Banco de Portugal estima contracção de 1,6% em 2013
13 Novembro 2012, 13:00 por Sara Antunes | saraantunes@negocios.pt
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O consumo privado deverá cair mais do que o esperado e o investimento deverá continuar a registar quedas de dois dígitos, factores que justificam a previsão mais pessimista do Banco de Portugal para a economia nacional. O regulador alerta para a "elevada incerteza" e riscos de que a realidade se revele pior que estas previsões.
As previsões Banco de Portugal integradas no Boletim Económico de Outono, hoje divulgado, apontam para que o PIB português caia 1,6% no próximo ano. Esta previsão compara com uma estagnação da economia estimada no Boletim Económico do Verão. Para este ano a previsão é mantida em -3% (ver tabela em baixo).

Esta estimativa é mais pessimista do que as previsões do Governo ou da troika, que apontam para uma queda de 1% da economia. A Comissão Europeia (que integra a troika, ao lado do FMI e do BCE) reiterou mesmo estas estimativas, que constam no Orçamento do Estado para o próximo ano, na semana passada.

O Banco de Potrugal deixa mesmo um alerta: "A actual projecção é caracterizada por riscos de uma evolução mais desfavorável da actividade económica.”
“A actual projecção está condicionada por elevada incerteza, associada a vários factores, designadamente a evolução da envolvente externa (incluindo a implementação das medidas de resolução da crise de dívida soberana na área do euro), o impacto das medidas de política económica interna, a resposta dos agentes económicos e o processo de ajustamento de médio e longo prazo da economia. Estes factores determinam uma amplitude substancial do intervalo de confiança das projecções em torno da projecção pontual", acrescenta a mesma fonte.

Investimento deverá cair 10% em 2013

A contribuir para este comportamento estarão praticamente todas as componentes do PIB, com especial destaque para o consumo privado, que deverá cair 3,6% no próximo ano, bem como o investimento, que deverá deslizar 10%. Estas previsões representam um abrandamento face a 2012, mas correspondem a uma revisão em baixa das últimas estimativas do Banco de Portugal que apontavam para uma descida de 1,3% e 2,6%, respectivamente.

No relatório, o Banco de Portugal explica que esta evolução da economia estará relacionada com vários factores, entre os quais a redução de rendimentos e a constituição de poupanças por parte das famílias para se prepararem para eventuais problemas futuros, como por exemplo, a perda de posto de trabalho.

A “política orçamental e as condições de financiamento restritivas, conjugadas com expectativas desfavoráveis quanto à evolução da actividade e do mercado de trabalho, a percepção de uma redução do rendimento permanente e a constituição de poupanças por motivos de precaução justificaram uma forte redução do consumo das famílias, tanto nos bens duradouros como no consumo corrente”, explica a instituição liderada por Carlos Costa.

No que respeita ao investimento, o Banco de Portugal realça que este está condicionado pelas perspectivas de “redução na procura interna”, do “elevado nível de incerteza” e da “restritividade das condições monetárias e financeiras.”

A travar a queda do PIB estão, tal como neste ano, as exportações, que deverão crescer 5% em 2013, depois de um aumento de 6,3% este ano. No Boletim de Verão, o Banco de Portugal estimava um aumento de 3,5% e 5,2% para 2012 e 2013, respectivamente.

“A evolução das exportações decorre num contexto de elevada incerteza e deterioração da actividade económica nos principais parceiros comerciais de Portugal, sendo assinalável a existência de fortes ganhos de quota de mercado. Por seu turno, a redução das importações reflecte a evolução da procura global, observando-se uma melhoria muito substancial do saldo da balança corrente e de capitais, traduzida num superávite em 2013”, adianta o BdP.




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