Política Monetária BCE mantém estímulos. Até quando?

BCE mantém estímulos. Até quando?

Na última reunião antes das férias de Verão, o BCE manteve inalterada a política de estímulos. A dúvida persiste sobre quando o banco central começará a reduzi-los, de que forma e quando dará essa informação. Draghi dá conferência de imprensa às 13:30.
BCE mantém estímulos. Até quando?
Peti Kollanyi/Bloomberg
Rui Peres Jorge 20 de julho de 2017 às 12:52
O Banco Central Europeu manteve a sua política de estímulos inalterada, com a taxa central estável em "zero", a taxa de depósitos dos bancos em Frankfurt em terreno negativo, e a continuação do plano de compras mensais de 60 mil milhões de euros em activos.

A informação foi avançada em comunicado, após a reunião de dois dias dos governadores do euro, e chegou sem surpresa. O que se quer mesmo saber agora é até quando o banco central manterá este rumo: esta será a principal questão que os jornalistas colocarão na conferência de imprensa do início da tarde, em particular se as novidades poderão chegar já em Setembro. As atenções estarão centradas também no que poderá ser o desenho de uma estratégia de saída: O BCE subirá primeiro a taxa de depósitos ou reduzirá o volume de compras de activos, a que ritmo, e começando já em Janeiro ou mais para meados de 2018?

O desafio de Draghi passará por não se comprometer em excesso perante estas dúvidas, mantendo um tom optimista, mas cauteloso, e procurando não gerar movimentos turbulentos no mercado, como já aconteceu duas vezes este ano.

No comunicado enviado à imprensa, o BCE manteve a mesma mensagem que partilhou em Junho. "O Conselho do BCE decidiu que a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecerão inalteradas em 0,00%, 0,25% e -0,40%, respectivamente. O Conselho do BCE espera que as taxas de juro directoras do BCE permaneçam nos níveis actuais durante um período alargado e muito para além do horizonte das compras líquidas de activos", lê-se na nota enviada pelo BCE, que repete as palavras da decisão do início de Junho, quando deixou cair a hipótese de baixar ainda mais as taxas de juro – um sinal de que os riscos de deflação tinha desaparecido, explicou Draghi.

Em relação ao programa de compra de activos, o BCE mantém também o compromisso de continuar as compras pelo menos até ao final do ano, "e, em qualquer caso, até que o Conselho do BCE considere que se verifica um ajustamento sustentado da trajectória de inflação, compatível com o seu objectivo para a inflação", continuando até a admitir reforçar o programa caso sejam identificadas ameaças a uma recuperação sustentada da inflação para valores próximos dos 2%.

Em Sintra, no final de Junho, Mario Draghi garantiu "confiança", "persistência" e "prudência" na condução da política monetária, mas o seu discurso no Forum anual do BCE sobre banca central acabou por ser interpretado como um sinal de que planeia começar a retirar estímulos mais cedo do que tarde, isto porque também afirmou que "as forças deflacionistas foram substituídas por forças reflacionistas" e que a baixa inflação que ainda se experimenta na Zona Euro resulta de factores "principalmente temporários".

Em reacção o euro valorizou e os juros subiram, levando o banco central a reagir, garantindo que a reacção dos investidores foi exagerada e que nenhuma decisão seria ponderada antes do Verão. Esta é a primeira conferência de imprensa após o discurso de Sintra de 27 de Junho, e uma oportunidade para afinar a mensagem. O BCE volta a reunir para decidir sobre juros e política monetária a 9 de Setembro e, antes disso, no final de Agosto, Draghi discursará em Jackson Hole, na conferência anual da Reserva Federal norte-americana. 




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mais votado Anónimo 20.07.2017

O sindicalismo defensor do excedentarismo e do sobrepagamento deve ser totalmente suspenso ad eternum. Está a secar a sustentabilidade do Estado, a competitividade da economia e os garantes e sustentáculos da equidade e igualdade de oportunidades na sociedade portuguesa.

comentários mais recentes
Anónimo 20.07.2017

O excedentário é pago com impostos e dívida pública com origem em credores externos. O sobrepagamento efectuado ao excedentário ainda lhe dá para aforrar e adquirir títulos de dívida junto do Estado. Depois o Estado cobra mais impostos e emite mais dívida junto de credores externos e títulos de tesouro para os excedentários, cada vez em maior número face às necessidades e cada vez mais sobrepagos por via de progressões e outros bónus, comprarem. De seguida vem eleição e o excedentário vota em quem promove o excedentarismo e endivida e taxa o resto da população para sustentar esta forma de pilhagem e extorsão continuada. De seguida entram os bancos cá do burgo. Concedem créditos de todos os tipos, formas e feitios aos excedentários e exigem ao governo mais excedentários para terem mais clientes a quem conceder mais crédito. Os juros sobem. Nova ronda de aumentos a pedido dos sindicatos dos excedentários e a pedido dos bancos. Bancarrota. Troika. Governo impopular por um mandato. Repete.

Anónimo 20.07.2017

Repúblicas das Bananas como a Grécia e Portugal não tem credibilidade nem autonomia económico-financeira porque não tem tido políticas que permitam a criação, captação e fixação do melhor e mais adequado talento e capital disponível nos mercados globais de talento e capital. Sem flexibilização dos mercados laborais e fortalecimento dos mercados de capitais portugueses, Portugal nunca vai participar nas revoluções industriais como actor principal, secundário ou mesmo figurante. Será eternamente o expectador que chega ao evento sempre perto do acto final e por isso fica sem perceber o pouco daquilo que viu.

Anónimo 20.07.2017

Hoje em dia a UE já faz transferências e concede ajudas e financiamentos aos Estados-Membros menos ricos e desenvolvidos. No futuro, com uma UE federal com um orçamento maior e mais competências políticas a nível federal, mais direitos (como mais transferências para os Estados e economias que têm menos, e mais e melhor cidadania europeia) implicarão ainda mais deveres (como reformas adequadas feitas na íntegra e de forma atempada) para cada Estado-Membro. Esses deveres, tantas vezes referidos por instituições como a Comissão Europeia, o FMI e a OCDE de forma quase informal e geralmente inconsequente, hoje em dia não são cumpridos. Com uma UE federal existirão meios e ferramentas para que as reformas, os deveres, avancem no seu tempo e Estados-Membros como Portugal e a Grécia não se desleixem e atrasem tanto por força dos seus políticos eleitoralistas mais irresponsáveis, dos seus sindicalistas chantagistas mais fundamentalistas e dos seus banqueiros criminosos mais extorsionários.

Anónimo 20.07.2017

As reformas pararam e o despesismo com salários injustificáveis e futuras pensões disparou, iniciando a contagem decrescente para o próximo resgate à República Portuguesa. O engano ou ilusão que se viveu entre 2005 e 2010 está a ser minuciosamente replicado pelo novo governo socialista. Não tenhamos dúvidas disto. Portugal julga-se imune à quarta revolução industrial e mais uma vez opta por não participar nela ou não se adaptar a ela julgando ser possível viver como economia de elevado rendimento usando o paradigma do funcionalismo público excedentário alavancado pelo crédito bancário subsidiado e tendo uma fé inabalável no turismo.

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