Política Monetária BCE falha meta de inflação de 2% até 2019

BCE falha meta de inflação de 2% até 2019

Draghi manteve o essencial do diagnóstico à economia da Zona Euro e avançou pela primeira vez previsões para 2019. A esperada recuperação lenta da economia não garantirá a meta de inflação do banco central até lá.
BCE falha meta de inflação de 2% até 2019
Reuters
Rui Peres Jorge 08 de Dezembro de 2016 às 14:21

O BCE mantém a perspectiva de uma recuperação lenta da economia e dos preços na Zona Euro, mas não espera chegar à meta de inflação de 2% que define como o seu objectivo no médio prazo até 2019, o último ano para o qual apresentou previsões na reunião de 8 de Dezembro de 2016.

As novas estimativas dos economistas do banco foram divulgadas por Mario Draghi na conferência de imprensa que se seguiu à reunião que anunciou o prolongamento do programa de compra de activos até Dezembro de 2017, reduzindo ao mesmo tempo o volume mensal de compras de 80 para 60 mil milhões de euros a partir de Abril de 2017, embora sublinhando que "se entretanto as perspectivas económicas se tornarem menos favoráveis e se as condições financeiras se tornarem inconsistentes" com os objectivos de inflação, o BCE poderá voltar a acelerar o ritmo de compras ou a prolongar o programa para lá do final de 2017.

O BCE espera agora um crescimento de 1,7% este ano e no próximo, baixando para 1,6% em 2018 e 2019, valores "em linha" com os avançados em Setembro. A inflação deverá ser de 0,2% este ano, 1,3% no próximo, e de 1,5% em 2018 e 1,7% em 2019, ficando abaixo da meta de 2%. 

Em Setembro os economistas de Frankfurt apontaram para uma estabilização do crescimento económico da Zona Euro em 1,7% este ano e 1,6% em 2017 e 2018. Estimaram também uma aceleração da inflação de 0,2% este ano, para 1,2% em 2017 e 1,6% em 2018.

O programa de alívio quantitativo (QE - Quantitative Easing em inglês) visa baixar as taxas de juro na Zona Euro através da compra de activos, principalmente dívida pública, cujas taxas de juro definem os custos de financiamento dos governos, com efeitos de arrastamento para os juros praticados no resto da economia. Além disso, o BCE também está a comprar obrigações emitidas por empresas, actuando mais directamente sobre a economia, e tem em curso um programa em que remunera os bancos que aumentem a concessão de crédito.

A injecção de dinheiro na economia da Zona Euro é também um poderosos instrumento a baixar o valor do euro face ao dólar e outras moedas, o que facilita a vida aos exportadores e torna mais caras as importações de fora da Zona Euro.

Na última reunião de 2016, o banco central anunciou também que manteve a taxa de juro central em 0%, a taxa de depósitos em -0,4% e a taxa de marginal de cedência de liquidez em 0,25%, reafirmando que "o Conselho do BCE continua a esperar que as taxas de juro chave permaneçam nos actuais níveis ou inferiores por um longo período de tempo e bem depois do horizonte de compras de activos".




A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Luisa Sousa Há 2 semanas

Com que moral pode condenar Portugal por nao cumprir o deficit

Alvaro Natividade Há 2 semanas

É um ex colega do Carlos Costa q qualquer dia vai substitui-lo....são só eminências pardas...tire as palas...

José Mata Há 2 semanas

Quem é a eminência parda que está à direita de Draghi?

pub
pub
pub
pub