Zona Euro Alemanha: Aumenta a pressão para o regresso da Grande Coligação

Alemanha: Aumenta a pressão para o regresso da Grande Coligação

Depois da ruptura nas negociações entre a CDU de Merkel e os liberais do FDP e os Verdes, os apoiantes da actual chanceler acreditam que este impasse pode terminar com uma reedição da coligação entre a CDU e o SPD de Martin Schulz.
Alemanha: Aumenta a pressão para o regresso da Grande Coligação
Reuters
Ana Laranjeiro 22 de novembro de 2017 às 09:31

Logo após as eleições, o SPD de Martin Schulz (antigo presidente do Parlamento Europeu), que foi penalizado nas urnas, disse que não estava disponível para voltar ao Governo com Angela Merkel. A chanceler teve de voltar-se para outros potenciais parceiros – os liberais do FDP e os Verdes – e potencialmente formar a chamada "coligação Jamaica" (um nome que foi atribuído devido às cores dos três partidos políticos). Mas este domingo essa possibilidade chegou ao fim. Após várias semanas de conversações entre estes partidos, as negociações entraram em ruptura. A Alemanha ficou numa situação de impasse político.

Apesar de Angela Merkel já ter dito que prefere ir novamente a eleições a formar um governo minoritário, os apoiantes do seu partido conseguem vislumbrar um outro cenário. De acordo com fontes da Bloomberg, os apoiantes de Merkel acreditam que o SPD vai ceder e vai aceitar formar uma nova coligação de governo com Merkel. Os apoiantes da chanceler contam que será a pressão popular e política que vai fazer com que o partido liderado por Schulz ceda e regresse ao Executivo germânico.

Peter Altmaier, chefe de pessoal de Angela Merkel, disse esta quarta-feira à estação de televisão N24, que o "SPD está a lutar consigo mesmo e seria melhor não interferir com o conselho inteligente dos bastidores". "As pessoas querem um governo no poder e é a tarefa" que temos em mãos. "Gostavamos que todos vissem da mesma forma", acrescentou, segundo a Bloomberg.

Holger Schmieding, economista chefe do Berenberg, citado pela agência de informação, considera que "a Grande Coligação significaria continuidade e estabilidade na Alemanha e, por conseguinte, seria desejável". "Mas os sociais-democratas exigiriam um preço mais elevado por esta aliança que não será, necessariamente, bom para a economia alemã", acrescentou.

Não será a primeira vez que Merkel e o SPD formam uma aliança para formar governo. Muito pelo contrário: em dois dos três mandatos, a chanceler governou coligada com os sociais-democratas.

Angela Merkel, na passada segunda-feira, e depois de ter indicado que prefere ir a eleições a um formar um governo minoritário, apelou ao sentido de responsabilidade do SPD. Segundo a agência de informação, a líder germânica disse esperar que o partido de Schulz reflectisse "muito intensamente se devem avançar e assumir as [suas] responsabilidades".

Também o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier parece ser partidário de uma "Grande Coligação". O chefe de Estado esteve reúnido com Angela Merkel na passada segunda-feira. Esta terça-feira teve encontros com os Verdes e com os liberais do FDP, que não pretende voltar à mesa das negociações, segundo informou o líder do partido após o encontro com Steinmeier. Para esta quarta-feira está marcado um encontro com o partido irmão da CDU de Merkel, o CSU.
E esta quinta-feira, 23, com o SPD.

Ainda que o economista chefe do Berenberg assuma que uma aliança entre os dois partidos fosse "desejável", e os apoiantes de Merkel vejam isso como possível, o SPD pode não partilhar da mesma opinião.

"Tomámos a decisão firme na segunda-feira de que não vamos fugir de novas eleições", disse Thorsten Schaefer-Guembel, do SPD, numa entrevista emitida esta quarta-feira pela ZDF, e citada pela Bloomberg. "Dado o que aconteceu, as pessoas devem ter outra oportunidade para terem uma palavra dizer. Actualmente, não vemos a base para uma grande coligação", acrescentou.

(Notícia actualizada às 12:00 com mais informação. O título foi alterado)




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mais votado Anónimo Há 3 semanas

É sobejamente conhecido o número de países que estão a fazer efectivamente reformas tão profundas quanto acertadas ou não fossem esses países cada vez mais fortes socialmente e economicamente. Dos escandinavos aos da Oceania, dos da América do Norte ao Reino Unido e à Alemanha. E reformas neste contexto, entenda-se, implicam invariavelmente liberalização e flexibilização quase plena dos mercados de factores produtivos, de bens e de serviços. Promovendo um mercado saudável e funcional onde quer o pós-doutorado como o rapazola das Novas Oportunidades ganham consoante o valor que sabem criar, dadas as reais condições de oferta e procura de mercado face àquilo que têm para oferecer na economia, e não consoante a moldura legal que os torna mais ou menos imunes às forças de mercado no decorrer de toda uma carreira assente na mais pura extracção de valor sem qualquer pertinência, sentido ou justificação.

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Anónimo Há 3 semanas

É sobejamente conhecido o número de países que estão a fazer efectivamente reformas tão profundas quanto acertadas ou não fossem esses países cada vez mais fortes socialmente e economicamente. Dos escandinavos aos da Oceania, dos da América do Norte ao Reino Unido e à Alemanha. E reformas neste contexto, entenda-se, implicam invariavelmente liberalização e flexibilização quase plena dos mercados de factores produtivos, de bens e de serviços. Promovendo um mercado saudável e funcional onde quer o pós-doutorado como o rapazola das Novas Oportunidades ganham consoante o valor que sabem criar, dadas as reais condições de oferta e procura de mercado face àquilo que têm para oferecer na economia, e não consoante a moldura legal que os torna mais ou menos imunes às forças de mercado no decorrer de toda uma carreira assente na mais pura extracção de valor sem qualquer pertinência, sentido ou justificação.

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