Economia Autarquias do Norte perderam 4% dos funcionários em 2011

Autarquias do Norte perderam 4% dos funcionários em 2011

Os 86 municípios da região têm uma média de 11 efectivos por mil habitantes, sendo que mais de metade tirou pelo menos o 9.º ano. O típico funcionário municipal tem 44 anos, trabalha na Câmara há 14, tem um horário rígido e faltou 22 dias ao trabalho durante o ano passado.
António Larguesa 10 de agosto de 2012 às 13:39
As Câmaras Municipais da Zona Norte contabilizavam no final do ano passado 40.341 funcionários, em resultado de uma diminuição líquida de 4% face ao ano anterior, que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) justifica pela “não substituição de trabalhadores cujos contratos caducaram”.

De acordo com o estudo “Caracterização dos Recursos Humanos dos Municípios da Região do Norte – Dados de 2011”, elaborado pela CCDR-N, foram registadas 5.376 admissões ou regressos e 7.054 saídas, sendo assim a diminuição líquida de 1.678 efectivos.

Onze municípios têm mais de mil efectivos - Porto, Gondomar, Vila Nova de Gaia (na foto), Matosinhos, Braga, Guimarães, Vila do Conde, Maia, Vila Nova de Famalicão, Viana do Castelo e Paredes -, enquanto três empregam menos de cem efectivos (Sernancelhe, Penedono e S. João da Pesqueira). Em média, são 11 efectivos por milhar de habitantes.

Melgaço, Tarouca, Alfândega da Fé, Peso da Régua, Terras de Bouro e Vimioso são os que empregam mais gente em comparação com a população residente (acima de 30 por mil habitantes), enquanto no extremo oposto (cinco por mil habitantes) estão Barcelos, Esposende e Santa Maria da Feira.

Nestes 86 municípios predomina a relação jurídica de emprego de Contrato de Trabalho em Funções Públicas por tempo indeterminado (84%). “As carreiras gerais representam 88% dos efectivos ao serviço nos municípios (assistentes operacionais 57%, assistentes técnicos 18% e técnicos superiores 13%). Os dirigentes intermédios representam 2% dos efectivos, os polícias municipais 1% e os informáticos 1% do total”, informa o mesmo relatório.

Os encargos com pessoal foram de 572 milhões de euros, sendo 81% deste valor relativo a remuneração base, 4% a suplementos remuneratórios e 10% a prestações sociais. No relatório é também denunciado que, “apesar de proibidos pela Lei do Orçamento do Estado para 2011, os prémios de desempenho atingiram 2.155 euros”.

“Analisando o rácio de despesas com o pessoal por efectivo (média de 14 184 euros ), trinta e dois municípios registaram encargos por efectivo acima da média e cinquenta e quatro abaixo da média. A amplitude é de um para três”, informa ainda o mesmo estudo que faz uma radiografia aos recursos humanos dos municípios nortenhos.


Câmaras têm 23% de doutores

A idade média dos efectivos municipais na região Norte é de 44 anos (43 nas mulheres, 46 nos homens) e o nível médio de antiguidade situa-se nos 14 anos, sendo os homens quem há mais tempo ali trabalha (16 anos). Um quarto dos efectivos tem menos de cinco anos “de casa”.

Já 51% dos efectivos fizeram pelo menos o 9º ano, enquanto 23% possuem formação superior (bacharelato, licenciatura, mestrado e doutoramento), “com destaque para as carreiras de pessoal técnico superior”. Os estrangeiros representam 7% do total de efectivos, mais do que os trabalhadores com deficiência (2%)

Numa amostra de 82% dos efectivos, a CCDR-N verificou que predomina o horário rígido (70%). Já a taxa de absentismo foi de 9,75% em 2011,inferior à do ano anterior. Ainda assim, em média, o número de dias de ausência foi de 22 por efectivo. A amplitude vai de 49 dias de ausência média em Valença a 4 dias em Arouca e Terras de Bouro.

“O principal motivo de ausência ao trabalho foi doença (média de 14 dias por efectivo), seguindo-se a protecção na parentalidade e, com muito menor peso, acidentes em serviço ou doença profissional e outras causas”, acrescenta.

O mesmo documento regista 2.174 acidentes (2 019 no local de trabalho) sendo 1.907 com “baixa”, dos quais resultaram 54.081 dias perdidos. A taxa de incidência total foi de 54 acidentes por mil efectivos, sendo que três resultaram em mortes (duas foram no local de trabalho).

A sua opinião12
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
isabel 12.08.2012

A Administração Local caracteriza-se por ser servil em relaão aos poderes locais!Quem não entrar na "ONDA" do partido vitorioso é tratado "abaixo de cão" .Os "azeiteiros" é que dominam e controlam tudo,a começar pelos gestores municipais que são amigos "de peito" do sr presidente.Este caciquismo mina e apodrece as relações dos cidadãos com a sua autarquia.É uma revolta "silenciosa" porque toda a gente tem medo de "precisar deles".

Anónimo 11.08.2012

Costumo ler muitas vezes os comentários e permitam me este. Exerço funções numa autarquia não profissionais e hoje mesmo como muitas vezes faço estive em instalações autárquicas e encontrei em serviço um trabalhador que não recebendo horas extraordinárias antes de ír iniciar as suas férias quer deixar a " secretária" arrumada. E náo é felizmente um caso único. No público como no privado há de tudo.

Juizo 10.08.2012

antes de falar e chamar ignorantes...485€, agora divide po 7h diarias, e pega 485 e divide por 8h. um privado mete baixa e os 3 primeiros dias não recebe!! não adse, não pode comprar oculos com particpação, não tem 25 dias de ferias e fora os que vão ganhando por antiguidade...

Anónimo 10.08.2012

Cambada de ignorantes!!!
Continuem a bater nos func. publicos e vão ver como ficam...
Os ordenados médios na Administração local são muito baixos!!! A maioria ganha o ordenado minimo!!! A varredura das ruas , a recolha do lixo, os jardins, os auxiliares nas escolas e tantos outros são todos pagos a menos de 485 euros!!! A Administração local e os restantes funcionários publicos não são só politicos, doutores e engenheiros!!!

ver mais comentários
pub