Economia António Costa critica Governo por "não aproveitar oportunidades" para relançar economia

António Costa critica Governo por "não aproveitar oportunidades" para relançar economia

O presidente da Câmara de Lisboa critica o Governo por alguns "cortes cegos" e por não aproveitar todas as oportunidades para relançar a economia, nomeadamente por ainda não ter começado a trabalhar numa candidatura ao próximo quadro comunitário.
Lusa 29 de julho de 2012 às 16:14
Em entrevista à agência Lusa, António Costa (PS) lamentou que ainda "não se saiba nada sobre o que é que o Governo anda a fazer ou se anda a fazer alguma coisa" quanto ao quadro comunitário de 2014-2020, que envolve uma "atenção nova para as cidades" na área da reabilitação urbana.

No seu entender, um dos erros deste executivo foi não ter criado, no âmbito da reprogramação do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), uma "linha fortíssima" a este nível.

"Portugal terá vivido excessivamente dependente do sector da construção, mas não é de um dia para o outro que se pode prescindir de um sector que foi fundamental ao longo de 40 anos na economia do país. A reabilitação urbana tem não só essa função de criar emprego, de mobilizar materiais de produção nacional (madeiras, tijolo, cimento, vidro), como constitui uma mais-valia para o turismo, para a qualidade de vida das cidades e, portanto, tem impacto económico muitíssimo importante", defendeu.

Para o presidente da câmara da capital, onde se estima que sejam necessários cerca de oito mil milhões de euros para reabilitação urbana, é nesta área que "o Governo deveria estar a trabalhar, de modo a preparar um grande programa" que beneficiasse de fundos comunitários.

António Costa estranha que nesta altura a câmara não tenha sido ainda contactada pelo Governo para ser montada "uma grande operação de reabilitação urbana, quer na reprogramação do QREN, quer na preparação do quadro de 2014-2020".

"Estamos a ficar atrasados e a arriscar não utilizarmos todo o potencial", criticou.

"É uma oportunidade extraordinária: 2014 é já daqui a dois anos. Os regulamentos estão a ser fechados este ano e os projectos têm de ser fechados no próximo ano para poderem começar a estar no terreno em Janeiro de 2014. Era fundamental que o Governo já estivesse sentado com as autárquicas, sobretudo com as das principais cidades", sublinhou.

Para o socialista, este atraso é difícil de compreender: "Todos percebemos que é necessário consolidar as finanças públicas, mas é incompreensível que se não aproveite as oportunidades que temos para relançar a economia".

António Costa criticou o Governo por estar "concentrado sobretudo no aumento dos impostos e no corte cego de algumas despesas, daí não ter resultado nenhuma consolidação das finanças públicas, como se vê pelos números de execução orçamental"

Por isso, na sua opinião, o Governo tem de compreender que para ultrapassar a atual conjuntura há que conseguir simultaneamente rigor na gestão e relançamento da economia.

Dando o exemplo do município de Lisboa, o autarca disse que, "se tivesse tido só rigor na gestão, muito daquilo que foi fundamental fazer para que a cidade fosse uma cidade viva não teria sido feito".

António Costa mostrou-se "preocupadíssimo" com o impacto do aumento do IVA (para 23 por cento) na restauração e no turismo, até porque Lisboa tem cada vez mais vindo a ser referenciada em guias pela oferta gastronómica. Para corresponder às expectativas, é necessário ter "uma restauração dinâmica e não uma que se asfixia no IVA", considerou.

"O Governo tem de ter cuidado, tem que reflectir. Algumas medidas manifestamente não estão a dar o resultado que era desejável e aí as pessoas têm de ter humildade para corrigir o que é necessário corrigir", defendeu.


A sua opinião5
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo 02.08.2012

É a realidade, para quem sempre cumpriu com os seus compromissos, o aumento do IVA está a levar à desgraça, para quem vive à margem ... esta medida nem aquece nem arrefece!!!

Olisipone 30.07.2012

LÁ VIVA, É: A COMEÇAR PELOS POMBOS E RATAZANAS (AINDA ONTEM VI UMA EM PLENO DIA EM STA. CATARINA), OS DROGADOS E BÊBEDOS (A LEGISLAÇÃO NÃO É APLICADA), A EMEL A MULTAR E A POLÍCIA MUNICIPAL QUE NÃO FAZ NADA DO QUE DEVIA (IMPÁVIDOS NO CHIADO EM FRENTE AOS TÁXIS EM 2ª E POR VEZES 3ª FILA, TAL COMO NAS AMOREIRAS, ETC.) E SE LIMITA A REBOCAR CARROS, AS ESPLANADAS TODAS COM MÚSICA AOS BERROS, E AS PARVOÍCES NO TERREIRO DO PAÇO, COMO SE AQUELA PRAÇA TIVESSE VOCAÇÃO PARA HOT DOGS E DISCOTECAS. PARA NÃO FALAR DO INTENDENTE, ONDE EM VEZ DE REABILITAREM OS EDIFÍCIOS E ACABAREM COM AS PENSÕES DE PASSE E OS DEALERS, USARAM A MESMA RECEITA DE SEMPRE DAS PEDRAS POLIDAS NO CHÃO, CANDEEIROS MODERNAÇOS E MÚSICA NO PALCO, COMO SE ISSO FOSSE REABILITAÇÃO URBANA!!! E É TAMBÉM A CIDADE DOS BURACOS NOS PASSEIOS E NAS RUAS, DO LIXO E DOS GRAFFITTI, E DE UM SISTEMA DE RECOLHA DO LIXO DOS ANOS 70, QUE É RUIDOSO E INCÓMODO, E OBRIGA AS PESSOAS A VIVER COM CONTENTORES DE LIXO DENTRO DAS ESCADAS DOS PRÉDIOS OU NOS PASSEIOS, PERMANENTEMENTE... PARA NÃO FALAR DO ADAMASTOR, QUE É UM ACAMPAMENTO PERMANENTE DE DEALERS E DROGADOS, APESAR DE SER UM DOS SÍTIOS MAIS FREQUENTADOS POR TURISTAS, E DA QUANTIDADE DE "ARRUMADORES" NOS MESMOS SÍTIOS ONDE HÁ PARQUÍMETROS (!!!) E DAS FONTES SEM ÁGUA, LOCAIS ONDE HÁ LIXOS E PORCARIAS ACUMULADAS HÁ ANOS, ETC. ETC. ETC

Anónimo 29.07.2012

Pois sim. Essa do IVA da restauração até dá para rir. Aconselho António Costa a que veja as estatísticas do MF em matéria de IVA entregue pelas empresas de restauração. Só 20% das empresas entregam IVA (e se calhar 1/10 do que deviam).
Por aí não vamos lá. A taxa não aquece nem arrefece estas empresas, pois fogem muito ao fisco.
Se as empresas de restauração entregassem o IVA que devem, este, a uma taxa de 13%, seria bem superior à colecta actual. Mas se o fizessem, muitos dos seus proprietários não poderiam viver a vida de abundância que ostentam.

Anónimo 29.07.2012

Muito bem!
Mas se António Costa, em vez de Presidente da CML, fosse p.e., ministro da Educação estaria a defender este investimento? Ou estaria a dizer que era crucial desviar para a educação todo os recursos do QREN? E se fosse ministro da Agricultura e Pescas, etc, o que estaria defendendo?
É sempre assim. Falta dimensão nacional a esta gente. Quando fala não se consegue libertar do "casulo" em que vive. Ou da capelinha em que prega. Mesmos os melhores!

ver mais comentários
pub