Economia Guterres: "As elites portuguesas não estão à altura do povo que somos"

Guterres: "As elites portuguesas não estão à altura do povo que somos"

O antigo primeiro-ministro socialista e candidato a secretário-geral da ONU considera que existe uma falta de organização política no país e de organização da própria sociedade, um problema que atribui "às elites portuguesas".
Guterres: "As elites portuguesas não estão à altura do povo que somos"
Liliana Borges 23 de Fevereiro de 2016 às 01:39

Os portugueses são elogiados no estrangeiro, mas de uma forma condescentente. A conclusão foi partilhada por António Guterres e Durão Barroso esta segunda-feira, num debate promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e pela RTP1. Os dois antigos governantes portugueses criticaram a falta de organização política portuguesa, visível "até nos cartazes das eleições presidenciais que não foram retirados".

Para o antigo presidente da Comissão Europeia, "oscilamos entre complexo de inferioridade e exaltação nacionalista". Apesar da simpatia com que os portugueses são caracterizados e de o país ser visto "com respeito em relação à sua História" é ao mesmo tempo visto como "um país pobre e atrasado". "É visto com condescendência, uma condescendência que me magoa", notou Durão Barroso.

António Guterres, por seu lado, diagnostica um atraso estrutural no domínio da educação e organização da sociedade. "As elites portuguesas não estão à altura do povo que somos", frisou o antigo primeiro-ministro socialista. 


Défice de política é global

Guterres considera também que existe "um défice de política a nível global". "As empresas vão muito à frente dos sistemas políticos, dos reguladores". Referindo-se às fragilidades causadas pelas actuais ameaças à estabilidade e segurança internacional, o ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) sublinhou que é através de uma base sólida de valores que é possível ultrapassar os actuais desafios da União Europeia.

"Hoje estamos a viver uma guerra em que ninguém ganha. O interesse profundo de todos os Estados é pôr fim a estes conflitos". "As coisas estão a ganhar uma dimensão tal e os riscos de segurança colectiva estão hoje de tal forma presentes que toda a gente tem a perder se não for capaz de ultrapassar heranças históricas e se não fizerem um esforço para criar uma nova herança", advertiu o candidato a secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Durão concordou, reafirmando que a questão da Síria "é uma mancha na consciência internacional". 




A sua opinião26
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado AVerVamos 23.02.2016

SUBSCREVO NA INTEGRA!!! E VOLTO A SUBSCREVER!!
A grande maioria da classe politica Portuguesa vive da ignorância do POVO, parasita a sua pouca cultura e educação. Ao invés de promover e explorar as suas virtudes.
Não basta tirar um curso superior para se ser culto ou educado. Viajar, conviver, e sobretudo trabalhar com outras culturas é uma MAIS-VALIA. O setor do trabalho em Portugal evoluiu BASTANTE. Apenas os politicos (90 %), as suas politicas, e a sua forma de estar continua RETRÓGADA, MESQUINHA, reduzida à sua insignificancia.
Basta ver o debate do OE de ontem para se perceber ao ponto que chega a pesquenez e mesquinhice de certos elementos que VIVEM da politica. O problema não se encontra nos seus ideais (quando existem) o problema encontra-se nos seus hábitos, e nos hábitos que continuam a defender, como se da sua vida se tratasse (e TRATA-SE NA MAIORIA DOS CASOS). Dai que de facto voltámos a página, PARA TRÁS.

comentários mais recentes
Maria Valentina Umer 05.03.2016

Subscevo 100% Os portugueses mostram de verdade um complexo de inferiodade e exaltacao nacionalista, cujo resultado é nao fazem nada para melhorarem. E sim, Portugal é visto com condecesdencia na UE. Como expat na Alemanha desde 1983, noto tal. Um pouco mais humildade e menos arrogancia é preciso!

Anónimo 24.02.2016

POIS O QUE ACONTECE É QUE ESTES DOIS SENHORES JÁ FORAM BATIZADOS PELO CLUBE BILDERBERG
LOGO ESTÁ TUDO DITO.

Anónimo 24.02.2016

Sim concordo no que diz relativo a Portugal um país desorganizado e com governantes que não tem competência a todos os níveis para assumir os cargos que desempenham.Aliás se os governantes fossem líderes o país não estava na situação em que se encontra.

Anónimo 24.02.2016

Sim concordo no que diz relativo a Portugal um país desorganizado e com governantes que não tem competência a todos os níveis para assumir os cargos que desempenham.Aliás se os governantes fossem líderes o país não estava na situação em que se encontra.

ver mais comentários
pub
pub
pub
pub