Finanças Públicas Blanchard: Saída do euro deve ser discutida, mas não faz sentido para Portugal  

Blanchard: Saída do euro deve ser discutida, mas não faz sentido para Portugal  

O antigo economista chefe do FMI discute no seu paper a saída de Portugal do euro como uma possível solução para os problemas estruturais da economia, mas acha que os custos seriam demasiado elevados.
Blanchard: Saída do euro deve ser discutida, mas não faz sentido para Portugal  
Nuno Aguiar 19 de maio de 2017 às 12:50

Ao contrário de Joseph Stiglitz, Olivier Blanchard acha que Portugal perderia mais do que ganharia com uma saída do euro. "Deve ser discutido. A minha posição é não ser dogmático. Se tiver um grave problema de competitividade externa, pode ser melhor sair", afirmou Blanchard, durante a sua intervenção na conferência "Portugal, from here to where", realizada esta manhã em Lisboa. O economista acha até que haverá um país do euro - possivelmente a Grécia - que poderá estar nessa situação, mas não é Portugal. 

 

"Achamos que há bons motivos para, nesta altura, rejeitar esta opção para Portugal", escreve no paper que assina com Pedro Portugal, investigador do Banco de Portugal. 

 

O seu argumento é que só faz sentido considerar essa opção se o problema de competitividade for muito grave e as reformas estruturais não estiverem a dar resultado. Portugal não se enquadra nessa descrição, porque, na opinião de Blanchard, "o problema de competitividade de Portugal foi largamente, ainda que não inteiramente, resolvido", o que significa que o principal racional para a saída desapareceu.

 

Isso não significa que não haja ainda problemas de arquitectura do euro, mas os custos dessa saída seriam demasiado elevados para resolver um problema que já não tem a mesma gravidade. "A transição tem custos gigantes. Faz sentido tentar ser bem-sucedido dentro do euro", afirmou na sua intervenção, esta manhã. 

 


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mais votado Alvaro Há 3 dias

O problema não é ter entrado para o Euro. O problema é ter entrado e ter conservado uma economia de pais emergente (a Grécia, que conheço bem, ainda pior). Olhem para a Irlanda para ver se ela não soube gerir a situação, apesar da crise que também atravessou.
Algum dia alguém vai ter que dizer que o aumento da competitividade com a saída do Euro seria exclusivamente devido à desvalorização da moeda nacional com a consequente perda de poder de compra (certamente > 30%). Aí sim, Portugal seria capaz de competir com o Vietname e outras economias emergentes semelhantes à sua. Só que nessas economias não 35 horas por semana, não há licenças de maternidade ou paternidade, não há tolerâncias de ponto, não há 4 a 5 semanas de férias pagas por ano, não há 15 anos de escolaridade obrigatória (como o governo pretende dos 3 aos 18 anos), etc.
O realismo nunca fez mal a ninguém.

comentários mais recentes
AAAA Há 3 dias

DIZ ELE, "o problema de competitividade de Portugal foi largamente, ainda que não inteiramente, resolvido". SÓ POR DIZER ISTO SE PERCEBE BEM QUE O FMI E O BANCO DE PORTUGAL É SÓ INCOMPETENTES. SABEMOS BEM AS POLÍTICAS QUE O FMI SUGERIU A PORTUGAL E QUE FORAM UM TOTAL FALHANÇO. SAIR DO EURO E DA UE.

Ó Valha-nos Santa Ingrácia . . . . Há 3 dias

O problema do Estado são os muitos funcionários públicos que não tem nada para fazer e passam o dia a coçar os tomates.

Como parecem vacas na India e não se podem despedir, lá estão os Contribuintes a inchar.

Alvaro Há 3 dias

O problema não é ter entrado para o Euro. O problema é ter entrado e ter conservado uma economia de pais emergente (a Grécia, que conheço bem, ainda pior). Olhem para a Irlanda para ver se ela não soube gerir a situação, apesar da crise que também atravessou.
Algum dia alguém vai ter que dizer que o aumento da competitividade com a saída do Euro seria exclusivamente devido à desvalorização da moeda nacional com a consequente perda de poder de compra (certamente > 30%). Aí sim, Portugal seria capaz de competir com o Vietname e outras economias emergentes semelhantes à sua. Só que nessas economias não 35 horas por semana, não há licenças de maternidade ou paternidade, não há tolerâncias de ponto, não há 4 a 5 semanas de férias pagas por ano, não há 15 anos de escolaridade obrigatória (como o governo pretende dos 3 aos 18 anos), etc.
O realismo nunca fez mal a ninguém.

Anónimo Há 3 dias

O euro está demasiado elevado esse é o principal problema. Qdo foi criado n sei quem foi o génio que decidiu colocá-lo a par do $. A médio prazo isso fez sentido para países como a Alemanha. O euro deveria sofrer uma desvalorização de 20/30% e no paradigma actual até a Alemanha saia a ganhar.

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