Eleições As cores políticas que pintam o mapa do poder local de 1976 a 2013

As cores políticas que pintam o mapa do poder local de 1976 a 2013

Portugal já leva 40 anos de eleições autárquicas. No início, a história era fácil de contar, mas à medida que os anos avançaram o enredo foi-se complicando e já ninguém se atreve a adivinhar o futuro.

Em 40 anos de eleições locais, há coisas que não mudam. O PSD mantém as suas raízes mais profundas no Norte do país; a CDU continua a ser uma força dominante no Alentejo e no distrito de Setúbal; o PS reforça o estatuto de partido mais transversal no território nacional; o CDS é residual e o Bloco ainda não existe.

Apesar disso, não se pode dizer que não houve mudanças ao longo destes 40 anos, pelo contrário. Nos primeiros anos de democracia e até meados da década de 80, o retrato era mais simples de fazer: abaixo do Tejo, quem mandava nas câmaras eram os partidos de esquerda. O PCP, coligado primeiro na FEPU, a seguir na APU e depois na CDU, reinava no Alentejo e no distrito de Setúbal, enquanto o PS tinha preponderância no Algarve. O Norte era repartido entre o PSD e o PS, num tempo em que o CDS tinha uma palavra a dizer na distribuição do poder camarário.

É a partir dos anos 90 que se inicia uma transformação relevante: primeiro, o mapa começa a ficar tricolor, com o definhamento do CDS como força autárquica. O partido que chegou a ter 36 câmaras (em 1976) estava em 1997 reduzido a três municípios. Por outro lado, é também por esta altura que começaram a soar os alarmes na Soeiro Pereira Gomes, com a CDU a registar derrotas pesadas nas eleições locais. No fundo, era a antecâmara do precipício de 2001, quando os comunistas perderam 13 câmaras, ficando reduzido a 28, o número mais baixo de sempre.

Nesse ano, o PSD implantou-se profundamente no Algarve, substituindo-se ao PS que, por sua vez, se mudou de armas e bagagens para o Alentejo, desferindo um duro golpe à CDU. O PSD foi o grande vencedor dessas eleições ao conquistar grandes câmaras (designadamente Lisboa, Porto e Coimbra), o que levou à demissão do primeiro-ministro António Guterres e à queda do seu Governo.

171
Recorde do PSD
O PSD é o partido recordista no número de câmaras. Foi em 1979 que os sociais-democratas ganharam 171 em 308 municípios, 71 dos quais coligado com o CDS.


Mas a história não acabou aqui. Com o novo milénio vem também um novo fenómeno que é o dos independentes. Em 2005 já eram sete as câmaras lideradas por independentes e em 2013 chegavam às 13, número que pode crescer este ano. Por outro lado, o PSD que se tornara líder no poder local entra em rota descendente para ficar reduzido a 106 câmaras nas últimas eleições (em muitas delas coligado), naquele que foi o seu pior resultado de sempre.

Este ano de 2013 fica também marcado por uma recuperação significativa da CDU que, perdendo os seus bastiões mais a norte (ou menos a Sul), consegue contudo reforçar a sua posição no Alentejo, invertendo uma decadência que muitos consideravam inexorável.

Chegamos, assim, a 2017 com grandes perguntas no ar: conseguirá o PSD evitar um novo mínimo histórico numa altura em que o partido e o seu líder atravessam um momento difícil? Irá o PS obter a sua maior vitória de sempre em eleições autárquicas? Conseguirá a CDU consolidar a recuperação iniciada quatro anos antes? O CDS e o Bloco de Esquerda conseguirão aparecer no mapa? E, finalmente, os independentes vão continuar a sua ascensão no poder local? Já falta pouco para termos as respostas a estas perguntas.

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comentários mais recentes
pertinaz 29.09.2017

POBRE PAÍS... POBRES PORTUGUESES... OS TEMPOS MAUS VÃO CONTINUAR...

Já não Há Mentira que Pegue 29.09.2017

Não se vê Razão para votar em outro Partido nas eleições, que não PS, vê-se Todas as Razões para Votar no PS, 1º porque ninguém quer voltar a Trás, aos Saques do PSD e CDS, 2º Acabar com a dependência do BE, já que o PSD se Auto Excluio das Soluções para Portugal, agarrados que estavam ao TACHO.

Anónimo 29.09.2017

Em 2013, a câmara de Oliveira de Azeméis continuou a ser do PSD, não passou a independente como surge no mapa.

Anónimo 29.09.2017

tanta autarquia desnesseçaria

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