Economia Armas à solta: Presidente, PSD e CDS exigem esclarecimentos

Armas à solta: Presidente, PSD e CDS exigem esclarecimentos

A notícia de que afinal ainda existem armas dos paióis de Tancos desaparecidas fez soar os alarmes. A Presidência da República emitiu uma nota onde reclama um "esclarecimento cabal" do sucedido. PSD e CDS também pedem contas ao ministro da Defesa.
Armas à solta: Presidente, PSD e CDS exigem esclarecimentos
O ministro da Defesa Azeredo Lopes está debaixo de uma onda de críticas dos partidos da oposição.
David Martins/Correio da Manhã
Negócios com Lusa 14 de julho de 2018 às 13:24
A notícia do semanário Expresso de que ainda há armas dos paióis de Tancos desaparecidas gerou uma onda de reacções e pedidos de esclarecimento ao Governo.

O jornal, citado pela Lusa, escreve que, ao contrário do divulgado pelo Exército e pelo Ministro da Defesa, o Ministério Público diz que ainda há material militar desaparecido e que há granadas e explosivos que não foram encontrados. Recorde-se que, no final de junho do ano passado, desapareceu diverso armamento e munições dos paióis de Tancos. Em outubro grande parte desse material foi encontrado na Chamusca.

Na sequência destas informações, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reafirmou "a exigência de esclarecimento cabal" do ocorrido com o desaparecimento de armamento em Tancos, há um ano, e manifestou "preocupação". Numa nota publicada esta noite na página oficial da Presidência da República, após ter sido divulgada uma notícia do jornal Expresso a dizer que "ainda há explosivos de Tancos à solta", Marcelo Rebelo de Sousa diz que reafirma essa exigência de esclarecimento "de modo ainda mais incisivo e preocupado".

Na nota Marcelo Rebelo de Sousa, que por inerência é o Chefe Supremo das Forças Armadas, diz ter a certeza "de que nenhuma questão envolvendo a conduta de entidades policiais encarregadas da investigação criminal, sob a direcção do Ministério Público, poderá prejudicar o conhecimento, pelos portugueses, dos resultados dessa investigação". E "que o mesmo é dizer o apuramento dos factos e a eventual decorrente responsabilização", conclui o Presidente da República.

PSD pede "esclarecimentos urgentes" sobre informação "inacreditável"

O PSD exigiu hoje esclarecimentos urgentes sobre a existência de material militar furtado de Tancos ainda por localizar e promete confrontar, na terça-feira, o ministro da Defesa com este assunto. Numa nota na sua página na rede social Facebook, o líder parlamentar Fernando Negrão considera "inacreditável" que ainda existam armas e explosivos por encontrar do material militar furtado há um ano do quartel de Tancos (Santarém), segundo noticia hoje o semanário Expresso. "Está em causa a segurança nacional. O roubo aconteceu em instalações das Forças Armadas, a investigação foi feita pela Polícia Judiciária Militar e o resultado é a total falta de transparência", criticou Fernando Negrão.

O líder parlamentar do PSD, que na sexta-feira no debate do Estado da Nação já tinha dito que o Governo "não está interessado em apurar a verdade sobre este caso", acusa ainda o executivo de "não cuidar das funções de soberania" nem da segurança dos portugueses, exigindo "urgentes esclarecimentos".


Numa nota enviada à Lusa, o deputado do PSD Pedro Roque, coordenador da bancada social-democrata na Comissão parlamentar de Defesa, assegura que o partido irá confrontar o ministro Azeredo Lopes com esta matéria na audição parlamentar marcada para terça-feira.

CDS confronta ministro com informação incorrecta prestada ao Parlamento

O CDS-PP quer confrontar, terça-feira, o ministro da Defesa com o que considera "informação incorrecta" prestada ao parlamento sobre o material roubado há um ano em Tancos, depois de o Expresso ter divulgado que ainda há material por encontrar.

Em declarações à Lusa, o deputado do CDS-PP e coordenador do partido na Comissão de Defesa, João Rebelo, disse que o partido "acompanha o comunicado do Presidente da República em que este manifesta preocupação", mas, sobretudo, diz-se estupefacto com o que, segundo o Expresso, é referido pelo Ministério Público.

"Quando temos informação de que ainda há granadas à solta e a informação que foi prestada à Assembleia da República e à Presidência da República é uma informação que não está correta, ficamos muito preocupados sobre o verdadeiro acompanhamento que está ser feito deste caso pelo Exército", afirmou João Rebelo.

O CDS-PP espera que "ainda hoje" o Ministério da Defesa e o Exército se pronunciem.







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