Justiça Balcão do arrendamento demora entre três e quatro meses para fazer um despejo

Balcão do arrendamento demora entre três e quatro meses para fazer um despejo

Cinco anos passados sobre a entrada em funcionamento do chamado “balcão dos despejos” foram concluídos 8.315 processos. Pretendia-se que demorassem em média três meses o que, diz a Justiça, tem acontecido.
Balcão do arrendamento demora entre três e quatro meses para fazer um despejo
Miguel Baltazar/Negócios
Filomena Lança 11 de janeiro de 2018 às 21:45

Desde Janeiro de 2013 até Dezembro de 2017 o Balcão Nacional do Arrendamento (BNA) emitidos 8.315 "títulos de desocupação do locado", numa média de 138 novos despejos por mês. Os processos têm tido durações entre os três e os quatro meses.

Os números são do Ministério da Justiça, numa altura em que passam cinco anos sobre a criação do BNA, a par com a entrada em vigor da nova Lei das Rendas. Em 2017 foram realizados por esta via 1.636 despejos, um número que baixou face a 2016, quando foram contabilizados 1.931 títulos de desocupação.

O BNA, recorde-se, pretendia ser uma resposta à morosidade dos tribunais sempre que era preciso efectuar um despejo. A ideia era que os longos períodos que até então eram necessários – vários anos, como frequentemente acontecia – passassem a ser muito inferiores e a média, concretamente, era conseguir concluir o procedimento em apenas três meses.

E a média tem sido ligeiramente acima, mas, ainda assim, abaixo do tempo que é preciso para uma acção de despejo no tribunal. O Ministério da Justiça apenas fornece dados relativos a 2015 e a 2016, de acordo com os quais "nos casos em que não existiu oposição ao procedimento" por parte do arrendatário, a duração média do procedimento no BNA – desde a data da apresentação até à data de emissão do título de desocupação do locado – foi de 119 e 102 dias, respectivamente. Havendo oposição, o processo segue sempre para tribunal.

Por outro lado, o gabinete de Francisca Van Dunem sublinha que os senhorios podem sempre optar por ir logo para tribunal. Nesse caso, as acções de despejo tiveram uma duração média de 271 dias em 2015 e de 216 dias em 2016, ou seja, no mínimo de nove meses, sendo que estes valores, sublinha fonte oficial, não reflectem aqueles casos em que o inquilino contestou, o que, tendo acontecido, terá aumentado substancialmente a duração do processo. E isso apesar de, com a reforma da Lei das Rendas, os processos de despejo nos tribunais terem passado a ser tratados como processos urgentes.

Em suma, diz o Ministério da Justiça, "os objectivos do BNA foram alcançados, uma vez que o procedimento corre, essencialmente, por via extrajudicial, tornando mais simples e menos morosa a desocupação efectiva do local arrendado".

 

Refira-se, contudo, que dos processos que entram no BNA uma grande percentagem não chega ao fim. Ao longo dos cinco anos, deram entrada 20.806 requerimentos de despejo e apenas foram emitidos 8.315 títulos de desocupação do locado, ou seja, menos de metade. Essa diferença tem sido justificada pelo facto de não cumprirem os requisitos impostos por lei. O que acontece, em regra, é que os pedidos são mal preenchidos ou foram preteridas formalidades legais – por exemplo, na forma como o senhorio comunicou ao inquilino a resolução do contrato de arrendamento. 




A sua opinião4
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentários mais recentes
Anónimo 12.01.2018

O que se passa para esta sra. de um momento para o outro querer aparecer? Isto já parece o "bigbreda".

Mr.Tuga 12.01.2018

Alguem me informa o que esta sra fez desde que chegou a MJ ?!?! Para alem de criar DESPESA ao reabrir tribunais as moscas....

Luis pedro 12.01.2018

Ou seja, basta o inquilino querer ir para tribunal e perdendo recorrer para ficar a morar na casa uma eternidade...
A palhaçada continua... nada mudou...

Anónimo 11.01.2018

O Estado que compre as casas e as alugue, talvez assim os despejos sejam mais céleres, os pedidos bem preenchidos e cumpridas as formalidades legais.

pub