Europa Barcelona: Crise entre Madrid e Catalunha enerva governos europeus

Barcelona: Crise entre Madrid e Catalunha enerva governos europeus

Os europeus recusam comentar o fundo da questão que opõe Madrid e os independentistas catalães, mas não conseguem esconder o mal-estar perante esta crise na União Europeia (UE).
Barcelona: Crise entre Madrid e Catalunha enerva governos europeus
Reuters
Lusa 21 de setembro de 2017 às 21:48

A alguns dias do referendo sobre a independência da Catalunha, uma vintena de operações policiais levou à detenção de 14 quadros do governo regional e à apreensão de milhões de boletins de votos, comprometendo a organização desta consulta proibida pela Justiça.

 

"Já exprimimos a nossa posição várias vezes a todos os níveis", afirmou hoje um porta-voz da Comissão, Margaritis Schinas, em resposta a um pedido de comentário dos acontecimentos.

 

Bruxelas repete incansavelmente a "doutrina Prodi", do nome de Romano Prodi, um antigo presidente da Comissão, que tinha estipulado, em 2004, que um Estado nascido de uma secessão no ceio da UE não seria considerado automaticamente como fazendo parte da UE.

 

Na semana passada, o actual presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker, preveniu que iria considerar "as decisões do Tribunal Constitucional espanhol e do parlamento espanhol" antes de reconhecer uma declaração de independência da Catalunha.

 

De Paris, onde se reclama o "respeito do quadro institucional espanhol", a Bratislava, onde se pede comportamentos "conformes à Constituição espanhola", os governos alinham, quase palavra por palavra, com as posições de Madrid.

 

"A crise é demasiado profunda e seria demasiado arriscado para a UE tomar parte ou interferir. Está tudo muito sensível", traduziu Jérémy Dodeigne, professor de Ciência Política na Universidade de Namur, na Bélgica.

 

Questionado sobre as detenções na véspera, Schinas garantiu hoje "não ter grande coisa a acrescentar", sublinhando contudo que "sempre se evitou posicionar a Comissão no plano psicológico, (em termos de) 'optimismo', 'receios', 'inquietações', etc.". 

 

Mas o director do Instituto de Estudos Políticos de Bucareste, na Roménia, Dan Dungaciu, considerou que "o silêncio da UE é uma resposta em si: Bruxelas nem quer falar do assunto. É uma bomba que faz 'tic-tac'".

 

Em causa está, detalhou, o risco de "um reconhecimento da Catalunha criaria um precedente terrível para a UE, que Bruxelas teria dificuldade em gerir e do qual todos os movimentos separatistas se poderiam servir".

 

Ao contrário da maior parte das outras capitais europeias, Madrid nunca reconheceu a independência do Kosovo.

 

Mas, em alguns Estados europeus, o mal-estar era notório, depois da operação policial, que suscitou a descida às ruas de Barcelona de milhares de apoiantes da independência. "Estamos a seguir todo o processo com uma grande inquietação", admitiu hoje um diplomata de estatuto elevado, mesmo que, "o que se diz neste momento é que se confia na democracia".

 

Um outro diplomata declarou-se alarmado: "Mesmo que esteja a agir no quadro da lei, o Governo espanhol está a gerir muito mal a situação", disse, exprimindo-se também sob anonimato. "Despachar a Guardia Civil para fazer detenções envia um sinal muito negativo", insistiu.

 

Sem surpresa, os independentistas catalães receberam o apoio de outros dirigentes separatistas, como a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, que apelou ao respeito do "direito dos povos à autodeterminação", e do flamengo Geert Bourgeois, que reclamou "uma mediação internacional".




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Criador de Touros Há 4 semanas

Madrid tem de aplicar a lei doa quem doer. Até o esquerdista Serrat está contra este referendo. Os catalães precisam de uma lição de humildade. Os cabecilhas presos resolverá problema.Pela lógica destes idiotas deixaria de haver unidade nacional: Portugal partiria em 4 ou 5; Espanha igual; França igual;Itália igual; Alemanha igual; UK igual; EUA igual, etc. Isto assim seria sempre a andar. Quem pensa assim são pessoas sem respeito pelo Estado de Direito, ou Rule of Law. A lei tem de ser cumprida sob pena de se cair na anarquia. Isto é o mínimo. O tempo das erupções nacionalistas já lá vai há muito e a Catalunha sempre perdeu o comboio. Porque é que os retardatários se julgam especiais ? Em mil anos de efervescências espanholas sempre foram fracos, agora querem armar-se em fortes ?

Anónimo Há 4 semanas

Há algum processo independentista que cumpra a lei?
Seguindo a lei nunca teria existido Portugal, nem Brasil, nem Estados Unidos...
Força de Catalunya! No es intimidi.

Jorge Há 3 horas

Cara "Invicta", o problema é que a auto-determinação é um direito de qualquer povo, independente da lei do Estado do qual esse povo se quer separar. Ainda mais sendo a lei constitucional espanhola, com resquícios do Franquismo, parecidos com o que o Estado Novo exigia (por lei) das ex-colónias!

Anónimo Há 6 horas

Já não percebo nada disto. Antes eram os "Bascos" agora são os "Catalães" e qq dia sabe-se lá mais quem. Uma coisa é certa, se for para ter o nosso destino mais vale estarem quietos.

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