África Bancos angolanos estão a comprar cada vez menos divisas aos clientes

Bancos angolanos estão a comprar cada vez menos divisas aos clientes

Os bancos angolanos tiveram acesso a apenas 865 milhões de euros em divisas no mês de Fevereiro, valor que continua a descer desde o final de 2016, incluindo as compras feitas directamente aos clientes.
Bancos angolanos estão a comprar cada vez menos divisas aos clientes
Reuters
Lusa 19 de abril de 2017 às 09:31
De acordo com dados reunidos hoje pela Lusa a partir de relatórios do Banco Nacional de Angola (BNA), os bancos comerciais do país adquiriram junto do banco central, em Fevereiro, divisas no valor de 798,8 milhões de dólares (750 milhões de euros).

A este montante somam-se 121 milhões de dólares (114 milhões de euros) de compras directamente aos clientes (essencialmente petrolíferas). Este valor caiu quase para um quarto quando comparado com o mesmo de Dezembro passado.

No final de 2016, os clientes venderam aos bancos 486 milhões de dólares em divisas, o valor mais alto do ano e que então acompanhava a tendência de valorização no segundo semestre do ano do preço do barril de crude, produto que representa mais de 90 por cento das exportações angolanas.

Ainda de acordo com os dados do BNA, só entre Janeiro e Fevereiro os bancos enfrentaram uma redução nas compras de divisas na ordem dos 26,1%.

Durante todo o ano de 2016 foram injectadas nos bancos comerciais, vendidas pelo banco central, divisas no valor superior a 9.262 milhões de euros, além de 730,1 milhões de dólares (686,4 milhões de euros).

Em média, os bancos receberam por mês cerca de 1.070 milhões de euros em divisas, valor influenciado sobretudo pelo segundo semestre de 2016, que concentrou dois terços de todas as vendas do banco central.

"Neste momento, temos um mecanismo de política monetária insustentável, perigoso e que põe em causa o futuro. O normal em economia de mercado é que a banca e as empresas façam o fluxo financeiro das divisas para a economia. E o banco central intervém no sistema, vende divisas ou faz leilões de divisas, em situações excepcionais, quando é necessário ou há desequilíbrios no próprio sistema", afirmou este mês o governador do BNA.

Segundo Valter Filipe, o que acontece no caso de Angola "é o contrário": "É o banco central que disponibiliza divisas regulares e permanentes, todas as semanas, vende divisas aos bancos comerciais, e os bancos comerciais vendem essas divisas às empresas importadoras", disse.

É preciso recuar ao ano de 2010 para encontrar um valor inferior de divisas vendidas pelo BNA aos bancos, que se cifrou então, em média, por mês, nos 967,7 milhões de dólares (909 milhões de euros).

A situação reflecte o facto de bancos internacionais terem fechado o acesso das instituições angolanas a divisas em 2016, por falhas no cumprimento de regras de 'compliance', pelo que o BNA tornou-se no único fornecedor de moeda estrangeira e exclusivamente em euros.

Angola enfrenta uma crise financeira e económica devido à forte quebra das receitas com a exportação de petróleo, face à redução da cotação internacional do barril de crude.

"Angola estava a perder as suas reservas internacionais. Em menos de seis meses, Angola entraria em situação de crise cambial. Em outros termos, Angola deixaria de ter dinheiro suficiente para importar as mercadorias necessárias para o consumo interno", alertou ainda o governador do BNA, sobre a situação do país, há um ano, quando assumiu funções.

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