Conjuntura Afinal, a poupança das famílias (ainda) não está em mínimos

Afinal, a poupança das famílias (ainda) não está em mínimos

O INE reviu as séries de contabilidade nacional dos últimos três anos, concluindo que a taxa de poupança das famílias portuguesas é afinal um pouco mais elevada.
Afinal, a poupança das famílias (ainda) não está em mínimos
Nuno Aguiar 24 de setembro de 2017 às 21:48

Continua a ser baixa, mas não tão débil como se pensava. A taxa de poupança das famílias portuguesas está afinal num nível mais alto do que os últimos dados indiciavam. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em vez de não chegar sequer a 4%, ela está acima de 5% do rendimento dos agregados.

Os últimos números do INE concluíam que a taxa de poupança das famílias estava em 3,8% do rendimento disponível no primeiro trimestre deste ano. Tratava-se do valor mais baixo pelo menos desde 1999 e mostrava que a poupança continuava a seguir a trajectória de queda iniciada em 2013.

No entanto, sexta-feira o INE publicou as contas nacionais anuais de 2015, reavaliando as séries estatísticas desde esse ano. O resultado foi uma revisão em alta da taxa de poupança dos primeiros três meses deste ano para 5,2%. Ou seja, mais 1,4 pontos percentuais.  

Em vez de estar sucessivamente a renovar mínimos históricos como se pensava anteriormente, a poupança está relativamente estabilizada desde o final de 2014. O valor mais baixo de toda a série foi atingido no terceiro trimestre de 2015, ligeiramente abaixo de 5%. 

Segundo o INE, a principal alteração veio do lado dos rendimentos. Afinal, o saldo de rendimentos de propriedade foi mais elevado do que se julgava. Do que estamos a falar? Os rendimentos de propriedade envolvem juros, dividendos de empresas, lucros de investimento estrangeiro reinvestidos e rendas de terrenos.

O consumo das famílias também foi revisto em alta, mas os rendimentos aumentaram mais, o que significa que ficou mais dinheiro por gastar, logo foi poupado. O resultado é um rácio mais elevado.

Contudo, não se pense que 5,2% é um valor saudável para as famílias portuguesas. Por comparação, a média da Zona Euro no ano passado foi 12,2%. Em França supera os 14% e na Alemanha os 17%, mostram os dados do Eurostat.

IRS trava mais descidas

Além de rever os dados anteriores desde 2015, o INE publicou também os valores referentes ao segundo trimestre do ano, mostrando uma estabilização da poupança em 5,2%. O instituto explica essa travagem na quebra da poupança com a maior rapidez das Finanças em relação aos reembolsos de IRS. 

"O crescimento do rendimento disponível das Famílias resultou principalmente da diminuição em 7,7% dos impostos sobre o rendimento pagos pelas famílias e do aumento de 1,1% das remunerações recebidas, que mais que compensaram a redução dos rendimentos líquidos de propriedade", pode ler-se na publicação do INE. "A redução dos impostos sobre o rendimento pagos pelas famílias traduziu sobretudo o efeito positivo da antecipação de reembolsos do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS)."

Isto significa que esta estabilização da taxa de poupança pode não ser duradoura. O INE avisa que este efeito positivo do IRS nas poupanças dos portugueses "tenderá a ser compensado no trimestre seguinte". Isto é, depois de ter sido beneficiada, a taxa de poupança será provavelmente penalizada quando forem conhecidos os dados referentes ao período entre Julho e Setembro. Será que nessa altura voltaremos aos mínimos históricos?




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