Europa Apesar de aceitar dialogar com Rajoy, direcção interina do PSOE mantém veto

Apesar de aceitar dialogar com Rajoy, direcção interina do PSOE mantém veto

Depois da primeira reunião da comissão gestora socialista, o presidente Javier Fernández explicou que uma eventual abstenção à investidura de Rajoy não configura um apoio ao líder do PP. Mas Fernández lembra que o "não" a Rajoy "continua vigente".
Apesar de aceitar dialogar com Rajoy, direcção interina do PSOE mantém veto
Reuters
David Santiago 03 de Outubro de 2016 às 17:33

Durou apenas uma hora a primeira reunião da recém-eleita comissão gestora dos socialistas espanhóis, encarregue de guiar os destinos do PSOE até que sejam realizadas novas eleições primárias no partido. No final, o presidente desta comissão interina, Javier Fernández (na foto), sinalizou a possibilidade de o PSOE se abster numa hipotética sessão de investidura de Mariano Rajoy, presidente do PP, lembrando, porém, que tal posição não significaria o apoio socialista ao primeiro-ministro espanhol ainda em exercício.

 

Prometendo ter como objectivo "devolver a normalidade" ao partido, e já depois da conclusão do encontro agendado para definir a estratégia do partido, Javier Fernández anunciou esta segunda-feira, 3 de Outubro, em declarações aos jornalistas, estar disponível para dialogar com Rajoy se este o solicitar. Contudo, Fernández fez questão de lembrar que o veto a Mariano Rajoy "continua vigente".

 

O responsável interino pelo PSOE não escondeu a sua preferência por um cenário que evite novas eleições, reiterando que já enquanto presidente das Astúrias defendia esta posição, que promete manter quando se realizar o próximo encontro do Comité Federal, o órgão máximo socialista entre congressos. Mas apesar de ter acenado com a possibilidade de uma eventual abstenção à investidura de Rajoy como primeiro-ministro, o próprio Fernández fez questão de notar que tal decisão cabe exclusivamente ao Comité Federal, cuja próxima reunião continua sem data agendada.

 

Aconteça o que acontecer, e independentemente da posição dos membros da actual comissão gestora que integra alguns dos socialistas mais próximos de Susana Díaz, rival do agora ex-secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, a posição oficial do partido em relação a Rajoy dependerá sempre do que vier a ser decidido pelo Comité Federal. Apesar de ter sido anunciado para este sábado o próximo encontro do Comité Federal, a reunião deste órgão só deverá ter lugar a 15 ou 22 deste mês.

 

Órgão que mantém em vigor o "não" ao líder popular desde a resolução aprovada em 28 de Dezembro do ano passado, depois de as eleições de 20 desse mês terem determinado o Parlamento espanhol mais fragmentado desde a transição democrática espanhola.

 

Sánchez pode recandidatar-se à liderança socialista

 

Praticamente à mesma hora a que Fernández anunciava a posição da comissão gestora socialista, Pedro Sánchez revelava que pretende manter-se como deputado no Congresso (câmara baixa do Parlamento espanhol), enquanto elementos afectos ao ex-líder falavam à imprensa espanhola sobre a eventual intenção do último secretário-geral se recandidatar nas próximas primárias do partido.

 

Além de ter de decidir a posição do partido em relação a Mariano Rajoy, o Comité Federal socialista terá também de marcar uma data para as primárias do PSOE, perfilando-se a "baronesa" territorial Susana Díaz como potencial candidata. Apesar de forte crítica do imobilismo de Sánchez no veto a Rajoy, Susana Díaz defendeu hoje que cabe à comissão gestora dirigir o partido, com a dirigente andaluza a não se comprometer com um eventual apoio à abstenção em relação a Rajoy. Díaz que tem defendido a impossibilidade de os socialistas governarem apenas com 85 deputados.

 

Já o número dois do PSOE andaluz, Juan Cornejo, a exemplo do presidente da comissão gestora, insistiu que os socialistas da Andaluzia continuam a apoiar o "não" a Rajoy, tal como ratificado pelo órgão competente.

 

O calendário aperta em Espanha. Os partidos, designadamente o PSOE, que se encontra num processo de luta interna que ficou visível no passado sábado com a demissão de Sánchez, após não ver respaldada a sua proposta de realização de primárias ainda em Outubro como forma de legitimar a sua liderança, têm até 31 desse mês para encontrar uma solução. Caso contrário, o rei Felipe VI é obrigado a dissolver as cortes e a marcar novas eleições, que seriam as terceiras no espaço de um ano.

 

Mariano Rajoy continua em suspenso do que vier a ser decidido pelo PSOE, partido que continua a deter a chave para a superação do bloqueio institucional que vigora em Espanha desde 20 de Dezembro de 2015. Contando com o apoio do Cidadãos, basta ao PP a abstenção dos deputados socialistas para garantir a renovação do mandato de Rajoy. Pelo seu lado, o Podemos – que falhou o "sorpasso" ao PSOE nas eleições de 26 de Junho, mas que pode beneficiar dos sinais de fractura no seio socialista para garantir o objectivo de ultrapassar os socialistas como principal partido da esquerda espanhola – já veio pressionar os líderes territoriais socialistas responsáveis pela actual direcção do PSOE para que não viabilizem um novo Governo liderado pelo ainda primeiro-ministro em funções. 




A sua opinião2
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Fascismo e comunismo nunca mais 03.10.2016

Espanha tal como nós por cá é outro caso perdido. A península ibérica entregue a terroristas de esquerda

Anónimo 03.10.2016


PS ROUBA A VIDA A 500.000 TRABALHADORES

FP – 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES DO PRIVADO

OS FP DEVEM ESTAR MOTIVADOS APENAS POR TER EMPREGO!

Pois estão bem melhor do que as vítimas do SOCRATES GATUNO que endividou o país até à bancarrota, para pagar salários e pensões da FP…

Lançando 500.000 trabalhadores no desemprego!

pub
pub
pub
pub