Política Monetária BCE preparado para agir se juros de Itália dispararem

BCE preparado para agir se juros de Itália dispararem

O referendo no domingo pode aumentar o stress no sector financeiro, pelo que o BCE está preparado para intervir. Mas não por muito tempo.
BCE preparado para agir se juros de Itália dispararem
BCE

O Banco Central Europeu está preparado para intervir no mercado de dívida soberana caso o resultado do referendo deste domingo em Itália provoque uma subida acentuada nas "yields" das obrigações do país.

 

A notícia está a ser avançada pela Reuters, que cita quatro fontes não identificadas do banco central. A intervenção será feita no âmbito do programa de compra de títulos de dívida, através do qual o BCE aplica cerca de 80 mil milhões de euros por mês.

 

Os responsáveis do BCE contactados pela agência de notícias defendem que o programa de compras da autoridade monetária é flexível o suficiente para permitir um aumento temporário da compra dos títulos de dívida italiana. Ainda assim, este reforço teria que ser aprovado pelo conselho de governadores do BCE, que se reúne a 8 de Dezembro, quatro dias depois do referendo.

 

As mesmas fontes alertam contudo que este reforço de compra de títulos italianos será sempre limitado e poderá demorar apenas dias ou semanas, uma vez que o programa de compra de activos foi desenhado para impulsionar a inflação e o crescimento económico e não para acudir a problemas isolados de alguns países.

 

"O Conselho de Governadores entende que há alguma margem de manobra para ajudar a Itália, que será usado, caso seja necessário", pois o programa de compra de activos "tem flexibilidade para tal", disse uma das fontes contactadas pela agência, acrescentando que o "BCE tem que ficar convencido que consegue responder de forma eficaz a um potencial aumento da volatilidade".  

 

Itália tem a segunda maior dívida da Zona Euro (quando medida em percentagem do PIB) e tem assistido nas últimas sessões a um aumento das "yields" das obrigações soberanas, precisamente devido aos receios com o resultado do referendo de 4 de Dezembro.

 

Se, tal como apontam algumas sondagens, o "não" sair vitorioso, não serão implementadas as alterações à constituição pretendidas pelo primeiro-ministro Mateo Renzi, que já anunciou que neste caso apresentará a demissão.

 

Juros em alta, bancos em queda

 

Itália arrisca assim uma crise política numa altura em que o sistema financeiro passa por um período conturbado, pois não foi ainda encontrada uma solução para enfrentar o elevado nível do crédito malparado, que ascende a 380 mil milhões de euros.

 

Combinados, o Unicredit e o Monte dei Paschi, maior e terceiro maior bancos do sistema, perderam mais de metade do seu valor no que leva o ano de 2016, para uma capitalização bolsista conjunta de 13 mil milhões de dólares. O Unicredit já caiu mais de 62% em 2016 estando actualmente a negociar próximo de mínimos de Agosto. O segundo maior banco, o Intesa Sanpaolo, perdeu 34%. Nesta altura entre os seis piores desempenhos dos bancos cotados no índice bolsista de referência europeu para o sistema financeiro estão cinco instituições italianas.

Reflexo da evolução deprimida do sector financeiro, a bolsa italiana acumula perdas superiores a 20% em 2016.

 

Os receios com o resultado do referendo também se fazem sentir de forma acentuada no mercado de dívida. As taxas de juro exigidas pelos investidores para adquirirem dívida italiana nos mercados secundários têm apresentado uma trajectória ascendente. As obrigações com prazo a 10 anos estão hoje nos 2%, a aliviarem dos 2,2% registados na semana passada e depois de em 14 de Novembro terem tocado nos 2,23%, um máximo desde Julho do ano passado.

 

O vice-presidente do BCE, Vítor Constâncio, já na semana passada abriu a porta a um apoio do BCE a Itália caso ocorra uma subida das "yields". Mas o português desvalorizou o impacto do referendo, salientando que as taxas de juro estão em níveis historicamente baixas e muito longe dos 7% registados em 2011, quando o primeiro-ministro era Silvio Berlusconi e o BCE teve de accionar um programa de emergência.

 

Se para acudir a um disparo nas "yields" basta o Conselho de Governadores dar o "ok", no caso do sistema financeiro a situação é diferente. Se for necessário um plano para recapitalizar os bancos, ou um plano de financiamento de longo prazo, tal terá que ser pedido pelo Governo italiano.

 

Crise política

 

A imprensa italiana noticiou esta terça-feira que Renzi estava a preparar-se para se demitir mesmo que o referendo de domingo dite a vitória do "sim", mas o gabinete do primeiro-ministro já veio descartar este cenário.  

 

Apesar de Renzi já ter dito ser contra a realização de eleições antecipadas, vários membros do PD defendem que esta será a única solução num cenário de derrota e demissão do primeiro-ministro italiano. Isto mesmo é também defendido pela oposição, que rejeita qualquer solução que passe por um Governo tecnocrata à Mario Monti.

 

Caso se concretize a demissão de Matteo Renzi, o presidente da República teria de encontrar um primeiro-ministro capaz de obter o apoio de um Parlamento altamente fragmentado. Uma solução passaria pelo já referido Governo tecnocrata. No entanto o cenário mais provável seria a convocação de eleições antecipadas. E perante novas eleições, a força assumidamente populista e anti-euro liderada por Beppe Grillo, o Movimento 5 Estrelas, surge na dianteira dos estudos de opinião.

 

Com o referendo constitucional o Governo transalpino propõe-se reformar o sistema político, acabando com o actual bicameralismo perfeito. O objectivo passa por reduzir o leque de poderes da câmara alta (Senado) do Parlamento, passando os senadores a ser uma espécie de representantes regionais. 




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mais votado Anónimo Há 1 semana


OS FP / CGA SÃO TODOS LADRÕES

O défice orçamental do OE 2017, é de 3016 milhões de Euros...

e o buraco anual das pensões dos FP / CGA em 2017, é de 4600 milhões de Euros.

CONCLUSÃO: SÓ EXISTE DÉFICE EM 2017, DEVIDO AO BURACO DA CGA!


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Anónimo Há 1 semana

Ora aí está. A bancarrota dos pafs só por cima do cadáver do BCE.

Anónimo Há 1 semana


OS FP / CGA SÃO TODOS LADRÕES

O défice orçamental do OE 2017, é de 3016 milhões de Euros...

e o buraco anual das pensões dos FP / CGA em 2017, é de 4600 milhões de Euros.

CONCLUSÃO: SÓ EXISTE DÉFICE EM 2017, DEVIDO AO BURACO DA CGA!


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