Economia Ambientalistas querem garantia de que biocombustíveis não afectam preço de alimentos

Ambientalistas querem garantia de que biocombustíveis não afectam preço de alimentos

As associações ambientalistas Quercus e Oikos reforçaram hoje o apelo ao presidente da Comissão Europeia, para que encontre formas de garantir a sustentabilidade ambiental e social do uso de biocombustíveis nos transportes.
Lusa 16 de outubro de 2012 às 04:32
Numa informação divulgada hoje, Dia Mundial da Alimentação, as duas entidades defendem que vários estudos "têm vindo a demonstrar" que a utilização de biocombustíveis de primeira geração "pode levar a um aumento das emissões de gases com efeito de estufa e a um agravamento da subida do preço dos alimentos".

O aumento do valor dos alimentos "pode conduzir a uma nova crise agrícola e alimentar em todo o mundo", alertam.

Os ambientalistas recordam que, ao longo nos últimos meses, várias notícias apontam para a intenção da Comissão Europeia (CE) de rever alguns aspectos da legislação para promover a utilização de energias renováveis nos transportes.

De acordo com as regras em vigor, os países da UE "devem assegurar que, até 2020, 10% da energia consumida nos transportes provém de energias renováveis", explicam as associações.

A maior parte dos Estados-Membros espera atingir esta meta através da maior utilização de "biocombustíveis de primeira geração", produzidos a partir de culturas agrícolas, muitas vezes também de uso alimentar, como soja, colza ou milho, e introduzidos no mercado em misturas com gasóleo ou gasolina convencionais.

A Quercus e a Oikos dizem estar satisfeitas pelo facto da CE ponderar rever algumas regras, depois do apelo das Nações Unidas perante às situações de seca e de quebra de produção agrícola e a maior procura de alimentos.

"Perante notícias que apontam para pressões da indústria de biocombustíveis" para manter o actual regime, as organizações apelam à intervenção de Durão Barroso para garantir que a nova legislação se baseia no estado actual da ciência sobre as alterações indirectas de uso do solo relacionadas com a produção destes combustíveis.

A Quercus e a Oikos realçam a alternativa dos biocombustíveis de segunda geração, que "não entram em competição com a produção alimentar", e dão o exemplo daqueles que têm origem nos resíduos e na biomassa.

Para os ambientalistas, as medidas são "urgentes" para garantir a integridade ambiental e social das directivas sobre Energias Renováveis e sobre a Qualidade dos Combustíveis, mas também para diferenciar, no mercado, os biocombustíveis que "são efectivamente sustentáveis daqueles que acabam por ser mais poluentes do que o gasóleo ou a gasolina que vêm substituir".


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