Política Monetária BCE alerta para os riscos que as moedas virtuais podem ter para a economia

BCE alerta para os riscos que as moedas virtuais podem ter para a economia

Yves Mersch da autoridade monetária da Zona Euro alertou, numa entrevista, que “um colapso no mundo virtual pode retirar liquidez ao mundo real”. Mario Draghi já tinha alertado para os riscos que representam estas moedas.
BCE alerta para os riscos que as moedas virtuais podem ter para a economia
Bloomberg
Ana Laranjeiro 08 de fevereiro de 2018 às 10:38

Os alertas sucedem-se. O líder do Banco Mundial disse recentemente que as "criptomoedas são basicamente um esquema ponzi". E nas últimas horas Yves Mersch, membro da Comissão Executiva do Banco Central Europeu, veio aprofundar os alertas já deixados na semana passada pelo líder da autoridade monetária, Mario Draghi.

"Se cada vez mais tivermos pontes entre o mundo virtual e o mundo real e se, depois houver um colapso neste mundo virtual, pode haver uma retirada de liquidez do mundo real", disse Mersch numa entrevista em Frankfurt citada pela Bloomberg. "Isto então torna-se uma preocupação para o banco central", acrescentou.

Na semana passada, Draghi advertiu que a bitcoin e outras criptomoedas são "activos muito arriscados", que devem ser mantidos com prudência, nomeadamente por bancos. "As moedas virtuais estão sujeitas a grande volatilidade. O seu preço é completamente especulativo", declarou Draghi no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. O BCE não constatou que os bancos detenham "reservas significativas desta moeda", pela qual parecem mostrar "pouca apetência", observou. Draghi disse ainda que as criptomoedas evoluem "num espaço que não está regulamentado" e que os bancos têm de ter em conta "um risco elevado", sobretudo devido a grande volatilidade.

O membro da Comissão Executiva do banco central disse ainda na entrevista que é necessária "mais informação" sobre as moedas virtuais. "Para mim, devia-se obrigar já as plataformas que não estão reguladas a reportar para repositórios as transacções de uma forma harmonizada para que, assim, nós tivéssemos acesso à informação – também no sentido de criar uma resposta melhor", adiantou ainda.

Já esta semana, o director-geral do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) apelou aos governos e reguladores para que tomem medidas no sentido de travar a propagação das criptomoedas para proteger os cidadãos e os investidores.

Em Janeiro, as autoridades da Coreia do Sul anunciaram que estavam a preparar-se para proibir a negociação de criptomoedas no país, que é a morada de mais de uma dúzia de bolsas de moedas electrónicas. Numa conferência de imprensa, o ministro da Justiça da Coreia do Sul, Park Sang-ki, informou ainda que o governo está a preparar uma legislação para banir a negociação das moedas virtuais nas bolsas do país.

Pouco tempo depois, a China deu mais um sinal de estar a tentar controlar estas moedas, ao anunciar que vai bloquear o acesso a plataformas online e aplicações móveis que permitam a transacção de criptomoedas. Em Setembro do ano passado, o banco central da China tinha informado o mercado que as ofertas iniciais de moedas (initial coin offerings em inglês, ICO) eram ilegais e pediu que todas as operações de levantamento de capital fossem interrompidas imediatamente, tendo emitido novas regras sobre o tema, de acordo com as informações avançadas pela Bloomberg na época.


Além destas decisões, também vários banqueiros manifestaram já dúvidas sobre o investimento em criptomoedas. O UBS já fez saber que não negoceia bitcoin nem vende aos seus clientes no retalho. Andrey Kostin, do russo VTB Bank PJSC, disse, igualmente em entrevista à Bloomberg em Davos no passado mês, que a bitcoin é uma moeda "falsa" e que os governos não podem aceitar um mercado crescente de dinheiro que não é impresso por um país. O responsável acrescentou ainda que não vê "um grande futuro" para a bitcoin.

Tidjane Thiam, CEO do Credit Suisse, já se tinha referido, em declarações à Bloomberg proferidas em Novembro, que a bitcoin "é a própria definição de uma bolha".

 

A bitcoin por esta altura sobe 5,56% para 8.537,1133 dólares.




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