Política Monetária Banco de Inglaterra mantém juros mas alerta para subidas mais fortes e mais cedo do que o previsto

Banco de Inglaterra mantém juros mas alerta para subidas mais fortes e mais cedo do que o previsto

Mark Carney avisou que a inflação deverá acelerar nos próximos meses, superando provavelmente os 3% no curto prazo. Os juros da dívida do Reino Unido seguem em máximos de quase dois anos.
Banco de Inglaterra mantém juros mas alerta para subidas mais fortes e mais cedo do que o previsto
Bloomberg
Rita Faria 08 de fevereiro de 2018 às 13:47

O Banco de Inglaterra manteve os juros inalterados em 0,5%, uma decisão unânime que mereceu o voto favorável dos nove membros do comité de política monetária da autoridade liderada por Mark Carney.

No entanto, o banco central do Reino Unido avisou que a taxa directora poderá subir mais cedo e de forma mais pronunciada do que o previsto há três meses.  

"Se a economia evoluir de acordo com as projecções do Relatório de Inflação de Fevereiro, a política monetária precisará de ser apertada um pouco antes e em maior grau do que o previsto no momento do Relatório de Novembro", pode ler-se nas minutas da reunião deste mês.

Durante a conferência de imprensa, que se seguiu à reunião, o governador do Banco de Inglaterra alertou que a inflação deverá acelerar novamente nos próximos meses, superando possivelmente os 3%.

"É possível que a inflação cresça novamente acima dos 3%, temporariamente, no curto prazo", afirmou Mark Carney, citado pelo The Guardian.  

Questionado sobre a convicção do mercado de que os juros estarão em 1,25% no início de 2020, Carney respondeu que o banco central "não estará de mãos atadas". No entanto, afirmou que o actual ciclo dos juros não será como no passado, quando as taxas médias rondavam os 5%. "Não estamos a falar de voltar a esses níveis… E não estamos a falar de avançar a esse ritmo", sublinhou.

Os analistas antecipam agora que o Banco de Inglaterra anunciará um aumento dos juros em Maio, e possivelmente mais três até ao final do ano.

Recorde-se que, em Novembro, a autoridade monetária anunciou um aumento de 25 pontos base na taxa directora para 0,5%, a primeira subida em mais de uma década.

Depois do alerta de que os juros podem subir mais do que o previsto, a libra ganha 1,01% para 1,4021 dólares e os juros da dívida a dez anos disparam 5,0 pontos para 1,599%, depois de terem chegado a negociar em 1,617%, o valor mais alto desde 29 de Abril de 2016.




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