Zona Euro Atenas: Incerteza na Europa cria o "momento para uma solução abrangente" para a Grécia

Atenas: Incerteza na Europa cria o "momento para uma solução abrangente" para a Grécia

A Grécia considera que a elevada incerteza política e financeira que se vive na Europa cria o momento para que haja uma solução abrangente para Atenas e se alivie a dívida do país. O Eurogrupo reúne-se esta segunda-feira.
Atenas: Incerteza na Europa cria o "momento para uma solução abrangente" para a Grécia
Reuters
Sara Antunes 04 de dezembro de 2016 às 18:17

"Todos entendem que a Europa não pode ficar num reavivar da crise grega, quando há questões em Itália e no seio de um período pré-eleitoral em muitos países europeus", afirmou Dimitris Tzanakopoulos, porta-voz do Governo grego, este domingo à rádio 9,84, citado pela Reuters.

 

"A incerteza que prevalece na Europa – que é política e financeira – cria um momento para uma solução abrangente e permanente para a questão grega", acrescentou, referindo-se ao referendo que está a ser realizado este domingo em Itália, às dificuldades que atravessam os bancos italianos, em especial, e às várias eleições que vão ocorrer na Europa, nomeadamente em França e na Alemanha.

 

O governador do Banco da Grécia, Yannis Stournaras, também deu uma entrevista, onde defende que é preciso novas medidas sobre o alívio da dívida da Grécia. Uma das opções é alargar a maturidade da dívida de longo prazo, dos empréstimos concedidos no âmbito do resgate, por mais 20 anos.

 

"A Grécia precisa de sustentabilidade da dívida e de objectivos orçamentais mais realísticos depois da conclusão do actual programa de ajustamento (em 2018), afirmou o responsável pelo banco central de Atenas ao jornal alemão Handelsblatt, numa entrevista que será publicada esta segunda-feira, 5 de Dezembro, citada pela Reuters.

 

Estas declarações surgem em antecipação da reunião de ministros das Finanças, que vão encontrar-se esta segunda-feira, 5 de Dezembro, em Bruxelas. Em cima da mesa estará a discussão em torno do alívio da dívida grega.

 

A Grécia recebeu, desde 2010, três financiamentos externos. A discussão em torno do alívio da dívida, que se encontra em torno dos 180% do produto interno bruto (PIB), tem vindo a ser realizada. De um lado exige-se que Atenas implemente medidas de austeridade. Do outro a mensagem que a economia precisa de estímulos e não aguenta mais cortes, mesmo que estes tenham sido acordados aquando dos resgates.

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) quer que Atenas fixe metas para um menor excedente primário a partir de 2019 ou então que aplique medidas de austeridade adicionais, no valor de 4,2 mil milhões de euros, de revelou um responsável do Ministério helénico das Finanças, que pediu anonimato, no sábado à Bloomberg.


"Já deixámos claro que não há hipótese de aceitarmos o que o FMI pede sobre medidas [de austeridade] e reformas laborais", afirmou Tzanakopoulos, pedido o apoio dos parceiros europeus.

 

Mas não foi só de Atenas que saíram declarações. De Berlim, o ministro das Finanças também deixou recados, apelando à implementação das reformas: "Se a Grécia quer continuar no euro, não há volta a dar", independentemente do nível da dívida é preciso implementar as reformas, afirmou ao jornal Bild am Sonntag, numa entrevista publicada este domingo.

 

Em Maio, o Eurogrupo confirmou abertura para rever as condições de pagamento da dívida grega, designadamente voltar a estender os prazos de reembolso e os de carência de juros, mas ficou igualmente estabelecido que essas medidas só entrariam em vigor no final do programa de ajustamento em curso, em 2018, e no pressuposto de que sejam implementadas as reformas assumidas por Atenas no Verão de 2015 a troco do terceiro resgate.

 

Tzanakopoulos disse ainda que os objectivos para lá de 2018 poderão ser discutidos depois de acordadas as medidas de alívio da dívida, apontando para a realização de um segundo Eurogrupo.

 

Os ministros das Zona Euro vão assim encontrar-se amanhã, com a avaliação da situação grega na agenda. Este será o segundo ponto da agenda de trabalhos. O primeiro debruçar-se-á sobre os projectos orçamentais de 2017 apresentados pelos vários países, depois da Comissão Europeia já se ter pronunciado sobre cada um a 16 de Novembro. 




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comentários mais recentes
alberto.sousa.18007218 Há 1 semana

Não partilho desta euforia.,Não que seja partidário do populismo da "EXTREMA DIREITA", nem da "EXTREMA ESQUERDA". Tão aberrantemente, estupidos, que nem sequer reparam, que não saíram do mesmo sitioi onde se encontravam. Que mudou, com estas eleições, na Europa? NÃO ATRASOU, NEM ADIANTOU O RELÓGIO. Deixou o homem de ser egoista? Deixou de ser velhaco? Deixou de ser cínico?. NÃO!!! Tudo irá contínuar na mesma, para desgraça dos nossos filhos e netos, e dos que já nascem hipotecados, até á raiz dos cabelos, ao poder económico. Ainda não se convenceram, que o sistema está errado. e que continuamos alegremente a caminhar para o abismo? Que amargo vai ser o despertar. O MUNDO SÓ MUDARÁ, QUANDO MUDAR A MENTALIDADE DESTA ESPÉCIE DE MACACOS. COM FIGURA DE GENTE.
NOVA ORDEM MUNDIAL, É PRECISA URGENTE. SÓ ELA É A SOLUÇÃO.

pertinaz Há 1 semana

ITÁLIA VOTOU NÃO POR LARGA MAIORIA

ESQUERDALHA CANALHA LEVOU UM CHUTO

Anónimo Há 1 semana

Em tempos foi noticia que os gregos a pare dos italianos eram os que mais pagavam aos deputados instalados na EU em brussel.Sabemos tambem que a Grecia tem 10.000.000 de habitantes mas tem 300 deputados no parlamento grego com super salarios,para nao falar nos que enchem a gamela.So lag.de crocodilo

É ISSO !!! Há 1 semana

JULIO DUARTE, é isso. Mas aconselho-o a fazer comentarios mais curtos e mais objetivos. Dissertou sobre muita coisa e perdeu-se um pouco, ou serão os leitores a perderem-se e não por iliteracia. Mas continue, pois tem muita razão naquilo que diz.

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