Economia Histórias por detrás da história do dia 22 de Março

Histórias por detrás da história do dia 22 de Março

Há quem lhe chame milagre, há quem lhe chame sorte ou mesmo destino. À medida que surgem os nomes das vítimas mortais dos atentados de terça-feira em Bruxelas, evidenciam-se também as histórias de quem escapou à morte.
Histórias por detrás da história do dia 22 de Março
Reuters
Negócios 24 de Março de 2016 às 20:46

Jason Denayer é jogador no clube de futebol turco Galatasaray, tem 20 anos e, diz-se, muita sorte. Em 20 dias, esteve em três locais de atentados terroristas. Escapou a todos. No passado dia 13 de Março estava em Ancara (Turquia) para jogar contra o Gençlerbirligi, quando se deu o atentado que vitimou 37 pessoas.

 

Ainda não estava refeito do susto quando voltou a apanhar outro. Seis dias depois, a 19, encontrava-se em Istambul para jogar contra o Fenerbahçe quando cinco pessoas morreram num ataque num centro comercial da cidade turca. E no dia 22 de Março estava em Bruxelas quando ocorreram os ataques ao aeroporto de Zaventem e ao metro de Maelbeek, próximo do quarteirão das instituições europeias.

 

Denayer não esteve directamente em perigo em qualquer um destes três ataques, mas sente no corpo e na alma esta "sorte" que muitos não tiveram.

 

E o mesmo aconteceu com Mason Wells, missionário mórmon norte-americano, de 19 anos. A 15 de Abril de 2013 estava com o pai a um quarteirão da linha de chegada dos atletas na maratona de Boston, à espera da mãe que tinha ido correr. Ele e o pai foram sacudidos pela explosão que se deu a poucos metros da meta, mas saírem ilesos, bem como a mãe.

 

No passado dia 13 de Novembro, Wells estava em Paris, mas longe do Bataclan, do Stade de France e dos cafés onde ocorreram os ataques. No entanto, o facto de estar por perto marcou-o. E esta terça-feira estava no aeroporto de Zaventem, tendo sido apanhado por uma das explosões e ficado ferido. O pai ficou a saber antes de ser oficialmente notificado pelas autoridades, porque amigos seus viram nas redes sociais uma foto a circular com um ferido no chão, que reconheceram como sendo o jovem.

 

Há também a história de Henrique Vicente, que sente ter sido salvo pelo The Guardian. O português trabalha no edifício que fica por cima da estação de metro de Maalbeek e quando estava a preparar-se para ir para o emprego recebeu uma mensagem de alerta do jornal britânico, no seu telemóvel, a informar sobre as explosões no aeroporto. Decidiu não sair de casa e pouco depois deu-se a explosão no metropolitano.

 

Mas o infortúnio bateu à porta de centenas de pessoas na passada terça-feira, num dia trágico que fez 31 vítimas mortais e 300 feridos, 60 dos quais em estado grave. Muitas famílias não sabem ainda do paradeiro dos seus entes queridos. É o caso do britânico David Dixon, um informático que vive em Bruxelas e que após as explosões no aeroporto garantiu à sua tia que estava bem. Receia-se que tenha sido, pouco depois, apanhado pela explosão no metro.

As imagens simbólicas


No dia dos atentados, fotos e vídeos correram rapidamente mundo, através das redes sociais e da imprensa internacional. Em Zaventem, uma imagem emblemática do terror, da estupefacção e da dor é o da hospedeira Nidhi Chapekar da Jet Airways, de 40 anos, fotografada já fora do aeroporto logo a seguir aos atentados.


Chapekar estava entre voos. Tinha feito um voo nocturno de Bombaim (na Índia) para Bruxelas. E dali deveria seguir para Newark (nos EUA).

Já não fez esse trajecto. Foi apanhada pelo impacto de uma das explosões e conseguiu sair do aeroporto, tendo encontrado algum repouso num banco exterior. A sua expressão incrédula e assustada simbolizou o estado geral de todos os que viveram aqueles momentos de terror. Rapidamente foi criada a "hastag" #PrayforNidhi, de apoio à hospedeira. Ao seu lado, uma jovem fala ao telemóvel, talvez tranquilizando quem a sabia por ali. 

A foto com a hospedeira indiana fez capa em muitos jornais de todo o mundo
A foto com a hospedeira indiana fez capa em muitos jornais de todo o mundo
Reuters /Ketevan Kardava

Na estação de metro, a imagem que correu mundo não tinha um rosto visível. Era o desalento humano na sua perplexidade, o "depois" ilustrado por várias pessoas que percorriam a linha de metropolitano, às escuras e no meio de muito fumo. 


Todas de costas. Não corriam. Aliás, as declarações de muitos passageiros posteriormente entrevistados por meios de comunicação social, eram unânimes: ninguém tentou pisar, passar por cima, houve o cuidado de sair devagar para não ferir ainda mais quem já estava magoado.

Num dos vídeos, o mesmo percurso, muita gente de costas a seguir os trilhos. Uma criança ao colo do pai, um homem que segue com um ramo de flores. Flores para alguém que as deve ter recebido com uma alegria ainda maior.

No metropolitano de Bruxelas as pessoas tiveram de percorrer parte da linha para saírem do local
No metropolitano de Bruxelas as pessoas tiveram de percorrer parte da linha para saírem do local
Reuters







A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub
pub
pub
pub