Angola Angola admite pedir ajuda ao FMI

Angola admite pedir ajuda ao FMI

Archer Mangueira, ministro das Finanças de Angola, admite a possibilidade em entrevista a meios de comunicação social públicos angolanos. Governante está em Washington onde manteve reuniões com o FMI e o Banco Mundial.
Angola admite pedir ajuda ao FMI
Lusa 16 de outubro de 2017 às 11:53

Angola está a avaliar a possibilidade de pedir uma assistência técnica ao Fundo Monetário Internacional (FMI), eventualmente com financiamento, face às necessidades que o país enfrenta, declarou o ministro das Finanças, Archer Mangueira.

 

A possibilidade foi admitida pelo governante, numa entrevista divulgada esta segunda-feira pelos meios de comunicação social públicos angolanos, entre os quais o Jornal de Angola, realizada após reuniões regulares que Archer Mangueira manteve nos últimos dias em Washington com o FMI e o Banco Mundial.

 

Uma segunda emissão de eurobonds - títulos da dívida pública emitidos em moeda estrangeira - ou o recurso ao FMI são hipóteses em cima da mesa, segundo Archer Mangueira, para "cobrir o 'gap' de financiamento e fazer face às necessidades do Estado".

 

"A emissão de eurobonds visa contribuir para este objectivo - no sentido de reduzir o 'gap' de financiamento e do défice fiscal, mas ainda assim não será suficiente para o nível de necessidades que o país tem. Temos estado também a dialogar com o FMI no sentido de avaliarmos a possibilidade de uma assistência técnica. Se será com ou sem financiamento é um tema que ainda não foi tratado", afirmou Archer Mangueira, na mesma entrevista.

 

Angola vive uma profunda crise económica, financeira e cambial decorrente da quebra nas receitas com a exportação de petróleo e em 23 de Agosto realizou eleições gerais, que reconduziram o Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA) na liderança do país.

 

Em Junho de 2016, o Ministério das Finanças angolano confirmou que o Governo tinha descartado um apoio financeiro do FMI, no âmbito do pedido de assistência solicitado em abril do mesmo ano, justificando a decisão com a subida da cotação do petróleo.

 

O Ministério das Finanças explicou na altura, em comunicado, que o pedido de assistência (Extended Fund Facility - EFF) ao FMI foi feito numa altura em que a cotação do barril de crude atingiu "níveis muito baixos", chegando mesmo aos 28 dólares em Janeiro, mas que entretanto subiu para cerca de 50 dólares.

 

Em Abril deste ano, o ministro das Finanças afirmou, em entrevista à Lusa, também em Washington, afirmou que o recurso a financiamento do FMI "não faz parte da agenda" de Angola, numa alusão ao ano de 2017.

 

"Não faz parte da nossa agenda. O nosso plano de endividamento foi aprovado, divulgado e é público", disse o ministro Archer Mangueira.

 

Recorrer a financiamento do FMI permitiria ter acesso a taxas de juro mais baixas, mas implicaria um maior controlo do organismo internacional sobre as contas do país.

 

Na altura, nessas reuniões anuais em Washington, Archer Mangueira acordou com o FMI e com o Banco Mundial um alargamento da assistência técnica ao país.

 

"Recorremos à sua assistência técnica para um conjunto de domínios em que reconhecemos necessitar de reforçar as nossas capacidades técnicas e de desenho de políticas", explicou o ministro, dando como exemplo a colaboração com o Instituto Nacional de Estatística.

 

O Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2017 prevê que as receitas fiscais só deverão cobrir 49,6% das necessidades totais, acrescido das receitas patrimoniais, com 6,7%, de acordo com o mesmo documento.

 

As receitas provenientes do endividamento público deverão atingir um peso de 43,6% do valor global inscrito no Orçamento, chegando a 3,224 biliões de kwanzas (16,5 mil milhões de euros).

 

Além de contrair nova despesa pública, no mercado interno e externo, o OGE de 2017 prevê 2,338 biliões de kwanzas (11,8 mil milhões de euros) para o serviço da dívida este ano.

 

Nas contas do Governo, está inscrito um défice orçamental de 5,8% do Produto Interno Bruto em 2017, no valor de 1,139 biliões de kwanzas (5,8 mil milhões de euros).

 




A sua opinião7
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
beachboy Há 5 dias

...lol...
...cor de rosa e azul bebé, mais um lencinho de seda!...
...que chique!...
...e o povo a morrer à fome!...
...estes governantes Angolanos são verdadeiramente repugnantes!...
...o Mobutu era um menino ao pé destes gajos!...

Anónimo Há 5 dias

Onde chega a ROUBALHEIRA..a CORRUPÇÃO ..nem na IDADE MÉDIA se via tanto desprezo pelos pobres
Um país riquíssimo, com umas dezenas de ladrões corruptos até á raíz dos cabelos.....e mais de 90% do povo a viver na miséria dos musseques.,
e ainda aturamos comunas e outros a defender estes criminosos

ahahahahhaha Há 5 dias

O FMI deve estar a rir-se. Roubem menos.

Caro Tenham juizo Há 5 dias

É taradinho? venda a sua casa e o seu carro venda-se também, que gente tarada. Trate-se seu doente.

ver mais comentários
Saber mais e Alertas
pub