Política Monetária BCE prepara-se para o fim da Era Draghi

BCE prepara-se para o fim da Era Draghi

O Banco Central Europeu entrará em breve num processo de troca de liderança que vai durar dois anos e terá o seu auge quando for escolhido o sucessor do presidente Mario Draghi. Considerações políticas serão tão importantes quanto as habilidades dos candidatos.
BCE prepara-se para o fim da Era Draghi
Reuters
Bloomberg 06 de janeiro de 2018 às 14:00

Cinco dos sete principais cargos do BCE serão desocupados até o fim de 2019, começando em Junho deste ano pelo posto de vice-presidente, actualmente ocupado por Vítor Constâncio. Entre os critérios para análise: ser mulher ajuda e nomear um ministro romperia a tradição.

 

Os vencedores definirão as medidas da instituição que praticamente salvou o euro sozinha durante a crise e agora decide como e quando retirar os estímulos adoptados para combater a recessão e sustentar a recuperação da actividade. Eles também influenciarão o debate sobre como fortalecer o bloco contra futuros choques.

 

"Uma grande dança das cadeiras acontecerá nos próximos dois anos com a abertura de muitas posições importantes na União Europeia", disse Carsten Brzeski, economista-chefe da ING-Diba, em Frankfurt, onde também fica a sede do BCE. "O resultado no fim do processo terá profundas consequências sobre como o BCE fará o aperto da política monetária."

 

Como costuma acontecer com os cargos europeus, o delicado equilíbrio de poder entre os 19 países que formam o bloco será decisivo no processo selectivo. Mas nacionalidade não basta.

 

Investida de Espanha

 

Espanha deu o primeiro passo no mês passado. Após cinco anos de ausência do conselho que elabora e implementa a política monetária, o governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy anunciou que nomeará um candidato para substituir o vice-presidente Constâncio.

 

Há rumores de que será nomeado o ministro da Economia, Luis de Guindos, que presidia as operações em Portugal e Espanha do Lehman Brothers Holdings até o colapso do banco americano, em 2008. No entanto, o nome deste responsável pode ser rejeitado por parlamentares europeus que querem uma lista de candidatos que inclua mulheres.

 

Reunião em Bruxelas

 

O BCE e os bancos centrais nacionais influenciam as decisões, mas não votam formalmente. Os ministros responsáveis pela pasta das Finanças pedirão indicações durante uma reunião em Bruxelas, a 22 de Janeiro, e provavelmente escolherão nomes até ao fim de Fevereiro. Os indicados precisam de passar por uma audiência e uma votação do Parlamento Europeu antes de os líderes da União Europeia confirmarem a pessoa no cargo.

 

A selecção do novo vice-presidente é o primeiro movimento de um jogo de xadrez que definirá os substitutos do presidente do BCE (Mario Draghi), do economista-chefe (Peter Praet), do responsável por operações de mercado (Benoit Coeuré) e da responsável por supervisão bancária (Daniele Nouy).

 

O italiano Draghi, de 70 anos, deixará a presidência no final de Outubro de 2019. Jens Weidmann, de 49 anos, comandante do banco central alemão, o Bundesbank, é considerado uns dos favoritos a substituí-lo. O comandante do banco central francês, François Villeroy de Galhau, de 58 anos, é outro dos favoritos. A sua conterrânea Christine Lagarde, de 62 anos, directora-geral do Fundo Monetário Internacional, e a vice-presidente do banco central irlandês, Sharon Donnery, de 45 anos, estão entre as mulheres que poderão ocupar a presidência ou um assento no conselho.

(Texto original: All Change at Top of the ECB as Draghi Era Approaches the End)




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comentários mais recentes
Talvez o iluminado Vitor Gaspar, tendo como assess 06.01.2018

a (inefável) ML Albuquerque, como gestora de conteúdos. Pobre País que durante 4 anos os aturou e herdou miséria e ódio social.

jose 06.01.2018

Até quando aguentarão os alemães toda a paciência que têm demonstrado?

Anónimo 06.01.2018

Vai agora poder regressar à sua Itália, para resolver o problema dos 2.300 mil milhões de € de dívida pública e o dos 300 mil milhões de € de crédito mal parado na banca italiana que a sua política monetária laxista de dinheiro fácil ajudou a agravar nos últimos anos. Ciao e buona fortuna!

Anónimo 06.01.2018

Oh Dono dos Burros
De alguém com um nome assim, não é de espantar essa linguagem carroceira, cheia de insultos, mas intervala de vez em quando, pah!!

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