Política Monetária BCE: Flexibilizar o limite de compras por emitente traria riscos reputacionais

BCE: Flexibilizar o limite de compras por emitente traria riscos reputacionais

Os relatos da última reunião do BCE mostram que havia duas opções em aberto para o prolongamento do programa. Mas a mudança da regra que beneficiaria Portugal foi considerada “inadequada”.
BCE: Flexibilizar o limite de compras por emitente traria riscos reputacionais
Reuters
Rui Barroso 12 de janeiro de 2017 às 13:01

Na última reunião do Conselho de Governadores do BCE houve decisões a tomar sobre o prolongamento do programa alargado de compra de activos e na flexibilização das regras das aquisições. As duas opções em cima da mesa era a de prolongar por seis meses as compras mensais de 80 mil milhões de euros ou, em alternativa, estendê-lo até final do ano, mas com aquisições mensais mais reduzidas.

A extensão do programa obrigou a uma flexibilização das regras das compras de dívida pública. Mas a limitação que tem afectado as obrigações portuguesas foi descartada. Os bancos de investimento têm sublinhado que o Eurosistema enfrenta dificuldades para manter um ritmo de compras de dívida portuguesa equivalente à participação de Portugal no capital do BCE, já que não pode comprar mais de 33% de uma determinada linha de obrigações ou do total de Obrigações do Tesouro emitidas.

"As implicações legais, os desafios de comunicação e os riscos reputacionais de mudanças alternativas nos parâmetros, nomeadamente o aumento dos limites por emissão e por emitente, tornaram-nas inadequadas para serem incluídas nas opções colocadas no Conselho de Governadores", revelam os relatos da reunião de 8 de Dezembro do BCE, divulgados esta quinta-feira, 12 de Janeiro.

Em alternativa, o banco central flexibilizou a regra que o impedia de fazer aquisições de títulos com uma taxa abaixo da taxa de depósitos do banco central (-0,40%) e uma diminuição da maturidade mínima dos títulos que podem ser alvo das compras de dois para um ano. 

Mais tempo, ritmo mais baixo e a oposição alemã

A grande maioria dos membros do Conselho de Governadores considerou que seria necessário estender o prazo do programa alargado de compra de activos além da data que era indicada, a de Março de 2014. A dúvida seria na forma de o fazer. Ou se estendia o programa por seis meses, mantendo o ritmo de compras mensais de 80 mil milhões de euros ou até final de 2017, baixando a velocidade das compras até final deste ano.

 

"Emergiu um apoio muito alargado entre os membros pela segunda opção (…), nomeadamente para continuar as compras além de Março de 2017 a um ritmo mensal de 60 mil milhões de euros por um horizonte planeado de nove meses. Em geral, esta opção foi vista como o equilíbrio certo entre dar um sinal de confiança e a necessidade de preservar a estabilidade numa ambiente incerto, ao mesmo tempo que tem méritos claros em termos de flexibilidade para responder a circunstâncias adversas e de salvaguardar a exequibilidade operacional", é referido nos relatos do BCE.

 

No entanto, o documento revela que "alguns membros não puderam apoiar nenhuma das duas opções propostas, apesar de terem recebido bem a redução do ritmo das compras e outros elementos das propostas, dado o seu cepticismos geral em relação programa de compra de activos e às compras de dívida pública em particular". O presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, tem sido um dos críticos deste programa.

 

Os relatos da reunião explicam que na perspectiva dos cépticos sobre o programa, as compras de dívida pública "devem ser um instrumento de contingência a ser utilizado apenas como último recurso num cenário adverso, como uma situação iminente de deflação, que não é aplicável no presente, já que os riscos de deflação se dissiparam largamente".


(Notícia actualizada às 13:28 com mais informação)




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mais votado Álvaro Há 1 semana


ESTADO NÃO DEVE PAGAR O REGABOFE DOS LADRÕES FP / CGA

OS DESCONTOS DOS BENEFICIÁRIOS CGA, NÃO CHEGAM PARA PAGAR… NEM METADE DA PENSÃO QUE RECEBEM

Não é verdade que as pensões em abono correspondam ao valor dos descontos dos beneficiários.

As pensões auferidas são muito superiores às que os pensionistas teriam direito caso apenas se utilizassem os respetivos descontos capitalizados para as pagar.

Com pressupostos muito otimistas, não seria sequer possível pagar 50% das pensões que a CGA atualmente paga, caso apenas se contassem os descontos legais feitos a favor do pensionista ao longo da sua carreira.

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Álvaro Há 1 semana


ESTADO NÃO DEVE PAGAR O REGABOFE DOS LADRÕES FP / CGA

OS DESCONTOS DOS BENEFICIÁRIOS CGA, NÃO CHEGAM PARA PAGAR… NEM METADE DA PENSÃO QUE RECEBEM

Não é verdade que as pensões em abono correspondam ao valor dos descontos dos beneficiários.

As pensões auferidas são muito superiores às que os pensionistas teriam direito caso apenas se utilizassem os respetivos descontos capitalizados para as pagar.

Com pressupostos muito otimistas, não seria sequer possível pagar 50% das pensões que a CGA atualmente paga, caso apenas se contassem os descontos legais feitos a favor do pensionista ao longo da sua carreira.

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