Impostos BES e Montepio lideram "apagão" nas transferências para offshores

BES e Montepio lideram "apagão" nas transferências para offshores

Mais de metade das transferências para offshores que sofreram um apagão estão concentradas no BES e no Montepio, que foram os únicos bancos a registar problemas em três anos, escreve o Jornal Económico. É mais um dado que vem adensar as dúvidas sobre o sucedido.
BES e Montepio lideram "apagão" nas transferências para offshores
Bruno Simão/Negócios
Negócios 07 de julho de 2017 às 09:26

O Banco Espírito Santo (BES) e o Montepio Geral concentram cerca de metade das transferências para offshores que desapareceram dos registos do Fisco e foram as únicas instituições a registarem "apagões" durante três anos. Trata-se de uma concentração elevada de problemas em apenas dois bancos.

 

Segundo avança esta sexta-feira o Jornal Económico, o BES e o Montepio Geral fizeram 13 mil transferências para territórios offshores que desapareceram dos radares do Fisco na sequência dos problemas informáticos que estão a ser investigados. Estas 13 mil transferências representam 51% dos casos desaparecidos, o que revela uma elevada concentração de problemas relacionados com estas duas instituições.

 

Além disso, BES e Montepio foram as duas únicas instituições a registarem "apagões" em três exercícios, escreve o jornal.

 

São estatísticas que continuam a adensar as dúvidas sobre a origem dos problemas informáticos, que, apesar do relatório da Inspecção-geral de Finanças (IGF), não ficam esclarecidas.

 

Recorde-se que a Inspecção-Geral de Finanças, encarregue de averiguar o sucedido, considerou recentemente "extremamente improvável" ter existido mão humana deliberada para ocultar 10 mil milhões de euros transferidos de 2011 a 2014, 8 mil milhões dos quais por dois grupos empresariais.

 

Contudo, a auditoria não convenceu o actual secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, que num despacho referiu que há "aspectos relevantes" por esclarecer e ordenou que o fisco averigúe se houve uma "marcação de transferências específicas".

 

Outra das coincidências suspeitas, já relatada pelo jornal Público, reside no facto de o programa informático usado pelo fisco nos últimos anos para registar as transferências para offshores só ter registado problemas no caso concreto destas operações. O sistema também serve para fazer o processamento de outras declarações, como retenções de taxas liberatórias, mas as anomalias só se verificaram no registo do dinheiro enviado para paraísos fiscais.

O relatório e o despacho do secretário de Estado Fernando Rocha Andrade estão a ser analisados pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).




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mais votado Anónimo 07.07.2017

Tal como o livro "Sociedades Offshore e Paraísos Fiscais" de Manuel Poirier Braz elucida muito bem, não é crime usar "offshores". O Instituto de Gestão do Crédito Público, a CP e o Instituto da Segurança Social, entre outras organizações do sector público, têm recorrido com toda a naturalidade às ditas offshores. Não é crime escolher no mercado globalizado de serviços financeiros a oferta de serviços que mais se adequa ao perfil, às necessidades e aos interesses de cada um, especialmente num contexto de falência anunciada do tradicional sistema bancário de retalho em Portugal, não só por este último ser um negócio obsoleto que não quer evoluir com o mercado pois em Portugal tudo é anti-mercado e portanto cego à evolução e à melhoria contínua, como por ter perdido toda a credibilidade ao ficar pejado de criminosos de todos os tipos e feitios. http://www.jornaldenegocios.pt/economia/financas-publicas/detalhe/igcp_cp_e_seguranca_social_usaram_offshores___tsf

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Jogada 07.07.2017

Cheira- me que o orçamento do estado e a Santa Casa vão ressarcir os detentores da divida dessas entidades (papel comercial e títulos de participação) para os accionistas BES/GES e FINIBANCO que se apressaram a enviar para offshores e o tuga paga

Camponio da beira 07.07.2017

Para quem trabalhava nuncio, antes de secretario de estado? Quem foram os autores das transferncias no apagão? Isto chega.....

Anónimo 07.07.2017

O Nuncio e o Venezuelas do BES apagaram tudo com o comando do desgoverno PSD/CDS.

Anónimo 07.07.2017

SÓ PODE TER TIDO MÃOZINHA INTERNA, MAS VAI-SE DESCOBRIR, ESTA HISTÓRIA NÃO PODE FICAR ASSIM.

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