União Europeia Analistas: Eleições são forma de Theresa May se antecipar às más notícias na economia

Analistas: Eleições são forma de Theresa May se antecipar às más notícias na economia

O governo britânico decidiu marcar eleições antecipadas, o que é visto pelos analistas como uma forma de o Governo aproveitar a vantagem dada pelas sondagens para ganhar margem de manobra.
Analistas: Eleições são forma de Theresa May se antecipar às más notícias na economia
Reuters

A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou esta terça-feira que o Governo decidiu convocar eleições antecipadas para 8 de Junho. Para os economistas isso é encarado como uma forma de antecipar que as más notícias na economia, devido ao Brexit, possam afectar o apoio que o governo recolhe actualmente nas sondagens.

"De uma perspectiva económica faz muito sentido que o Governo Conservador tenha eleições o mais cedo possível", refere Howard Archer, numa nota a investidores. O economista da IHS Markit considera que "dificilmente o governo ignorará o facto de que a vida dos eleitores irá provavelmente ficar mais difícil do ponto de vista económico nos próximos meses".

Também os economistas do Commerzbank citam razões económicas como um dos motivos para esta decisão-surpresa do governo britânico. "É quase de certeza uma tentativa do governo aumentar a sua maioria parlamentar antes de começarem as más notícias na economia", referem numa nota a investidores. Na última sondagem realizada pela YouGov, realizada a 12 e 13 de Abril, os Conservadores surgem com 44% das intenções de voto, a larga distância dos Trabalhistas (23%). Os liberais democratas recolhem 12%, dois pontos à frente dos independentistas do UKIP.

"Actualmente o governo tem uma maioria relativamente pequenos portanto não é difícil de concluir que Theresa May quer maior margem de manobra durante as negociações do Brexit", consideram os economistas do Commerzbank. E realçam que dada a vantagem nas sondagens, "apesar das promessas passadas de Theresa May de que não iria pedir eleições antecipadas, agora esse é o expediente político a seguir".

Inflação e quebra dos salários reais

Até agora, a economia britânica tem surpreendido os economistas na forma como tem resistido ao Brexit desde o referendo de 23 de Junho do ano passado. "Como a primeira-ministra notou, deste o referendo do Brexit, a economia aguentou bem, o emprego cresceu e a confiança dos consumidores é ainda relativamente elevada", observa Howard Archer. E conclui: "Obviamente que isto é favorável para os Conservadores".

No entanto, o processo formal de saída do Reino Unido da União Europeia ainda agora começou, com o artigo 50 a ter sido activado no final de Março passado. E o processo de divórcio prevê-se longo e pouco amigável, o que tem levado os analistas a duvidar da capacidade da economia britânica continuar a resistir. "Se, como suspeitamos, as negociações entre o Reino Unido e a União Europeia se revelarem difíceis, isso motivará cautela nas empresas em relação ao emprego", considera o economista da IHS Markit.

Howard Archer nota que "acumulam-se os sinais de que a resiliência da economia está agora a desgastar-se". E realça que "os consumidores estão a enfrentar um aumento do aperto no seu poder de compra que poderá, provavelmente, acentuar-se". Também o Commerzbank assinala como provável que nos próximos tempos os eleitores britânicos deverão sentir os efeitos da inflação mais elevada e do menor rendimento real.

Estratégia também para 2022?

Os analistas não antecipam que as eleições levem a alterações significativas no processo do Brexit. Mas apontam que além de ser uma forma do governo se antecipar às más notícias na economia é também uma maneira de dar tempo para gerir os impactos económicos da saída da União Europeia.

"Do ponto de vista do timing do Brexit, eleições em 2017 empurram a próxima fase do ciclo eleitoral para 2022", observa o Commerzbank. Acrescenta que "assim, se a economia abrandar entre 2017 e 2019, como aparenta ser provável, a teoria é que isso permite tempo suficiente para uma recuperação no início de 2020, de que o governo poderá beneficiar". Mas fazem uma ressalva: "Isto, claro, assumindo que a economia não mudou para um caminho de crescimento mais baixo permanente".




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