Alemanha reitera que Espanha não precisa de ajuda. Economistas acham inevitável
18 Abril 2012, 13:32 por Sara Antunes | saraantunes@negocios.pt
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Espanha não está à procura de apoio financeiro, reitera a Alemanha. Já os economistas dizem que a questão não é "se, mas quando" é que Espanha será resgatada.
“Não há discussão” sobre este tema, garantiu o porta-voz do Ministério das Finanças alemão, Martin Kotthaus. “Os espanhóis adoptaram medidas muito boas e estão muito comprometidos em resolver os seus problemas”, acrescentou, citado pela Bloomberg.

A Reuters contactou economistas que acreditam que Espanha vai mesmo pedir ajuda. Quando e de quanto é ainda uma incerteza. Os economistas não sabem quanto é que Madrid vai precisar, nem quando é que vai accionar um pedido de ajuda, mas alguns estão certos que Espanha vai pedir um apoio de muitos mil milhões de euros para a sua banca, e provavelmente para o Estado, diz a Reuters.

Os economistas acreditam assim que os bancos espanhóis terão de receber ajuda financeira do FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira) para os ajudar a cobrir perdas com a quebra do sector imobiliário.

Espanha precisa de dinheiro para a recapitalização da banca

“Vão precisar de dinheiro do FEEF para recapitalizar o sector bancário”, afirmou à agência de informação Carsten Brzeski, economista sénior do ING. “Penso que só vamos assistir a um verdadeiro fim da miséria de Espanha se o mercado imobiliário estabilizar”, acrescentou.

A situação de Espanha “é dramática, mas é dramática no sentido de precisar de um pacote de resgate amanhã? Não. Mas se olharmos mais para a frente, digamos que nos próximos seis meses, não ficaria surpreendido se eles [bancos] tiverem de receber algum tipo de apoio europeu”, adiantou o mesmo economista, citado pela Reuters.

“Vimos mais progressos em poucos dias do que em quatro meses”, afirmou Gilles Moec, economista do Deutsche Bank. “É um país que é intrinsecamente sustentável, mas é um país que precisa de tomar decisões.”

Já o economist-chefe do Vanguard, Peter Westaway, considera que a subida das “yields” das obrigações no mercado secundário pode ser “problemática”. “Se [as ‘yields’] subirem para 6,5% ou 7%, pode tornar-se muito problemático, e se Itália começar a seguir outra vez Espanha, então vai ser realmente sério.”

A pressão sobre Espanha tem aumentado, devido à especulação de que o país será a próxima vitima dos mercados e ver-se-á obrigada a recorrer a um pacote de apoio financeiro internacional, tal como aconteceu com Portugal ou a Grécia.

As “yields” das obrigações têm subido e chegaram a superar os 6% esta semana no prazo a 10 anos. Ontem, os ânimos acalmaram, depois de Espanha ter conseguido financiar-se no mercado.

Espanha realizou ontem dois leilões, um a 12 meses e outro a 18 meses. E ainda que tenha pago juros mais elevados do que na última emissão, a verdade é que conseguiu colocar mais do que o montante máximo estipulado. Espanha colocou um montante total de 3.178 milhões, acima dos três mil milhões previstos.
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