Angola Ana Gomes diz que Luanda fez convite "a fingir" para missão de observação

Ana Gomes diz que Luanda fez convite "a fingir" para missão de observação

A eurodeputada Ana Gomes acusou hoje o Governo de Angola de inviabilizar uma missão de observadores da UE para as eleições de Agosto, ao "fingir que convidava" o bloco europeu mas recusando "condições elementares" aos integrantes da equipa.
Ana Gomes diz que Luanda fez convite "a fingir" para missão de observação
João Manuel Ribeiro/Negócios
Lusa 30 de julho de 2017 às 11:07
"A missão de observação foi inviabilizada porque o governo angolano não deu as condições elementares, que são padrão, de acesso e de imparcialidade para o funcionamento da missão", acusou a eurodeputada, em declarações à agência Lusa.

Uma fonte comunitária disse sexta-feira à Lusa que a União Europeia (UE) não vai enviar missão de observadores às eleições gerais angolanas, por falta de acordo com o Governo de Luanda.

De acordo a mesma fonte comunitária, a UE deverá enviar uma pequena missão de peritos para estar presente em Angola durante o processo eleitoral, sem lugar a relatório oficial ou a declarações políticas.

Angola realiza eleições gerais a 23 de Agosto, na primeira eleição em Angola sem a presença de José Eduardo dos Santos no boletim de voto como candidato presidencial. O candidato do partido no poder, o MPLA, será o actual ministro da Defesa, João Lourenço.

"A UE vai ter uma missão de peritos, mas isso não é uma missão de observação eleitoral. Porque não responde aos requisitos, aos parâmetros de uma observação eleitoral. Uma missão de peritos são umas duas pessoas, e uma missão de observação eleitoral umas duzentas", comentou a antiga embaixadora portuguesa.

O convite do Presidente angolano cessante, José Eduardo dos Santos, para a UE enviar uma missão de observação eleitoral chegou a Bruxelas no dia 27 de Junho, pelo que não houve tempo para preparar a deslocação, explicou a fonte comunitária.

Ana Gomes afirmou que por detrás do pedido tardio está um motivo bem claro.

O pedido "foi feito muito tarde, mas, sobretudo, Angola não deu as condições de acesso e imparcialidade da missão que eram indispensáveis. Essa foi a principal razão. Era um convite enganador, não um verdadeiro convite. Pelos vistos Angola não quer corresponder aos padrões mínimos", disse a eurodeputada, que recentemente integrou missões semelhantes da UE na Nigéria e em Timor-Leste.

"Angola não tinha nenhuma vontade de convidar a União Europeia. Fez [o convite] por fazer, porque há muita pressão, quer dos partidos da oposição quer da sociedade civil. E o Governo angolano quis fingir que convidava, mas efectivamente não convidou. Porque não só o fez tarde, como não deu as condições elementares para a UE poder fazer, de facto, uma missão", criticou.

Para Ana Gomes, a manobra do Governo angolano "não acontece por acaso".

"É porque efectivamente - e como se vê pelas declarações de alguns responsáveis do Governo angolano, que têm uma atitude hostil - sabem que uma missão de observação da União Europeia poderia ver muita coisa que, com toda a certeza, infelizmente, se vai passar e que não abona em favor da credibilidade do ato eleitoral", disse.

Ana Gomes referia-se a declarações recentes do ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti, que afirmou que Luanda não aceitaria o pedido da União Europeia para a assinatura de um memorando de entendimento prévio para observar as eleições angolanas.

"O convite é aberto. Mas não queremos quaisquer acordos específicos com cada uma destas organizações. Quem quiser vir, vem e quem não quiser, pode não vir, mas o certo é que o convite é aberto", disse Georges Chikoti.

"Não esperamos que alguém nos vá impor a sua maneira de olhar as eleições e nos venha dar alguma lição, como também não pretendemos dar lições em termos de eleições", concluiu.

"Quando o governo angolano diz o que diz, pela boca desse ministro, obviamente mostra que não está interessada em assegurar um processo transparente e credível. (…) As declarações do ministro Chikoti demonstram que Angola não está interessada em ter observação eleitoral, por isso não deu as condições-padrão que são pedidas a qualquer país", disse a ex-embaixadora portuguesa.

"Isso só pode querer dizer que o governo angolano tem medo do que os observadores europeus possam ver", concluiu.



A sua opinião4
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo 30.07.2017

Em primeiro lugar Angola é um país soberano e não necessita ser tutelado. É um país com uma extensão territorial enorme, não é possível monitorizar, depois tem especificidades sociais, económicas e culturais muito próprias. Vive uma situação complexa na Presidência e a nível económico. Respeito.

Anónimo 30.07.2017

Que nojo de gente a viver luxuosamente à custa da pobreza contribuinte. A CML é uma completa "chulice" de boys, filhas e filhos e amigos desta "gentalha".

Ora pois. 30.07.2017

Em Angola, como em qualquer outro país "governado" por comunas, (Exemplo de hoje, a Venezuela), chamam eleições a uma simples confirmação da continuidade do sistema opressor. Veja-se a televisão Angolana e a sua descarada promoção dos camaradas sem uma referência aos partidos de oposição. Porquê?

Anónimo 30.07.2017

Esta passa a vida a apontar dedos aos outros por acaso ela já olhou para o partido dela ? é um bom sitio por onde começar.