Angola As sondagens eleitorais são uma maka em Angola

As sondagens eleitorais são uma maka em Angola

Quem vai ganhar as eleições de dia 23 de Agosto? Para responder a esta pergunta há sondagens para todos os gostos, as que dão uma vitória folgada ao MPLA e as que colocam o partido no poder em terceiro lugar.
As sondagens eleitorais são uma maka em Angola
Carlos Muyenga
Celso Filipe 20 de agosto de 2017 às 22:00

As eleições gerais em Angola disputam-se a 23 de Agosto e há sondagens para todas as conveniências, as quais partilham da mesma maka: falta de credibilidade.

Maka é um substantivo kimbundu utilizado para referir um problema delicado e retrata na perfeição o complexo mundo dos estudos de opinião em Angola. Há sondagens que dão a vitória ao MPLA, mas existe uma outra que coloca o partido no poder desde 1975 em terceiro lugar, atrás da CASA-CE e da UNITA, que apresentam como candidatos a presidente Abel Chivukuvuku e Isaías Samakuva.   

A primeira sondagem feita pelo Instituto Piaget de Benguela e Instituto Sol Nascente do Huambo, com o apoio técnico do Centro de Estudos e Sondagens e Opinião da Universidade Católica portuguesa, dá a vitória ao MPLA, cujo cabeça de lista é João Lourenço, com 36% dos votos. Seguem-se a CASA-CE com 19% e a UNITA com 15%. A sondagem, divulgada pela Voa (Voz da América) portuguesa, não divulga a ficha técnica da mesma, uma falha partilhada por todas as que têm sido tornadas públicas.

Uma delas, noticiada pelo site Club K, é a mais surpreendente de todas, atribui a vitória à CASA-CE com 40,4% dos votos, coloca a UNITA no segundo lugar com 37,4% e o MPLA em terceiro com 19,1%. A paternidade desta sondagem é atribuída à organização Friends of Angola (FoA), com sede nos Estados Unidos, cujo director executivo é Florindo Chivucute, que tem um programa na Rádio Angola. Esta sondagem é de Janeiro, a FoA prometia realizar mais, mas até agora  não o fez.

O estudo da Sensus que a Sensus nega ter feito
Já o site Maka Angola revelou, a 10 de Agosto, uma sondagem que diz ter sido feita pela empresa brasileira Sensus, Pesquisa e Consultoria, nas 18 províncias do país a 9155 indivíduos recenseados, a pedido da Presidência da República. Nela é atribuída uma intenção de voto de 38% ao MPLA, 32% à UNITA e 26% à CASA-CE. O Maka Angola adianta que segundo esta sondagem "91% dos inquiridos consideram que os dirigentes, nos seus actos governativos, apenas atribuem prioridade aos seus interesses pessoais, em detrimento dos interesses do Estado e da população".

Cinco dias depois, a 15 de Agosto, o Jornal de Angola avança com uma sondagem que dá a vitória ao MPLA com 68% dos votos, realizada pelo consórcio Marketpoll Consulting e a Sensus Pesquisa e Consultoria, as quais desmentem ter feito a sondagem noticiada pelo Maka Angola.

Um comunicado das duas empresas citado por este jornal adianta que atribuir à Sensus a "paternidade de tais dados demonstra uma clara tentativa de desinformação e manipulação da opinião pública nacional e internacional, com o objectivo de prejudicar o normal desenvolvimento do processo eleitoral em Angola". O Jornal de Angola, no entanto, não divulga os resultados que os outros partidos terão obtido nesta sondagem, cujo resultado foi obtido através de quatro mil entrevistas nas 18 províncias do país.
Nas  últimas eleições gerais, a 31 de Agosto de 2012, o MPLA saiu vitorioso com 71,84%% dos votos. A UNITA registou 18,66% e a CASA-CE ficou-se pelos 6%.

Este acto eleitoral fica marcado pela saída de José Eduardo dos Santos das listas do MPLA,  o que na prática significa um adeus ao cargo de Presidente da República, cargo que ocupou durante 38 anos . Assim, o futuro líder do país será escolhido no próximo dia 23 pelos 9,3 milhões de angolanos que se encontram recenseados, dado que o cabeça-de-lista do partido mais votado será automaticamente o presidente do país. Os resultados oficiais serão conhecidos entre 6 e 7 de Setembro.

Sem observadores europeus

As eleições de 23 de Agosto em Angola não vão contar com observadores da União Europeia, tal como já havia acontecido em 2012. A explicação oficial para este facto é a de que o convite endereçado pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, só chegou a 27 de Junho a Bruxelas, pelo que não houve tempo para preparar o envio de uma equipa de observadores. Já a missão de observadores da União Africana (UA) às eleições será o ex-primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves. Este acto eleitoral contará com observadores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Além do MPLA, UNITA e CASA-CE, os três maiores partidos, concorrem a estas eleições a Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), Partido de Renovação Social (PRS), Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e Aliança Patriótica Nacional (APN).




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