Europa Ao segundo dia pós-legislativas já há duas demissões no governo francês

Ao segundo dia pós-legislativas já há duas demissões no governo francês

A ministra da Defesa francesa demitiu-se esta terça-feira, isto depois de na segunda-feira ter sido noticiado que o titular da pasta do Planeamento Territorial deverá afastar-se no âmbito da remodelação governamental que terá lugar esta semana.
Ao segundo dia pós-legislativas já há duas demissões no governo francês
Reuters
David Santiago 20 de junho de 2017 às 16:18

Afinal a "remodelação técnica" do governo francês será mais do que isso. Na passada segunda-feira, o primeiro-ministro Édouard Philippe apresentou a demissão do governo por si chefiado desde há escassas semanas, um procedimento formal que habitualmente se segue às eleições legislativas.

Porém, ao contrário do que se esperava, a composição do Executivo que será anunciado esta quarta-feira, no Eliseu, a partir das 18:00 horas em Paris, não deverá contar, pelo menos, com dois importantes ministros.

Esta terça-feira, Sylvie Goulard, ministra da Defesa desde Maio, pediu o seu afastamento da chefia militar depois de ter sido aberta uma investigação preliminar ao alegado uso indevido de fundos do Parlamento Europeu pelo seu partido, o MoDem, força que se aliou ao LREM para somarem, em conjunto, 350 deputados na segunda volta das legislativas gaulesas que teve lugar no passado domingo.

 

Já Richard Ferrand, até aqui ministro do Planeamento Territorial e braço-direito de Macron, tendo sido responsável pela coordenação da campanha presidencial do LREM, deverá também ser afastado, ou afastar-se. Segundo a imprensa francesa, Ferrand terá aceitado, após um encontro realizada ontem com Macron, a proposta do presidente gaulês para assumir a liderança do LREM na Assembleia Nacional.

No entanto, Richard Ferrand foi no início do mês também alvo de uma investigação preliminar por alegado favorecimento a familiares e por alegações de que beneficiou indevidamente de negócios feitos por um fundo de seguros de saúde de que era gestor. Assim, apesar de a passagem para a liderança da bancada parlamentar do LREM ter sido definida como "estratégica", na medida em que Macron pretenderá assim ter um elemento do seu círculo mais próximo no Parlamento, Ferrand parece mais uma baixa das investigações em curso.

Apesar da maioria absoluta conquistada nas legislativas, o LREM ficou aquém dos 400 deputados que chegaram a ser apontados pelas sondagens, o que de alguma forma relativiza a margem do movimento centrista para implementar a prometida agenda reformista. O que aliado à abstenção recorde verificada e ao reforço da presença parlamentar da extrema-esquerda e da extrema-direita, reforça a necessidade de Macron e do governo, que continuará seguramente a ser liderado pelo conservador Édouard Philippe, estabelecerem pontes no Parlamento. 

 

Pelo seu lado, Sylvie Goulard justificou a sua saída com a intenção de Macron "restaurar a confiança na acção pública", uma tarefa que "deve tpreceder a qualquer consideração pessoal". 

 

Macron venceu as presidenciais gaulesas e também as legislativas prometendo renovar o viciado sistema político e partidário de França, apresentando-se como um candidato suprapartidário disposto a renovar a forma de fazer política.


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