Saúde BE vai apresentar iniciativa para passar hospitais de PPP para "esfera pública"

BE vai apresentar iniciativa para passar hospitais de PPP para "esfera pública"

"Não podemos gastar 450 milhões de euros por ano em PPP na saúde. O orçamento da saúde não pode ser uma renda para negócios privados," defende o Bloco de Esquerda.
BE vai apresentar iniciativa para passar hospitais de PPP para "esfera pública"
Bruno Simão
Lusa 05 de janeiro de 2017 às 16:18
O deputado bloquista Moisés Ferreira anunciou esta quinta-feira, 5 de Janeiro, a intenção daquela bancada parlamentar em apresentar uma iniciativa legislativa para que os actuais hospitais com Parcerias Público-Privadas (PPP) "passem para a esfera pública".

Em declaração política no plenário, o tribuno do BE atribuiu a actual situação de degradação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) às políticas do anterior Governo (PSD/CDS-PP) e lamentou as horas de espera dos utentes em urgências de unidades de saúde de todo o país.

"Não podemos gastar 450 milhões de euros por ano em PPP na saúde. O orçamento da saúde não pode ser uma renda para negócios privados. É por isso, por defendermos o SNS e seu reforço, que o BE apresentará uma iniciativa legislativa para que os atuais hospitais em regime de PPP passem para a esfera pública", prometeu.

Já o PCP apresentou requerimentos para criar um grupo de trabalho de avaliação política das PPP e para pedir informações ao Governo socialista sobre a gestão dos hospitais com PPP, nomeadamente, os hospitais de Cascais e de Braga por serem aqueles que é preciso tomar decisões durante o ano.

"Poderiam ter aproveitado a oportunidade para apresentarem desculpa às pessoas por terem destruído o SNS durante quatro anos", afirmou Moisés Ferreira sobre as intervenções da oposição PSD/CDS-PP, desafiando ambos os partidos a votar a favor da proposta do BE, depois de descrever cenários de tempos de espera de 13 horas no Hospital Amadora-Sintra, por exemplo.

O social-democrata Miguel Santos e a democrata-cristã Isabel Galriça condenaram aquilo que consideram ser mudanças de postura de BE e PCP relativamente à situação no sector da saúde fruto de agora apoiarem o Governo do PS.

"Quem o viu e quem o vê. Fez um exercício de uma hipocrisia política atroz. Ou se veio queixar de maus-tratos políticos pela bancada do PS. Ou então, apoia o Governo, aprova o orçamento, apoia a política e faz aqui um exercício de choraminguice. Meteram a kalashnikov [metralhadora de fabrico soviético] na casa de penhores e vêm queixar-se do acordo que fizeram com este Governo", ironizou o deputado do PSD.

Galriça Neto classificou a atitude dos partidos da esquerda de "profundamente demagógica", depois de, "por muito menos, terem clamado que havia um desmantelamento do SNS durante a anterior legislatura", protagonizando agora "um número encomendado em que negam tudo aquilo que defendiam".

"Em menos de um ano, este Governo conseguiu admitir 4.000 novos funcionários para o SNS, ao contrário do anterior. Abriram-se 30 unidades saúde 'modelo A' e 25 do 'modelo B'. Foi capaz de alargar os horários nos cuidados de saúde primários - 201 centros de saúde, diariamente até às 24 horas, incluindo aos fins de semana", salientou a socialista Luísa Salgueiro.

Outro deputado do PS, António Sales, também louvou o "enorme esforço de contratação de profissionais, a abertura de novas urgências, o investimento em materiais e na reconversão de outros".

"O PS não tem qualquer preconceito ideológico quanto às PPP. Privilegiaremos sempre o serviço público, mas não há nenhum preconceito quanto às PPP, quando solução for a mais eficiente e do interesse do utente", continuou.

A comunista Carla Cruz sublinhou que, "nos últimos anos, foram encerradas 900 camas no SNS" e "o PCP rejeita liminarmente o modelo das PPP, seja o actual, que contempla a construção e a gestão, quer o modelo só de construção (de unidades hospitalares)", lembrando que os comunistas apresentaram na discussão do Orçamento do Estado para 2017 a reversão das PPP.

"A gravidade dos problemas que assolam o SNS decorre das opções políticas de sucessivos governos, particularmente, a executada nos últimos quatro anos por PSD e CDS, cujas consequências se farão sentir por muitos anos e, nalguns casos, de forma irremediável, de que a emigração de milhares de profissionais que podiam estar no SNS é um exemplo", defendeu.

"Bem prega frei Tomás... [olha para o que ele diz, não para o que ele faz]", retorquiu o deputado do PSD José Silvano, dirigindo-se à parlamentar do PCP, inquirindo-a se os comunistas apoiam ou não a política governamental relativa à saúde e se, caso o Governo venha a renegociar as PPP em causa, o apoio parlamentar à nova maioria se mantém.

(Notícia actualizada às 18:13 com mais informação)



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Anónimo 05.01.2017

Retire-se o dinheiro q o estado paga ás PPP e passe a investir no SNS p o melhorar. Q quiser ser privado q assuma os investimentos das mesmas. Passa-se aqui o q se tem passado nas escolas. Faltará ao M. da Saúde a coragem q teve o M. da Educação?

Anónimo 05.01.2017

Concordo plenamente c a retirada das PPP p o SNS. A maioria dos médicos da PPP trabalham n SNS. PQ razão alimentar tudo isto. As PPP q é o seu negócio rentável. Quando têm problemas c os utentes enviam-nos p o SNS. Muitas delas n merecem o q lhes pagam. Falo p experiência. Negócio e mais nada

Anónimo 05.01.2017

O BE E COMUNISTAS não dizem nada sobre a venda do novo banco? Pois é, já têm o tacho que queriam, o resto não interessa. Mas no final são os pequenos accionistas e lesados do bes, que ficam sem o cacau.Agora estão no poleiro: CAGAM_SE PRA ELES, o valor do N/B é deles. SALGADINHO ROUBOU_LHO

Antunes 05.01.2017

Este governo que se diz de esquerda prepara-se para, com base em estudos escolhidos a dedos e dados estrategicamente retirados do contexto, praticamente duplicar o número de PPPs da saúde existentes em Portugal, somando 3 novas unidades às 5 que se preparam para renovar.Esquerda!Depois queixem-se...

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