Política Monetária BCE mantém promessa de juros baixos e abertura para reforçar estímulos

BCE mantém promessa de juros baixos e abertura para reforçar estímulos

A taxa de juro na Zona Euro vai continuar em 0% e o programa de compra de activos em 30 mil milhões de euros por mês. O BCE não alterou o discurso e mantém a porta aberta a reforçar as medidas de estímulo e manter os juros baixos por um longo período de tempo.
BCE mantém promessa de juros baixos e abertura para reforçar estímulos
Reuters

O Banco Central Europeu decidiu manter intacta a sua política monetária, optando por não efectuar para já qualquer alteração no nível das taxas de juro, bem como no programa de compra de activos.

 

Assim, a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento, que é a taxa de referência, permanece em 0%. As taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecerão também ficam inalteradas em 0,25% e -0,40%.

 

Quanto ao programa de compra de activos (asset purchase programme – APP), a autoridade monetária pretende as aquisições a um ritmo mensal de 30 mil milhões de euros, até ao final de Setembro de 2018.

 

Mensagem sem alteração

 

A decisão de deixar a política monetária intacta era já aguardada pelo mercado, mas havia alguma expectativa quanto ao conteúdo do comunicado, para perceber se o BCE iria sinalizar que estava mais perto de reduzir o pacote de estímulos.

 

Contudo, o comunicado da reunião de hoje é quase uma cópia do comunicado que foi emitido após a última reunião, que decorreu a 14 de Dezembro.

 

Assim, o BCE mantém a porta aberta para "proceder a um aumento do programa de compra de activos em termos de dimensão e/ou duração" e a promessa de manter os juros em níveis historicamente baixos "durante um período alargado".

 

"O Conselho do BCE espera que as taxas de juro directoras do BCE permaneçam nos níveis actuais durante um período alargado e muito para além do horizonte das compras líquidas de activos", refere o comunicado do BCE emitido esta quinta-feira, 25 de Janeiro.

 

Na mensagem, é reafirmado também que "se as perspectivas passarem a ser menos favoráveis ou se as condições financeiras deixarem de ser consistentes com uma evolução no sentido de um ajustamento sustentado da trajectória de inflação, o Conselho do BCE está preparado para proceder a um aumento do programa de compra de activos (asset purchase programme – APP) em termos de dimensão e/ou duração".

 

São estas duas partes do comunicado do BCE (sobre os juros e sobre a compra de activos) que prendem as alterações dos analistas para se perceber se há alguma alteração na comunicação de movimentos futuros ("forward guidance"). E não foram efectuadas quaisquer alterações, sugerindo assim que não está para breve o início da retirada de estímulos.

 

Draghi tenta travar alta do euro?

 

Os relatos da reunião de Dezembro revelaram que os responsáveis da autoridade monetária do euro mostraram abertura para ao longo deste ano ajustar a sua comunicação com o mercado para sinalizar uma retirada dos estímulos monetários de forma mais célere do que o previsto actualmente. Uma indicação que acelerou a valorização do euro para máximos de 2014, acima dos 1,24 dólares, nível que se mantém depois de divulgada a decisão do banco central.

 

Dado que no comunicado o BCE não deixa qualquer pista sobre alterações na política monetária, o mercado terá agora que esperar pela conferência de imprensa com Mario Draghi para ter mais pistas sobre o rumo da política monetária. Tem início às 13:30 e pode ver aqui.

 

Várias analistas admitem que o presidente do BCE irá ter um discurso cauteloso sobre alterações na política monetária, até para travar a valorização do euro, que representa uma ameaça às empresas exportadoras europeias e por isso ao bom ritmo de crescimento da economia.


Os comentários efectuados recentemente por vários membros do BCE revelam contudo que os responsáveis estão preparados para adoptar uma política monetária menos expansionista, adianta o Commerzbank. Dito isto, os especialistas do banco alemão argumentam que "quando e quão rápido isto vai acontecer vai amplamente depender na tendência de inflação futura e até os falcões [governadores que defendem uma política mais agressiva] estão a sublinhar isto". A taxa de inflação na Zona Euro recuou para 1,4%, em Dezembro, mantendo-se longe da meta de 2% fixada pelo banco central. 

 

A grande dúvida está em saber se o programa de compra de activos será prolongado além de Setembro deste ano e se o BCE poderá ainda este ano iniciar o ciclo de subida de juros, começando pela taxa dos depósitos (actualmente em -0,4%). Quanto à taxa de referência, os economistas só estão à espera de alterações em 2019.



Descubra as diferenças

Comunicado de 25 de Janeiro de 2018

Na reunião de hoje, o Conselho do BCE decidiu que a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecerão inalteradas em 0.00%, 0.25% e -0.40%, respetivamente. O Conselho do BCE espera que as taxas de juro diretoras do BCE permaneçam nos níveis atuais durante um período alargado e muito para além do horizonte das compras líquidas de ativos.

No que respeita às medidas de política monetária não convencionais, o Conselho do BCE confirma que se pretende que as compras líquidas de ativos, a um novo ritmo mensal de €30 mil milhões, prossigam até ao final de setembro de 2018, ou até mais tarde, se necessário, e, em qualquer caso, até que o Conselho do BCE considere que se verifica um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, compatível com o seu objetivo para a inflação. Se as perspetivas passarem a ser menos favoráveis ou se as condições financeiras deixarem de ser consistentes com uma evolução no sentido de um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, o Conselho do BCE está preparado para proceder a um aumento do programa de compra de ativos (asset purchase programme – APP) em termos de dimensão e/ou duração. O Eurosistema reinvestirá os pagamentos de capital dos títulos vincendos adquiridos no âmbito do APP durante um período prolongado após o termo das compras líquidas de ativos e, em qualquer caso, enquanto for necessário. Tal contribuirá tanto para condições de liquidez favoráveis como para uma orientação adequada da política monetária. 

 

 

Comunicado de 14 de dezembro de 2017

Na reunião de hoje, o Conselho do BCE decidiu que a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecerão inalteradas em 0.00%, 0.25% e -0.40%, respetivamente. O Conselho do BCE espera que as taxas de juro diretoras do BCE permaneçam nos níveis atuais durante um período alargado e muito para além do horizonte das compras líquidas de ativos.

No que respeita às medidas de política monetária não convencionais, o Conselho do BCE confirma que, a partir de janeiro de 2018, pretende continuar a efetuar compras líquidas de ativos ao abrigo do programa de compra de ativos (asset purchase programme – APP), a um ritmo mensal de €30 mil milhões, até ao final de setembro de 2018, ou até mais tarde, se necessário, e, em qualquer caso, até que o Conselho do BCE considere que se verifica um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, compatível com o seu objetivo para a inflação. Se as perspetivas passarem a ser menos favoráveis ou se as condições financeiras deixarem de ser consistentes com uma evolução no sentido de um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, o Conselho do BCE está preparado para aumentar o APP em termos de dimensão e/ou duração. O Eurosistema reinvestirá os pagamentos de capital dos títulos vincendos adquiridos no âmbito do APP durante um período prolongado após o termo das compras líquidas de ativos e, em qualquer caso, enquanto for necessário. Tal contribuirá tanto para condições de liquidez favoráveis como para uma orientação adequada da política monetária.

O Presidente do BCE exporá as razões que determinaram estas decisões numa conferência de imprensa a realizar hoje às 14h30 (hora da Europa Central).

 

(notícia actualizada às 13:09 com mais informação)




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