Europa Barnier: Para a UE ser flexível "primeiro tem que perceber o que querem os britânicos"

Barnier: Para a UE ser flexível "primeiro tem que perceber o que querem os britânicos"

Os responsáveis da União Europeia continuam a acusar os britânicos de não estarem preparados para negociar o Brexit.
Barnier: Para a UE ser flexível "primeiro tem que perceber o que querem os britânicos"
Bloomberg
Negócios com Bloomberg 30 de agosto de 2017 às 17:20

Continuam os sinais de que as negociações para o Brexit, entre o Reino Unido e a União Europeia, não estão a decorrer da melhor forma. Os britânicos pedem flexibilidade e a Europa responde que primeiro é preciso saber quais são os planos do Governo de Theresa May.

 

"Para ser flexível é preciso dois pontos: o nosso ponto e o ponto deles. Primeiro precisamos de conhecer a posição deles e depois podemos ser flexíveis", afirmou Michel Barnier, responsável máximo da União Europeia nas negociações para o Brexit, à margem das negociações que decorrem em Bruxelas entre os responsáveis da UE e do Reino Unido.

 

Fica assim mais evidente que os progressos nas negociações estão a ser diminutos, ou mesmo nulos, sendo que os responsáveis dos dois lados não se coíbem de o demonstrar em público.

 

Do lado europeu está a ser passada a mensagem de que os britânicos não estão preparados para as negociações. No Reino Unido insiste-se que primeiro é preciso tratar do divórcio e só depois das relações futuras entre as duas regiões.

 

O preço que o Reino Unido terá que pagar pelo Brexit é um dos pontos da discórdia e onde os progressos são escassos, apesar de o tema estar na agenda da actual ronda de negociações. Os documentos oficiais dos britânicos não propõem como deverá ser definido o método de cálculo da factura do Brexit, admitindo apenas que terá de haver uma compensação financeira.

 

De acordo com o Times of London, na cimeira europeia que terá lugar em Outubro, Theresa May irá admitir o pagamento de uma compensação financeira, caso seja firmado um acordo que dê ao Reino Unido o acesso "significativo" ao mercado único europeu e fique seja definido um período de transacção para o Brexit.

 

Da parte europeia têm sido várias as declarações de desconforto com a postura dos britânicos. Se as negociações decorrerem "muito devagar, como está a acontecer nesta altura, será muito difícil dizer que houve progressos quando chegarmos a Outubro", afirmou Guy Verhofstadt, coordenador do Parlamento Europeu para o Brexit.

 

Também o presidente da Comissão Europeia já demonstrou a insatisfação com o processo. "Li todos os documentos produzidos pelo governo de Sua Majestade, com as suas posições, e nenhum deles é satisfatório", afirmou Jean-Claude Juncker na terça-feira.

"Há ainda uma elevada quantidade de questões que continuam por resolver", acrescentou o presidente da Comissão Europeia.

 

A 23 de Junho do ano passado, os britânicos, em referendo, escolheram deixar o bloco económico europeu. Formalmente, o pedido para o Reino Unido deixar a União Europeia foi feito em Março deste ano, o que significa que a partir do final de Março de 2019, Londres vai estar fora do bloco económico. As negociações para o Brexit devem durar dois anos, sendo que Londres quer um período de transição para o pós-2019.

 

Há muitas questões em cima da mesa nas negociações, como os direitos dos cidadãos europeus a residir em solo britânico, e dos cidadãos britânicos a residir na UE, a factura que Londres vai ter de pagar pelo "divórcio", cujo valor ainda não é conhecido (foi avançado na imprensa uma factura na casa dos 100 mil milhões de euros, mas os britânicos aparentemente não estão disponíveis a passar um cheque tão alto). Londres quer começar a debater o relacionamento comercial entre os britânicos e o bloco europeu após o Brexit. Mas a União Europeia só aceita abordar esse tema após outros estarem solucionados.




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