagamentos a fazer aos convencionados, suportado pela ADSE, de forma a expandir a rede. 

(Notícia actualizada às 19:05 com as declarações do presidente da ADSE, que face à contestação dos beneficiários admite deixar cair a proposta)




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comentários mais recentes
pertinaz Há 2 semanas

MERA MANOBRA DE PROPAGANDA DA ESCUMALHA QUE DESGOVERNA O PAÍS E PASSA OS DIAS A VENDER BANHA DA COBRA...!!!

General Ciresp Há 3 semanas

Falar para a gerigonca e falar para um esteio,nao se nota a diferenca.Ja foi dito por muita gente,e gente credivel q o ministerio que tem mais custos e o da saude.Esta semana foi noticia q pessoas de idade avancada estao nos hospitais muito para alem do tempo q deveriam estar.Pais do terceiro mundo.

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